Votação de projeto que proíbe passaporte da vacina termina em confusão na Serra
Projeto com o mesmo teor, que já foi aprovado em Vitória, também está sendo avaliado no município
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A votação de um projeto de lei, que proíbe o "passaporte da vacina", terminou em confusão na Câmara da Serra. Um projeto com o mesmo teor, que foi aprovado em Vitória, está sendo avaliado na Serra.
A discussão, no entanto, não se deu pela proposta em si, mas sim por um desentendimento entre o vereador Anderson Muniz (Podemos), da Serra, e Gilvan da Federal (Patriota), de Vitória. Gilvan esteve na Câmara acompanhado do deputado estadual Capitão Assumção (Patriota), que apresentou um projeto semelhante na Assembleia Legislativa. O projeto segue sendo analisado.
Os vereadores da Serra analisavam o projeto enquanto que, nas galerias, cidadãos da Serra e de outras cidades se manifestavam pela aprovação da proposta. No entanto, como não havia quórum para apreciação do projeto (nem mesmo o autor do Projeto de Lei estava presente por problemas de saúde), a votação foi adiada.
O adiamento causou revolta dos cidadãos e dos políticos presentes (além de Assumção e Gilvan, estiveram no local os vereadores Romulo Lacerda, de Vila Velha, e Lucas Recla, de João Neiva). Ao deixar plenário, Capitão Assumção foi interpelado pelo vereador da Serra, Anderson Muniz, para que ele "ajeitasse a máscara pois ali (Câmara da Serra), não era a 'casa da Mãe Joana'".
Começou ali uma troca de ofensas entre os parlamentares convidados e o vereador da Serra. Anderson, segundo testemunhas, teria chamado os cidadãos da galeria de "doentes" e teria ofendido o parlamentar de Vitória. Gilvan e Rômulo, por sua vez, revidaram.
"Ao que me parece, o vereador Gilvan da Federal está acostumado a ganhar as coisas no grito. Em Vitória, até gritar com mulheres ele grita. Mas aqui na Serra não. Ele veio a Câmara da Serra para tentar influir em uma votação legítima. Foi acolhido e tratado com o respeito que damos a toda e qualquer autoridade. Mas ele abusou deste respeito ao incitar a população contra os vereadores. Não vamos tolerar nenhum arroubo autoritário de quem quer que seja. Temos a nossa independência para legislar", afirmou o vereador Anderson Muniz.
A assessoria do vereador explicou ainda que "todas as medidas cautelares e regimentais estão sendo tomadas".
À reportagem de A Tribuna, Gilvan da Federal se defendeu e afirmou que "ele (Anderson) desrespeitou o povo que estava lá presente". "Não foi inicialmente direto comigo. Primeiro, nós fomos pacificamente apoiar o passaporte sanitário, fomos recebidos pelo presidente da Câmara, conversamos numa boa. Estávamos lá só para apoiar o projeto. Quando o presidente anunciou que ele estava doente e não poderia comparecer e solicitou o adiamento e não teria votação, perdeu o sentido de eu estar ali e simplesmente nos retiramos", afirmou.
"Quando estávamos saindo, o vereador começa a bater na mesa e começa a dizer que "aqui tem lei, esse povo doente tem de calar a boca", se referindo a quem estava nas galerias. Eu parei e disse que esse povo paga o nosso salário e que ele não poderia agir dessa forma. Ele me disse que eu só grito com mulher, que eu sou agressor de mulheres", completou.
O parlamentar de Vitória afirmou que "não foi com intenção de confusão, mas sim como convidado", mas que agora irá avaliar com a equipe jurídica o que fazer. "Discordo de tudo que ele falou, mas entendo que por conta da imunidade parlamentar ele pode falar. Ele foi muito desrespeitoso com o povo que estava lá e com um parlamentar que estava pacificamente", disse Gilvan.
Procurada, a assessoria da Câmara informou que o presidente da Casa, Rodrigo Caldeira (PRTB), pediu uma análise da situação à procuradoria interna da Câmara. Segundo a assessoria, para Caldeira, foi o vereador Gilvan quem faltou com respeito ao vereador Anderson Muniz, já que o mesmo poderia ter saído do recinto sem discutir.
O caso também está sendo analisado pelo Podemos, partido de Anderson, e pela procuradoria do Legislativo Municipal.
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