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Zack Snyder enfim lança sua versão de "Liga da Justiça", com total de quatro horas
Claquete

Zack Snyder enfim lança sua versão de "Liga da Justiça", com total de quatro horas

Martha. Tudo em "Batman vs Superman: A Origem da Justiça" pareceu se resumir a esse nome, compartilhado pelas mães dos heróis que batizam o filme. Em meio a uma catarse de porrada, os dois decidem se entender após descobrirem a coincidência. A solução para as duas horas e meia de trama não agradou ao público e à crítica, mas nem por isso impediu que o diretor Zack Snyder seguisse em frente com seus planos para um universo da DC Comics nos cinemas.

No ano seguinte, veio "Liga da Justiça", que deveria ser a cereja do bolo heroico. Mas a rejeição de "Batman vs Superman" e a consequente disputa de bastidores entre o cineasta e a Warner culminaram no afastamento de Snyder -também por causa da trágica morte de sua filha em paralelo às gravações- e numa versão do novo longa igualmente execrada, agora sob a batuta de Joss Whedon.

Quatro anos depois do fiasco, o supergrupo de heróis ganha uma nova chance com o lançamento de "Liga da Justiça de Zack Snyder", versão do filme como foi concebido por seu primeiro diretor, com surpreendentes quatro horas de duração. No Brasil, o longa estreia nas plataformas de aluguel nesta quinta.

A premissa do novo "Liga da Justiça" segue a mesma. Batman decide se unir à Mulher-Maravilha para montar uma equipe de superpoderosos que inclui Aquaman, Ciborgue e Flash. Dessa vez, cenas que haviam sido deletadas ou regravadas em 2017 foram mantidas, bem como o tom mais sombrio que se tornou assinatura do chamado Universo Estendido DC, mesmo que haja um esforço para mudar isso hoje –cortesia da Marvel, que com o perfil familiar e bem-humorado nos cinemas já cruzou a barreira dos 2 bilhões nas bilheterias.

Aparelho de TV (Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil)Aparelho de TV (Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil)

Assim como a Warner, Snyder parece querer se afastar do rótulo sombrio que o ronda. Em conversa por videoconferência, ele reconhece que muita gente associa seu trabalho ao termo, mas insiste que suas visões para Batman e Super-Homem não são tão pesadas assim. O tom, de acordo com inúmeras fontes ouvidas à época da saída do diretor de "Liga da Justiça", foi motivo até para o estúdio apontar executivos que, na prática, fiscalizavam e sugeriam alívios cômicos no set de filmagem.

Mais autoral, este "Liga da Justiça" burlou a fiscalização. Snyder decidiu, no novo corte, adicionar personagens secundários inéditos, mudar as histórias de vida de alguns heróis e até imaginar um final diferente para a história. "É um filme que toma tempo para se importar o suficiente com seus personagens", explica o diretor.

Deve ser o bastante para aplacar a fome dos fãs, diz ele. Afinal, são eles os grandes responsáveis por garantirem o lançamento da nova versão. Ganhando tração nas polêmicas que começaram a se apossar do "Liga da Justiça" de 2017, com Joss Whedon sendo acusado de comportamento abusivo no set e um processo investigativo por má conduta aberto pela Warner, o público da DC criou o movimento #ReleaseTheSnyderCut.

Com ele, pediam o lançamento da versão de Snyder para o longa. O protesto extrapolou as redes sociais, com vaquinhas que resultaram até mesmo num anúncio gigantesco em um painel da Times Square, em Nova York. Com a pressão -e vendo ali uma grande oportunidade de bombar sua jovem plataforma de streaming-, a Warner decidiu liberar o material no HBO Max, nos países onde o serviço está presente.

"Foi incrível receber esse apoio, porque é o apoio à visão de um artista", diz Snyder, sugerindo que o primeiro "Liga da Justiça" foi pensado de forma comercial, embora até nisso tenha falhado, com US$ 657 milhões arrecadados diante de um orçamento estimado em US$ 300 milhões, sem considerar os gordos gastos com publicidade.

Do lado da crítica, o "Snyder Cut" vem agradando. No agregador de notas online Rotten Tomatoes, a versão tem 76% de aprovação, contra as 40% do "Liga da Justiça" de 2017. É um número mais do que satisfatório para a DC, que só passou da marca de 70% com seu universo estendido em três ocasiões.

Originalmente arquiteto do universo cinematográfico da DC Comics, Snyder agora busca outros caminhos depois de tanto desgaste e suor. O diretor por trás de "300" e "Madrugada dos Mortos" lança ainda este ano outra trama zumbi, "Army of the Dead: Invasão em Las Vegas", na Netflix, e também trabalha numa adaptação de "A Nascente", livro de Ayn Rand, que provavelmente vai passar longe da ostentação do ricaço Bruce Wayne.


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