Pernambuco na linha do tempo: entre os marcos do agora e os desafios do amanhã
Avanços, impasses e escolhas que moldam o presente e projetam o futuro
As luzes que colorem o céu do Recife nesta virada de ano representam mais do que o encerramento de um calendário. Entre o Marco Zero e a orla festiva de Boa Viagem, o que se vê é o rito de passagem de uma capital que, ao mesmo tempo em que celebra as tradições, começa a projetar um ciclo decisivo para o Estado.
Para o pernambucano, o 1º de janeiro não é apenas um dia de descanso, mas o marco zero de um ano que carrega a responsabilidade de preparar o terreno para 2026. Se na noite desta quarta-feira o foco está no reencontro e na festa, a manhã desta quinta-feira (1º) trará o silêncio reflexivo típico do início de ciclo. É nesse hiato que a esperança deixa de ser um brinde festivo para se tornar um projeto de cidadania.
Pernambuco entra em um período onde o debate público ganhará força, com a proximidade de um ano eleitoral que promete redesenhar as forças políticas locais e nacionais. Para quem lê este texto na noite da virada ou no despertar deste 1º de janeiro, o cenário é de um Pernambuco que tenta equilibrar o pragmatismo da gestão com a urgência da esperança.
O "fôlego" de Raquel: entregas e acordos decisivos
No Palácio do Campo das Princesas, a governadora Raquel Lyra (PSD) encerra o ano com movimentos que buscam destravar o desenvolvimento. O anúncio histórico do aporte de R$ 4 bilhões do Governo Federal para o Metrô do Recife — fruto de um acordo de cooperação assinado com o presidente Lula neste mês — surge como o grande alento para a mobilidade. A promessa é de 18 trens seminovos e uma requalificação profunda que prepara o sistema para a futura concessão. Que passageiros não precisem mais arriscar a vida andando sobre trilhos.
Enquanto isso, o início das obras do Arco Metropolitano, sonhado há mais de 20 anos, promete, finalmente, tirar do papel a logística que o Porto de Suape exige, gerar mais empregos e dar mais qualidade de vida a quem usa transporte público e privado. É um resultado e tanto para uma gestão que precisou de resiliência nas articulações com a Assembleia Legislativa para destravar investimentos e garantir o equilíbrio das contas estaduais.
Desafios sociais e infraestrutura no interior
No entanto, o otimismo das máquinas divide espaço com temas sensíveis. O processo de privatização da Compesa segue sob os olhares atentos da sociedade, enquanto o governo corre contra o tempo para entregar adutoras e soluções definitivas para a seca que ainda castiga o interior.
Mas o desenvolvimento sob o olhar de Raquel também foca no humano: a segurança pública e o combate à violência contra a mulher permanecem como o dado mais doloroso. O enfrentamento ao feminicídio e a ampliação da rede de proteção seguem como metas críticas para a primeira governadora mulher da história de Pernambuco, que busca deixar um legado de proteção e justiça social.
A despedida de João: o legado e a transição
No Recife, o clima é de encerramento de um ciclo marcante. O prefeito João Campos (PSB), reeleito com uma aprovação que atravessou bairros e classes sociais, vive seus últimos meses no cargo. Antes de sua saída, prevista para abril — quando passará o bastão para o vice Victor Marques (PCdoB) para focar na disputa estadual —, João consolida um legado de zeladoria urbana, expansão da Rede Compaz e uma presença digital que reconectou o recifense com a prefeitura através de um urbanismo social.
O pertencimento e a proteção da vida
A marca do prefeito reside na transformação do cotidiano através das Praças da Infância e da requalificação de parques, que entregaram espaços de convivência dignos para famílias em moradias adensadas. Onde havia abandono, a iluminação em LED e o lazer devolveram a "sala de estar" ao morador da periferia.
Paralelamente, o programa ProMorar e as obras de encostas enfrentaram a vulnerabilidade geográfica da cidade, unindo engenharia à proteção da vida. Esse esforço foi acompanhado por uma estratégia de comunicação que humanizou a figura do prefeito e criou uma conexão direta com o "corre" diário do recifense.
Mobilidade e os desafios do tabuleiro político
Apesar dos avanços municipais, a mobilidade urbana e a revitalização total do Centro Histórico (Recentro) seguem como gargalos que exigem tempo e fôlego. Agora, esse legado entra em transição: Victor Marques (PCdoB) assume com a missão de manter o ritmo de entregas, enquanto João Campos se posiciona para o xadrez de 2026. A capital será, mais uma vez, o epicentro do debate estadual.
O horizonte de 2026: polarização e cidadania
Ao amanhecer deste dia 1º, o calendário nos lembra que a política "está logo ali". O novo ano será o palco das articulações para uma eleição presidencial que já se desenha sob o signo da polarização, com reflexos diretos nas alianças locais. Pernambuco, historicamente um termômetro político do Brasil, verá o embate entre diferentes modelos de gestão se intensificar.
A esperança que o pernambucano celebra hoje não é abstrata. Ela tem cor, sotaque e endereço. É a esperança de que o emprego gerado pelo Arco Metropolitano chegue à mesa; de que a água da Compesa saia da torneira; de que o metrô volte a ser o orgulho da Região Metropolitana; e de que o centro do Recife deixe de ser fantasmagórico.
Ao amanhecer deste primeiro dia do ano, o Recife não apenas acorda para um novo mês, mas para a oportunidade de reafirmar seu protagonismo no Nordeste e no Brasil. A super festa passa, os fogos silenciam, mas a vontade de fazer o futuro acontecer agora é o que permanece nas pontes e nas ruas da cidade.
Que o sol deste primeiro dia do ano ilumine a consciência de um povo que, entre o frevo e o trabalho, sabe que o "amanhã" se faz com a coragem do presente. E boas escolhas! São elas que garantem um feliz ano novo.
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