Linha Sul do Metrô do Recife está com portões fechados e sem previsão de retorno
Nesta tarde, CBTU informa que não há previsão de retomada dos serviços após problemas na rede aérea identificados na manhã da quarta-feira
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Atualizada às 16h13

A Linha Sul do Metrô permanece fechada desde a manhã desta quinta-feira (28). A CBTU informou, por volta das 15h45, não haver previsão de retorno dos serviços. Problemas na rede aérea foram identificados ainda na manhã de ontem e segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU-Recife), técnicos estavam trabalhando para colocar o sistema em funcionamento.
A CBTU divulgou que a Linha Sul permanecia sem operação e sem previsão de retorno por volta das 10h30 manhã de hoje, confirmando a informação nesta tarde.
Segundo a assessoria do Metrô do Recife, a Linha Sul (composta por 10 estações: Cajueiro Seco, Prazeres, Monte dos Guararapes, Porta Larga, Aeroporto, Tancredo Neves, Shopping, Antônio Falcão, Imbiribeira, Largo da Paz), transporta diariamente 60 mil pessoas.
Segundo Salvino Gomes, gerente de comunicação do Metrô do Recife, houve na manhã da quarta-feira (27), um rompimento na rede aérea, devido um curto-circuito, nas proximidades das estações Imbiribeira e Monte dos Guararapes.
Ainda de acordo com Salvino, os técnicos trabalharam durante toda a madrugada e devem continuar durante esta quinta-feira. Só após isso, serão realizados testes para saber se o sistema poderá operar normalmente.
REFORÇO NAS LINHAS DE ÔNIBUS
Enquanto a Linha Sul do Metrô estiver sem funcionamento, haverá o reforço em algumas linhas de ônibus com o objetivo de amenizar os impactos dos usuários. São elas: 115 - TI Aeroporto/TI Afogados, 166 - TI Cajueiro Seco (Rua do Sol), 168 - TI Tancredo Neves/Conde da Boa Vista e 185 - TI Cabo.
MINISTRO DIZ QUE METRÔ DO RECIFE TERÁ ADMINISTRAÇÃO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Em entrevista ao programa “Bom Dia Ministro”, da EBC, na quarta-feira (27), o ministro da Casa Civil, Rui Costa, divulgou que em breve haverá transferência do Metrô do Recife (empresa federal) para o estado de Pernambuco. Há também a expectativa que o sistema seja privatizado posteriormente.
“Vamos fazer nas próximas semanas a assinatura dos documentos transferindo (administração do metrô do Recife) para o governo do estado. A nossa prioridade é a população. Todos os empregados terão garantia dos seus empregos, mas a gente não pode prejudicar a população do Grande Recife com um serviço de má qualidade como hoje eles têm", afirmou Rui Costa.
METROVIÁRIOS DIVULGAM NOTA DE REPÚDIO CONTRA RUI COSTA
O Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) divulgou nota de repúdio às declarações do ministro da Casa Civil, Rui Costa, sobre o futuro do metrô do Recife. Em entrevista, o ministro defendeu a transferência do sistema para o governo do Estado, com o objetivo de conceder a operação à iniciativa privada, repetindo modelos já aplicados em outras capitais.
A categoria denuncia que o discurso ignora a realidade enfrentada por trabalhadores e usuários e serve para justificar um projeto de privatização. Para os metroviários, a crise do metrô é resultado de um processo deliberado de sucateamento, provocado pela ausência de investimentos em manutenção e modernização, o que fragilizou o serviço e abriu caminho para a entrega à iniciativa privada.
O sindicato critica ainda a referência ao metrô da Bahia como “modelo de sucesso”, lembrando que lá a privatização trouxe aumento de tarifas, exclusão de trabalhadores e endividamento público.
Segundo o Sindmetro, a promessa de garantia de empregos não se sustenta diante da experiência de outras privatizações, marcadas por cortes, terceirizações e retirada de direitos.
Para os metroviários, a defesa da concessão por parte de um governo eleito com base na valorização dos serviços públicos representa uma contradição. A categoria afirma que não aceitará a privatização da CBTU Recife e manterá mobilização em defesa de um metrô público, estatal e com tarifa zero.
Veja nota na íntegra
O Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) vem a público repudiar veementemente as declarações do ministro da Casa Civil, Rui Costa, sobre o futuro do metrô do Recife. Em entrevista recente, o ministro afirmou que o governo federal pretende transferir o sistema para o governo do Estado, para que este realize a concessão à iniciativa privada, repetindo o modelo adotado na Bahia, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.
As falas do ministro são um verdadeiro ataque à população trabalhadora da Região Metropolitana do Recife e um desrespeito à luta histórica dos metroviários. O discurso apresentado ignora completamente a realidade enfrentada diariamente pelos usuários e pelos trabalhadores, reduzindo um problema complexo a uma solução simplista e perversa: a privatização.
Rui Costa chega ao absurdo de dizer que os recursos já investidos no sistema não correspondem à qualidade do serviço prestado. Essa afirmação, além de distorcida, desconsidera que a degradação do metrô do Recife é fruto do abandono deliberado dos sucessivos governos, que sucatearam o sistema para justificar sua entrega ao setor privado. A responsabilidade pela precarização é do próprio Estado brasileiro, que deixou de investir na manutenção e na modernização necessárias, e não dos trabalhadores que todos os dias garantem que os trens circulem, mesmo diante da falta de condições adequadas.
O ministro ainda apresenta como “modelo de sucesso” a privatização do metrô da Bahia, esquecendo-se de dizer que, naquele caso, o processo trouxe aumento de tarifas, exclusão de trabalhadores e endividamento público. Se esse é o modelo que o governo quer impor a Pernambuco, significa que o povo recifense será duplamente penalizado: pagando mais caro por um serviço que deveria ser público e subsidiado, enquanto empresas privadas lucram às custas da necessidade de transporte da população.
Outro ponto grave é a promessa vazia de “garantia dos empregos”. A experiência em outros estados mostra que esse discurso não passa de retórica: privatizações vêm sempre acompanhadas de cortes, terceirizações e ataques aos direitos da categoria. A fala do ministro tenta maquiar a realidade, mas não engana a classe trabalhadora.
É inadmissível que um governo eleito com base na defesa dos serviços públicos e na luta contra a agenda neoliberal repita a cartilha da direita e trate a privatização como solução mágica. O metrô do Recife não precisa de concessão, precisa de investimento público, gestão eficiente e compromisso político com a população.
O Sindmetro-PE reafirma: não aceitaremos a privatização da CBTU Recife. Seguiremos em mobilização permanente, em defesa de um metrô público, estatal, federal e com tarifa zero para a população. As falas do ministro Rui Costa não nos intimidam, apenas reforçam a certeza de que nossa luta é justa e necessária.
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