Cirurgia inédita no coração traz alívio para aposentada
Nova técnica, chamada de Embolização Septal com Ônix, foi usada pela equipe de Cardiologia Intervencionista do Hospital Santa Rita e Instituto do Coração
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Na lista dos pacientes que foram submetidos a cirurgias e procedimentos inovadores no Estado, consta o nome da aposentada Maria Helena Sciarretta, de 82 anos, moradora de Guarapari.
A nova técnica, chamada de Embolização Septal com Ônix, foi usada pela equipe de Cardiologia Intervencionista do Hospital Santa Rita e Instituto do Coração para tratamento de hipertrofia do coração (espessamento excessivo do músculo do coração).
O coordenador da cardiologia e hemodinâmica do Hospital Santa Rita e Instituto do Coração e professor da Emescam, Renato Serpa, explicou que essa condição se chama cardiomiopatia hipertrófica e é a principal doença genética do coração, relacionada a maior parte de casos de morte súbita em atletas jovens.
Além disso, pode ter sintomas como cansaço, falta de ar, dor no peito e desmaios. “A doença tem o tratamento com medicamentos, mas entre 10 e 15% dos pacientes não respondem ou têm resposta não satisfatória. Por isso, técnica é uma das alternativas.”
O médico frisou que a técnica consiste em “entupir” de forma guiada uma das artérias do coração (que irriga a região espessada) para produzir uma morte das células do local. Para isso, eles usam a substância ônix como se fosse uma “cola” para os vasos. “O objetivo é 'afinar' o músculo naquela região.”
Para o médico, que já se prepara para realizar o procedimento em um segundo paciente, o resultado em Maria Helena foi muito bom.
À reportagem, ela contou que, antes da embolização sentia muita palpitação no coração, cansaço, incômodo ao deitar do lado esquerdo e dificuldade para dormir.
“Se eu andasse 50 metros, ficava ofegante. Busquei ajuda médica e descobriram que meu coração não estava pulsando o sangue e o músculo de dentro do coração tinha crescido. Foi quando o doutor Renato falou dessa cirurgia e eu fui com a cara e coragem e não me arrependo”.
Depois, ela conta que voltou a fazer o que sempre gostou. “Esse procedimento melhorou a minha vida, devolveu a minha qualidade de vida. Eu estava muito desanimada, tinha vontade de ficar quieta e, graças aos avanços da ciência e da equipe médica, pude voltar a fazer o que sempre gostei”.
Maria Helena conta que sempre foi muito ativa. “Agora estou com mais ânimo de fazer as minhas coisas. Eu costuro, faço crochê, pinturas, bordo, mexo com plantas, gosto de ir para a feira, faço pães de queijo... Gosto de estar produzindo e sou feliz assim”.
Menor marca-passo do mundo chega ao Brasil
A empresa americana Medtronic lança o primeiro marca-passo sem os cabos eletrodos, ou seja, sem os condutores que levam o impulso elétrico.
O tamanho do dispositivo impressiona. São apenas 20 mm de comprimento, similar a uma cápsula de vitamina, e é o menor do mundo, pesando menos de 2 gramas.
O maior benefício do dispositivo, batizado de Micra, como promete a empresa, está na performance do equipamento e de como ele preserva o sistema venoso, área responsável por transportar o sangue desoxigenado para o coração.
Isso significa que, além de eliminar o risco de infecção, a área venosa fica conservada para a necessidade de tratamentos futuros, como hemodiálise ou quimioterapia.
Outro destaque é a durabilidade da bateria, de até 12 anos. A maioria dos dispositivos convencionais têm durabilidade de 6 a 8 anos, em média.
Para Carlos Eduardo Duarte, cardiologista especializado em estimulação cardíaca da Beneficência Portuguesa de São Paulo (BP), o dispositivo é uma grande revolução e aguardado há muitos anos.
Segundo ele, o marca-passo é indicado para reverter qualquer diminuição da pulsação cardíaca que põe a vida em risco.
