Polícia de Pernambuco desarticula quadrilha que fraudava indenizações do DPVAT
Policial, médicos, fisioterapeutas e um vereador são suspeitos de participarem do esquema
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A Polícia Civil de Pernambuco divulgou nesta sexta-feira (15) que prendeu integrantes de uma quadrilha especializada em fraudar laudos médicos e relatórios fisioterapêuticos para obter indenizações do seguro DPVAT, aquele que é pago a vítimas de acidentes de trânsito. Entre os presos estão um policial civil, médicos, fisioterapeutas, um vereador com mandato e intermediários. Os nomes dos investigados não foram divulgados.
Foram cumpridos 19 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão em 13 cidades nos estados de Pernambuco, Paraíba e São Paulo. Os suspeitos estão sendo investigados pelos crimes de falsidade ideológica, estelionato, uso de documentos falsos e corrupção passiva e ativa. A justiça determinou ainda a suspensão da atividade de duas empresas, sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros. Todos os mandados foram expedidos pela justiça de Glória do Goitá, na Zona da Mata do estado.
As investigações começaram em 2021, a partir de denuncias sobre o registro exagerado de boletins de acidentes de trânsito em uma mesma delegacia e pelo mesmo agente. Segundo a polícia, a movimentação financeira do grupo com os golpes é de mais de R$ 2 milhões, mas pode ser muito maior, já que há registro de movimentação suspeita desde 2016.
COMO O GRUPO AGIA
Segundo a polícia, o grupo agia principalmente em cidades do interior, identificando vítimas de acidentes de trânsito, geralmente pessoas de baixa renda e pouca instrução. Havia também vítimas de acidentes de trânsito fictícias. Em ambos os casos, era produzido boletins de ocorrência, laudos médicos e outros documentos falsos, ou verdadeiros, mas adulterados, para embasar pedidos de indenização por morte, ferimentos ou sequelas provocadas por acidentes de trânsito, junto às seguradoras que operavam o DPVAT. O esquema era dar entrada no pedido de seguro através de uma empresa de assessoria, para que a seguradora nunca tivesse acesso ao verdadeiro beneficiário.
O seguro obrigatório para veículos, foi extinto no Brasil em 2020, e pagava indenizações em casos de morte, invalidez permanente e reembolso de despesas médicas. O valor máximo da indenização por morte ou invalidez permanente era de R$ 13.500, e o reembolso de despesas médicas podia chegar a R$ 2.700.
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