41 mil grávidas ainda não tomaram vacina contra vírus
Cobertura da vacinação contra o VSR no Estado é de 19,25%, distante da meta de 80% do Ministério da Saúde
Mais de 41 mil gestantes não se vacinaram contra o vírus sincicial respiratório (VSR) no Estado até o final de 2025. Segundo dados do Sistema Vacina e Confia (VeC), apenas 9.975 mulheres receberam a dose, alcançando uma cobertura de 19,25%, distante da meta de 80% do Ministério da Saúde.
O VSR é um dos principais causadores da bronquiolite em recém-nascidos, infecção que pode levar a quadros de insuficiência respiratória.
A infectologista Martina Zanotti, do Hospital Vitória Apart, explica que, com a vacina, a mãe é imunizada e confere ao bebê a imunidade passiva.
“A mãe produz anticorpos que são passados pela placenta para o filho, que já nasce protegido contra o vírus. Isso não impede totalmente a infecção, mas evita as formas mais graves da doença”.
A médica também reforça que é importante se atentar aos prazos. A vacina pode ser aplicada a partir da 28ª semana de gestação e o limite máximo recomendado é até quatro semanas antes do parto.
“A orientação é não deixar a vacina para depois, para dar tempo do organismo produzir os anticorpos e transferi-los para o bebê”.
A vacina contra o VSR é oferecida pelo SUS desde o final do ano passado. O secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann, diz que o imunizante está disponível em todo o Espírito Santo.
“Todos os municípios receberam doses da vacina, de acordo com o tamanho da população e a estimativa de gestantes a partir da 28ª semana”.
O secretário reforça que o imunizante é seguro para a mãe e o filho. “Essa vacina já existe há bastante tempo, e assim como as outras, não oferece riscos. Pelo contrário, ela protege os bebês de quadros de saúde muito graves”.
Em 2025, o Estado registrou 20 mortes causadas pelo VSR, segundo o Informe Epidemiológico das Vigilâncias das Síndromes Gripais. Dessas, oito foram crianças de zero a 4 anos.
A infectologista Rubia Miossi lembra que a vacinação é uma ferramenta fundamental para evitar esses casos. “É essencial para reduzir o número de mortes e as internações hospitalares nos primeiros meses de vida da criança”.
EXEMPLO POSITIVO
“Posso proteger a minha filha”
A cirurgiã Amanda Santana, 32 anos, já está imunizada contra o vírus VSR. Ela está grávida de 39 semanas da Luana e diz que foi atrás de se vacinar assim que o imunizante ficou disponível pelo SUS.
“Não tive dúvidas de que iria me vacinar, principalmente sabendo que posso proteger a minha filha de uma doença tão perigosa”.
Amanda conta que o acesso ao imunizante foi fácil. “Agendei pela internet, fui até a unidade de saúde e me vacinei. Foi tudo muito rápido”.
Ela reforça que a vacinação é um ato de cuidado de uma mãe pelo seu filho. “Eu entendo que é minha responsabilidade fazer tudo que está ao meu alcance para que meu bebê tenha saúde e consiga ter uma infância tranquila”.
ENTENDA
Vírus sincicial respiratório
> É um dos principais causadores de infecções respiratórias em bebês e crianças pequenas.
> Em 2025, foi o principal vírus dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Estado, com 718 casos notificados, segundo o Informe Epidemiológico das Vigilâncias das Síndromes Gripais.
> No mesmo período, foram registradas 20 mortes por VSR, sendo oito em crianças de zero a 4 anos.
Bronquiolite
> O VSR é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite, uma inflamação dos bronquíolos que pode evoluir rapidamente para quadros graves, com necessidade de internação e até entubação.
Riscos
> Os Bebês nascem sem anticorpos contra o vírus e quanto menor a idade da criança, maior o risco de agravamento da infecção.
Vacinação
> A vacina contra o VSR é aplicada na gestante em dose única e estimula a produção de anticorpos que são transmitidos ao bebê pela placenta.
> Dessa forma, a criança já nasce protegida contra as formas mais graves da doença, especialmente nos primeiros seis meses de vida.
> Desde o ano passado, a vacina está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).
Quando se vacinar?
> A vacinação é indicada entre a 24ª e a 36ª semana de gestação.
> O ideal é que a aplicação ocorra com pelo menos quatro semanas antes do parto, para garantir tempo suficiente para a produção e a transferência dos anticorpos para o bebê.
Vacinação no Estado
> A vacina está disponível em unidades de saúde em todo o Estado.
> As gestantes devem procurar a unidade de saúde mais próxima para se informar sobre a sala de vacinação.
> Na última sexta-feira, o Ministério da Saúde encaminhou a segunda remessa ao Estado, com 10.360 doses da vacina, que foram distribuídas às regionais de saúde Norte, Sul e Central e aos municípios da Região Metropolitana.
Números até agora
> Desde o início da campanha, até 31 de dezembro de 2025, o Estado contabilizou 9.975 doses aplicadas, o que representa uma cobertura vacinal de 19,25%.
> Segundo o Ministério da Saúde, há 51.811 gestantes no Espírito Santo e a cobertura recomendada é de 80%.
Fonte: Especialistas entrevistados e Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
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