Alergias que não têm cura afetam 1,6 milhão no Estado
No Brasil, 35% da população tem algum tipo de sensibilidade, que pode ser a animais, medicamentos, ácaros, poeira e alimentos
Medicamentos, alimentos, animais, ácaros e poeira podem ser inofensivos para alguns. Mas para cerca de 1,6 milhão de pessoas no Estado, esses elementos são causadores de coriza, olhos inchados, coceiras, espirros, falta de ar, entre outros.
Esse é o número estimado de pessoas no Espírito Santo que têm algum tipo de alergia. No Brasil, 35% da população tem algum tipo de alergia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, médicos acreditam que, no Espírito Santo, esse percentual pode ser ainda maior, chegando aos 40% da população.
Os médicos explicaram que a alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico às substâncias que, geralmente, não fazem mal para a maioria das pessoas. Elas são chamadas de alergênicas.
As hipersensibilidades mais comuns, como explica o alergista e imunologista José Carlos Perini, são as rinites, a asma, a dermatite atópica, além de alergias a alimentos e medicamentos.
“A dipirona, a aspirina e os anti-inflamatórios são os principais medicamentos que causam alergias e chegam a afetar 10% da população. Para medicamentos, não existem testes alérgicos. O que conta é a história clínica”.
Em relação à rinite, o alergista e imunologista Fabrício Prado Monteiro ressalta que os estudos demonstram que cerca de 20% a 25% da população urbana sofra dessa doença.
“Já em relação à asma, um estudo realizado em diversas regiões do Brasil indica que a prevalência média da doença está entre 10% e 14%. Entretanto, em algumas cidades esse diagnóstico compromete mais de 20% da população infantil, como em Recife, Belém e Porto Alegre”, aponto o médico que também é professor de Medicina da UVV.
Alergias alimentares e a dermatite atópica são mais comuns na infância, porém também podem surgir na vida adulta, afirma a alergista e imunologista Luisa de Paula Arruda, que é membro do Departamento Científico de Alérgenos da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).
“Hipersensibilidade a medicamentos são mais comuns na vida adulta, já que os adultos tomam mais remédios do que as crianças”, acrescenta.
Corantes
Davi Ameixieira, 12, desde pequeno convive com algumas alergias mas, principalmente, a corantes. Temperos industrializados, alimentos com cores fortes como beterraba, uva e frutas cítricas são coisas que fazem mal ao adolescente.
Segundo a mãe dele, a professora Mira Ameixieira, 48, hoje ele já aprendeu o que pode e o que não pode consumir, mas quando era menor passou alguns sufocos por causa das alergias.
“Ele comeu docinho de amendoim em uma festa e a boca inchou na hora. Outra vez bebeu um suco de maracujá, mas logo começou a passar mal. É um desespero! Já tivemos que parar no hospital”, contou.
Sensibilidade até a terceira geração
O alergista e imunologista Fabrício Prado Monteiro explica que as alergias decorrem de uma predisposição genética e hereditária denominada atopia. Ela é uma hipersensibilidade do corpo.
“Os níveis de IgE (anticorpos de alergia) ficam aumentados e dirigidos contra proteínas encontradas no meio ambiente e em alimentos. Não temos cura para as alergias, mas um controle eficaz e adequado a partir de seu diagnóstico estabelecido pelo médico especialista”.
Essa predisposição genética pode passar até a terceira geração, segundo o coordenador técnico do Brasil Sem Alergia, o alergista Marcello Bossois.
Ele explica que a epigenética, que é a estrutura que envolve o gene, tem uma ação moduladora no material genético. “Todas as influências que sofremos na vida modulam nosso material genético, ativando genes bons, se tiver uma vida saudável, ou ativando genes ruins”.
Na alergia, ele explica que, se os pais fumam, por exemplo, têm mais chance de passar ativação dos genes relacionados à asma para seu filho do que o casal que não fuma.
“Uma mãe extremamente alérgica tem possibilidade de passar para seus filhos também e pode ser passado até a terceira geração. Por isso, tem um crescimento exponencial de casos de alergia no mundo inteiro. E a tendência é piorar”, afirma.
A dermatologista Monique Dalapicola lembra ainda que a alergia não tem uma causa definida e é comum que o paciente com hipersensibilidade tenha outros tipos de alergias associadas como rinite, bronquite ou asma. “Então, é muito frequente essa tríade de rinite, bronquite e dermatite atópica”, esclarece a médica.
Comentários