Cinco novas espécies de planta descobertas no Estado
Entre as espécies, quatro nasceram em terras capixabas. Biólogos se preocupam com risco de extinção
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Cinco novas espécies botânicas de uma mesma família foram descobertas por biólogos durante o doutorado em Biologia Vegetal no Estado.
Das cinco espécies, quatro delas são nascidas em terras capixabas. O registro foi feito recentemente e algumas são criticamente ameaçadas de extinção por estarem em locais sem proteção legal. Uma delas já até desapareceu do local encontrado, em Nova Venécia.
Os pesquisadores, os biólogos Ana Flávia Alves Versiane, Rosana Romero, Jean Corrêa Fontelas, Renato Goldenberg, Marcelo Reginato, Thuane Bochorny e Lucas Bacci, estão preocupados com a perda de espécies descobertas recentemente.
“Não foi a primeira e não será a última espécie que já nasce morta. É uma nova espécie que já se encontra em risco e faz parte do processo a gente descrever. Em Nova Venécia, uma espécie encontrada no local desapareceu”, disse Bacci.
As novas espécies são da família Melastomataceae, que tem 203 espécies registradas no Espírito Santo, das quais 53 são endêmicas – encontradas somente no Estado.
“A vegetação no Espírito Santo é muito rica em espécies diferentes, e a maioria é muito endêmica, que se desenvolve naquela região restrita. Então fica o apelo para cuidarmos melhor da nossa vegetação”, completa Bacci.
Os biólogos ressaltam que, embora essas plantas sejam objeto de estudos no Brasil há mais de 200 anos, apenas recentemente o Espírito Santo entrou na rota da pesquisa de forma mais intensiva. Dessas 203 espécies, 48 foram descritas neste século.
“Todo o trabalho contribuiu para um maior conhecimento da flora. O Estado tem boa parte da sua flora perdida devido ao desmatamento e, com nosso trabalho, mostramos a importância que a flora do Estado tem para o Brasil. A maioria das espécies foi encontrada fora de unidades de conservação, e isso precisa ser repensado”, exaltou Ana Versiane.
Três das cinco espécies foram descritas em artigo publicado na última terça-feira, 8, na revista Rodriguésia, e as outras duas foram publicadas em novembro, na revista Nordic Journal of Botany.
SAIBA MAIS
Espécies exclusivas e ameaçadas de extinção
- Microlicia caparaoensis é endêmica do Parque Nacional do Caparaó (nos lados capixaba e mineiro).
- Microlicia capixaba e Microlicia misteriosa são endêmicas a um único inselberg, o Alto Misterioso, em São Roque do Canaã. Inselbergs são montanhas cuja formação é predominantemente de afloramentos de rochas.
- Duas espécies de Miconia endêmicas: Miconia quartzicola, coletada em Vargem Alta; e Miconia spiritusanctensis, coletada no Parque do Forno Grande, em Castelo, e arredores.
- Algumas dessas novas espécies já haviam sido coletadas há mais tempo, mas não estavam descritas.
- Miconia spiritusanctensis foi coletada pela primeira vez em 1985, e Microlicia caparaoensis, em 1988, mas não foram identificadas porque nenhum pesquisador anterior soube dar nome a elas, por não saberem os grupos pertencentes.
- Entre as espécies ameaçadas estão Miconia quartzicola, Microlicia capixaba e Microlicia misteriosa.
- Microlicia capixaba e Microlicia misteriosa só ocorrem no Alto Misterioso, Vale do Canaã, na região de Santa Teresa. É um morro isolado, não protegido e com espécies exclusivas: Huberia misteriosa (Melastomataceae), descrita em 2019; Luxemburgia mysteriosa, em 2007; e Begonia mysteriosa, em 2008.
Fonte: Artigos publicados nas revista Rodriguésia e Nordic Journal of Botany.
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