A lista de Epstein, parte 2
O caso Epstein e suas conexões políticas: investigação, controvérsias e teorias conspiratórias
Ao assumir o governo, em 2017, Trump nomeou como ministro do Trabalho o promotor federal Alexander Acosta, o mesmo que atuara no processo de 2008 sobre os estupros em Palm Beach. Um ano mais tarde, o Miami Herald denuncia, numa série bem documentada de reportagens, o desempenho de Acosta na negociação de um acordo pelo qual Epstein foi punido com 18 meses de prisão em regime semiaberto, pena irrisória, considerando-se que poderia ser condenado à prisão perpétua por crimes sexuais continuados contra 40 ou mais adolescentes. As reportagens provocam comoção e Acosta acaba renunciando ao cargo de ministro.
Epstein, por sua vez, faz “media training” com Steve Bannon. Os dois tinham ficado amigos anos antes, e fizeram várias viagens juntos às Ilhas Virgens, nas quais, segundo indiscrição da Vanity Fair, havia sempre meninas adolescentes envolvidas.
Em 2019, a corte federal de Nova York avoca-se o processo. Em 6 de julho, Epstein é condenado por complô e tráfico sexual de menores e preso no Centro Correcional Metropolitano de Nova York. Em 23 de julho, é encontrado desacordado, depois de aparente tentativa de suicídio. É colocado em supervisão por seis dias. Em 10 de agosto, Epstein é encontrado morto por enforcamento.
Novas suspeitas de queima de arquivo circulam. De fato, as circunstâncias eram estranhas. As rondas dos guardas haviam sido suspensas e as câmeras do presídio, em manutenção, funcionavam apenas a metade do tempo. O Ministério da Justiça e o FBI são encarregadas das averiguações. O procurador-geral William Barr descobre algumas falhas de segurança no presídio, mas confirma que a causa mortis era mesmo suicídio. Sua credibilidade é contestada, porém, por ser ele filho do diretor da Dalton School, que havia contratado Epstein em 1974.
Em campanha para a reeleição, Trump tuíta que Bill Clinton poderia ser responsável pela morte. O caso repercute internacionalmente. A França abre inquérito para determinar se havia franceses no “escândalo da pedofilia”. Jean-Luc Brunel é preso. Em 2022, se enforca na cela.
Nos EUA , as propriedades de Epstein são vasculhadas, inclusive a da ilha Saint James. São apreendidos mais de 40 computadores, 25 hard disks e pelo menos 70 CDs, de conteúdo presumivelmente pedopornográfico. Parte reduzida do material é publicada, o que basta para mandar Ghislaine Maxwell à prisão.
A essa altura, Trump empenhava-se para consolidar a sua base eleitoral no movimento Maga, em particular na franja conspiracionista Q Anon. Esta acredita que uma cabala secreta de adoradores de Satanás, canibais e pedófilos dirige uma rede mundial de tráfico sexual infantil, que constitui o Estado Profundo. Um dos líderes dessa esquisitice, o advogado Kash Patel, culpa num podcast “os Democratas que no Congresso obstruíram a publicação da lista de Epstein, devido aos nomes nela contidos”.
A juíza Loretta Preska ordena, em dezembro de 2023, a publicação de vários documentos encontrados nas propriedades de Epstein, inclusive uma lista de nomes. A divulgação causa, porém, decepção e revolta dos Maga, que ali não encontram os nomes dos miliardários pedófilos parceiros das estrepolias de Epstein. Para os conspiracionistas, os nomes estariam guardados a sete chaves no arquivo de Joe Biden.
É então que Trump faz, em sua mídia Truth Social, uma promessa solene: se eleito, fará publicar a totalidade do dossiê Epstein, inclusive a famosa lista. E o vice JD Vance retuíta: “Devemos publicar! Publicaremos a lista Epstein!”
(Continua domingo que vem)
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