Quadrilhas de Guarapari e Minas brigam pelo tráfico
Em busca de expandir seus pontos de venda de drogas, um grupo de traficantes mineiros aproveita a “estadia” no município para tentar controlar todo o tráfico da região
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Conhecida por suas praias, a cidade de Guarapari tem atraído não só turistas, mas também a criminalidade. Em busca de expandir seus pontos de venda de drogas, um grupo de traficantes mineiros aproveita a “estadia” no município para tentar controlar todo o tráfico da região.
Foi após o sequestro de uma jovem mineira, de 22 anos, na última quarta-feira, que a polícia descobriu que a organização criminosa, vinda de Minas Gerais, tentou, por meio de um confronto armado, assumir o tráfico do Mercado de Peixes, em Guarapari.
“Antes do sequestro, houve confronto entre o grupo de Minas e o grupo que comanda o Mercado de Peixe. Houve um tiroteio, e o grupo de Minas alvejou o carro do grupo dos sequestradores. Descobrimos ainda que era um grupo só que traficava no Mercado de Peixe, mas houve um desentendimento entre eles”, explica o delegado Franco Malini, responsável pelas investigações.
A polícia acredita que o sequestro era para chegar ao namorado da jovem, o traficante de Minas.
“Esse grupo sequestrou a menina que é do grupo mineiro para dar uma resposta e indicar onde os mineiros estavam, mas a Polícia Militar encontrou os sequestradores, e nós da Polícia Civil fomos em busca do grupo dos mineiros”, disse Franco Malini.
Em um apartamento no bairro Kubstichek, o delegado e os investigadores da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari, localizaram o namorado da sequestrada, de 24 anos, e um menor de 17 anos. Na residência, a equipe apreendeu um revólver calibre 38, munições, drogas e rádiocomunicadores.
Durante as investigações, Malini identificou que a quadrilha dos mineiros chegou há um tempo na cidade, e primeiro estava junto com o grupo de Guarapari, e só depois eles entraram em confronto.
O grupo de Minas é investigado, e somente o namorado da sequestrada ficou preso. Os envolvidos no sequestro são três homens, de 20, 27 e 41 anos, que foram autuados em flagrante pelos crimes de sequestro, ameaça, lesão corporal e porte ilegal de arma de fogo, sendo encaminhados ao Centro de Detenção Provisória de Guarapari.
Uma adolescente de 16 anos, também do grupo dos sequestradores, tinha um mandado de busca e apreensão e foi encaminhado ao Ministério Público.
Racha entre grupos dá início aos ataques no município
Os ataques promovidos por dois grupos criminosos em Guarapari, que culminaram no sequestro de uma jovem de 24 anos, namorada de um dos líderes do grupo, foi provocado por um desentendimento entre ambos.
Segundo a Polícia Civil, as duas gangues, sendo a mineira e a capixaba (Mercado de Peixes), criaram uma parceria que foi quebrada, após discussão entre as lideranças, cujo motivo não foi revelado.
Durante as investigações, a equipe da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari identificou que o grupo dos mineiros chegou há um tempo na cidade, e primeiro estava junto com o grupo de Guarapari, e só depois entraram em confronto.
“Eles estavam ali há cerca de dois ou três meses e ligados com os traficantes de Guarapari. Por algum tempo não houve tentativa de tomar o tráfico à força, e não sabemos o que aconteceu entre eles. Houve um racha e o grupo dos mineiros atacou”, explicou.
O delegado disse que descobriu a ligação dos grupos após o sequestro da jovem, que é namorada de um dos integrantes da quadrilha mineira. “É o namorado da sequestrada, temos certeza de que são do mesmo grupo. Com eles encontramos armas e drogas”.
Ação mais enérgica da segurança
Os constantes confrontos armados entre traficantes deixam marcas não só entre eles, mas na sociedade, que muitas vezes fica à mercê da criminalidade e se torna até vítima, como acontecem nos casos de balas perdidas. Mas como frear esse “câncer” que, a cada dia, vem tomando conta de inúmeros bairros do Estado?
Para especialistas ouvidos pela reportagem de A Tribuna, a única forma de criar um “bloqueio” nesses criminosos e reduzir o número de ataques, de vítimas de balas perdidas e principalmente a venda de drogas, é a presença do Estado nos locais mais afetados.
Para o advogado criminalista Leonardo Barbieri, que lida frequentemente com histórias de quem foi vitimizado pela criminalidade, é preciso ter mais policiamento nas regiões dominadas, ao mesmo tempo em que se trabalha a educação dos mais jovens.
“É preciso aumentar a atuação dos governantes, com a elaboração de políticas públicas eficientes e policiamento extensivo a fim de identificar as zonas de maior tensão e trabalhar nesses locais com mais eficiência”, explicou.
E continuou: “ O nível de escolaridade nesses locais precisa aumentar. É preciso investimento e acompanhamento para obrigar o jovem a permanecer na escola e evitar a evasão escolar. Com educação de qualidade eles, não são capturados pelo crime”, afirma o especialista.
Emir Pinho, especialista em segurança pública e privada, julga necessário atingir os meios de financiamento das organizações.
“Como fazer isso? Ações de sequestro de bens, ações de apreensões de drogas, estouro de estruturas, identificação e sequestro de contas bancárias, inclusive de laranjas, tudo ligado à inteligência”.
Saiba Mais
Sequestro
> Após o sequestro de uma jovem em Guarapari, as Polícias Civil e Militar identificaram que um grupo de traficantes de Minas Gerais tentou, através de um confronto armado, assumir um ponto de tráfico de drogas no município.
Motivo
> A jovem sequestrada, de 22 anos, é mineira e fazia parte do grupo de Minas, integrado pelo seu namorado, de 24 anos, e um menor de 17. Ela foi sequestrada porque o grupo de Guarapari queria chegar no namorado dela que alvejou o carro deles.
Confronto
> Antes do confronto entre eles, os traficantes de Minas estavam juntos com os de Guarapari, e era um grupo só. Mas houve um desentendimento entre eles, não revelado para a polícia, e por esse motivo o grupo de Minas tentou tomar o comando.
> A jovem sequestrada foi encontrada, os sequestradores, que eram do grupo do tráfico de Guarapari, foram detidos e o grupo de Minas também.
Análise: Flavio Fabiano, especialista em Segurança Pública
“Onde o Estado não vai, o crime se cria”
As organizações do tráfico de drogas têm, entre seus objetivos, expandir seus territórios. O que leva a tomada de novas áreas. Porém, em muitos casos, é necessária a retirada daqueles que estão com o poder local.
Então, começam as “guerras do tráfico”. As estratégias para dominar são as mesmas: “Dar um ataque nos inimigos”! Matar, sequestrar, impor terror... Onde o Estado não vai, o crime se cria. E, pior, criminosos “estrangeiros”, que acreditam na vulnerabilidade do Poder Público capixaba, já entendem que podem exercer seus domínios aqui.
A solução é o Poder Público exercer o papel de Estado, com educação, segurança, emprego e renda, esporte e cultura, vigilância nas divisas entre estados.
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