“O ser humano nasce com o ritmo normal de 150 batimentos por minuto. Com o passar dos anos, essa frequência costuma cair. Se chegar a menos de 50 batidas por minuto, pode ser indício de bradicardia e merece atenção. No entanto, nem toda bradicardia necessitará de reversão. É preciso considerar a rotina do paciente, se ele é um atleta ou uma pessoa sedentária, para diagnosticar a necessidade de intervenção”.
Segundo dados do Censo Mundial de Marca-Passos e Desfibriladores, cerca de 300 mil brasileiros utilizam marca-passos no País, o que representa aproximadamente 6 mil no Estado.
ALGUMAS NOVIDADES
Técnica para cálculo renal
A Santa Casa de Misericórdia de Vitória passou a oferecer esta semana, pelo SUS, a Ureterorrenolitotripsia Flexível a laser.
O procedimento urológico é minimamente invasivo e mais eficaz para tratar o cálculo renal. Além de pouco invasivo, permite rápida recuperação do paciente, com alta médica em, aproximadamente, 24 horas após a internação.
Nova cirurgia de próstata
Com o mais avançado padrão de tratamento cirúrgico para o crescimento benigno da próstata, a equipe de urologia do Hospital Santa Rita começou em outubro a realizar o procedimento chamado de Enucleação Endoscópica da Próstata com Laser Holmium (HoLEP). A cirurgia a laser é minimamente invasiva e o paciente tem alta hospitalar em 24h.
Técnica inédita para doença do coração
Chamado de Embolização Septal com Ônix, o procedimento foi usado no Hospital Santa Rita para tratar hipertrofia do coração (espessamento do músculo do coração). A técnica pode ser adotada quando o paciente não responde a outros tratamentos.
Consiste em provocar o entupimento dos vasos de uma área do coração, de forma guiada, para “afinar” a área de músculo que foi hipertrofiada. Dessa forma, a técnica pode provocar uma melhora significativa dos sintomas do paciente, como cansaço e falta de ar.
Cirurgia robótica
A equipe de urologistas da Clínica Urovitória realiza cirurgia robótica para tratar cânceres urológicos. A cirurgia robótica é um refinamento da cirurgia videolaparoscópica, em que um robô auxilia no procedimento. A máquina é comandada totalmente pelo médico, ou seja, reproduz os movimentos do cirurgião, que comanda todo o procedimento em um console próximo à mesa cirúrgica onde está o paciente.
Ao lado do paciente fica o cirurgião auxiliar que introduz e troca as pinças através dos trocartes. Além das mesmas vantagens presentes no procedimento, a cirurgia robótica apresenta menor risco de sangramento.
Pulseiras eletrônicas
Um projeto em andamento é o voltado para o uso de pulseiras eletrônicas por parte dos pacientes internados no Hospital MedSênior.
Com ela, será possível monitorar o paciente em tempo real, identificando onde ele está, se está se movimentando no leito ou até mesmo se está prestes a cair da cama. Isso será possível com uma pulseira que possui dispositivo bluetooth.
Sistema beira-leito
Por meio do uso de uma pulseira de identificação com código de barras ou QR code, o paciente do Hospital MedSênior será identificado e acompanhado durante toda a sua permanência no hospital.
Assim, médicos e demais profissionais de saúde acompanham o dia todo do paciente, envolvendo aspectos como medicamentos administrados, procedimentos realizados e exames de avaliação, entre outros.
Laser israelense
Raro no Estado, um laser israelense chega a Vitória. A tecnologia fornece diretamente a energia ao tecido alvo do tratamento, maximizando suas capacidades de corte.
O cirurgião dentista e mestre em prótese dentária Victor Padilha explicou que é possível fazer uma lista de procedimentos sem dor e sem necessidade de anestesia, como remoção de facetas ou lentes de contato dental, remoção de restaurações antigas sem desgastes, recontorno gengival, corte ósseo minimamente invasivo, preparação para implante, microcirurgia e descontaminação de implante, remoção de cárie, entre outros.
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