Noitada sem fim: jovens mantêm viva a tradição de curtir a noite
Bares fecham mais cedo, mas a madrugada ainda tem público fiel
Enquanto novos hábitos encurtam a noitada, há quem resista. Para parte do público, a balada segue sem hora para acabar — e continuar até o amanhecer ainda é sinônimo de diversão e desconexão da rotina.
A reportagem circulou por bares da região da Praia do Canto e conversou com jovens conhecidos como “inimigos do fim”.
Eles revelaram que, na maioria das vezes, precisam migrar durante a noite para outros bares e baladas até mais tarde, já que muitos fecham cedo.
Silvio Pimenta Werneck Machado Junior, sócio do Gordinho Praia do Canto e Sambão, contou que as casas abrem por volta das 20 horas e vão até 3h30.
“Hoje, as pessoas que vão ao pagode na madrugada, na sua maioria, saem de bares, de outros pagodes mais cedo ou até mesmo saem do trabalho para curtir”.
Segundo ele, uma minoria de clientes sai de casa para curtir essas baladas mais tarde.
Sobre a idade do público, ele destacou que existe diferença nos dias que a casa abre. “Às quintas e domingos, o nosso público é mais jovem. Já às sextas e sábados, o público é de todas as idades”.
Felipe Fioroti, sócio-proprietário da Brava, afirmou que o processo de começar mais cedo e terminar mais cedo as festas e baladas já acontece nos últimos anos.
“Mas, por incrível que pareça, eu acredito que hoje a nova geração – dos 18 e 19 anos – já voltou a querer ter hábitos noturnos. A 'new generation' gosta da noite”.
Fioroti frisou que a experiência de 25 anos na área tem mostrado que o público mais velho ainda quer sempre sair mais cedo.
“O que acontece é que a nova geração de 40 anos hoje ainda sai muito de casa, por isso vai preferir eventos mais cedo. Se a gente parar para pensar, os nossos pais com 40 anos não saíam mais para shows, para bares com música ao vivo, para festas. Então, o que ocorreu, na verdade, é um aumento do público acima dos 35 anos que sai mais. Elas estão jovens por mais tempo”.
De um lugar para o outro durante a noite
Se o assunto é vida noturna, as universitárias Ana Clara Vicente, 23, Beatriz Gava, 20, e o arquiteto Vanderlúcio de Paula, 33, gostam de aproveitar até o fim – que geralmente inclui ir de um lugar para o outro durante a madrugada em busca de locais abertos para diversão.
Segundo Ana Clara, o “after” de preferência precisa ter uma sinuca para a diversão.
Já para Beatriz e Vanderlúcio – que também são amigos de trabalho – a noite começa em barzinhos e acaba em baladas.
“Muitas vezes até emendamos com uma praia durante o dia”, contou Vanderlúcio.
Já a contadora Rayane Elise Loureiro, de 27 anos, não está no pique todo dos amigos e deixa as saídas até tarde para ocasiões especiais.
Até o final
As assistentes de RH Jéssica Nascimento Souza, 25, e Sthefany Santana, 23, e a universitária Samira Dias, 22, preferem sair sem ter hora para chegar em casa.
“Gosto de um pagode, então, se não tiver que trabalhar no dia seguinte, geralmente vou emendando de um lugar para o outro até o outro dia”, contou Jéssica.
Samira também revelou que é da turma que vê o dia nascer se não tiver compromisso no dia seguinte.
O que mudou?
1- Saídas e retorno para casa mais cedo
Para muita gente, a vida noturna tem começado mais cedo e termina antes. Muitas pessoas – especialmente jovens adultos – têm preferido os happy hours estendidos, festas que iniciam no fim da tarde ou eventos com horários definidos. A mudança tem refletido a busca por equilíbrio entre lazer, descanso e rotina no dia seguinte.
2- Bebidas mais leves
Drinques com menor teor alcoólico ou com menos calorias ganham espaço nas pistas e balcões. Combinações com gin, aperol, espumantes, água com gás e ingredientes naturais atendem a um público que quer socializar sem exageros e acordar bem no dia seguinte.
3- Cardápios menos calóricos
O excesso dá lugar à escolha consciente. Petiscos mais leves, opções vegetarianas, pratos menores e ingredientes frescos aparecem com mais frequência nos cardápios, acompanhando a preocupação com a saúde.
4- Ambientes mais aconchegantes
Baladas deixam de ser apenas espaços para dançar. Sofás, lounges, mesas altas e áreas externas convidam à conversa e à permanência confortável, valorizando a experiência além da música.
5- Cenários instagramáveis
A estética virou parte da diversão – em especial nos últimos anos. Painéis, luzes, cores e cenários pensados para fotos ajudam a divulgar o espaço nas redes sociais e transformam o público em divulgador espontâneo das casas noturnas.
6- Experiência acima do excesso
A proposta deixa de ser “beber muito” e passa a ser viver algo diferente — seja um DJ set temático, uma festa sensorial ou uma curadoria musical específica.
7- Eventos temáticos e horários alternativos
Festas diurnas, brunchs com DJ, sunset parties e eventos aos domingos ganham público e mudam o calendário tradicional da noite.
8- Menos direção, mais planejamento
Nas saídas para a balada ou bares – seja de dia, à tarde ou à noite – a conscientização sobre os perigos da mistura do álcool e direção deve estar sempre “em alta” . Por isso, vale se planejar para usar transporte por aplicativo, caronas e até hospedagens próximas aos eventos.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários