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Trump defende adiamento das eleições presidenciais nos EUA

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Internacional

Trump defende adiamento das eleições presidenciais nos EUA


Pressionado por números que mostram sua popularidade em queda e a economia americana em colapso em meio à pandemia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta quinta-feira (30) o adiamento das eleições marcadas para novembro.

Em uma publicação no Twitter, o líder republicano afirmou, sem apresentar provas, que a votação universal pelos correios poderia fazer do pleito "a eleição mais imprecisa e fraudulenta da história" e um "grande embaraço para os EUA".

Ele sugeriu um adiamento para que as pessoas possam votar "de maneira adequada, segura e protegida", mas a retórica soa como uma nova escalada da vacina produzida por quem sabe que está em situação eleitoral bastante difícil.

Trump está atrás de seu adversário, o democrata Joe Biden, em todos os levantamentos nacionais e em estados-chave para a disputa à Casa Branca, e cria uma série de narrativas para tentar reverter o cenário diante da insatisfação dos americanos com sua condução da crise.

A declaração do republicano sobre o adiamento das eleições se deu minutos depois de serem divulgados dados que mostram que a economia dos EUA contraiu 9,5% no segundo trimestre, ou 32,9% em termos anualizados, no ritmo mais acentuado desde a Grande Depressão.

Até o surgimento do coronavírus, o discurso econômico era o principal trunfo à reeleição de Trump, que ecoava os bons índices que o país mantinha. Sem esse recurso, o presidente agora tateia a melhor estratégia para virar o jogo e desenvolveu investidas contra o voto por correio, que pode ser uma opção determinante nas eleições em meio à pandemia que já matou mais de 150 mil pessoas nos EUA.

O posicionamento destoa da postura do presidente diante da crise até aqui. Em várias ocasiões, Trump minimizou a gravidade da Covid-19, deu conselhos que contrariam orientações médicas e entrou em conflito com os próprios assessores sobre a melhor forma de responder à crise sanitária.

Ele defende a volta dos estudantes às escolas, em setembro, por exemplo, o que contradiz seu argumento de que, em novembro, eleitores não poderiam ir às urnas de forma segura.

De acordo com levantamento do jornal The Washington Post, Trump atacou 70 vezes, desde o fim de março, o voto por correio, sempre em entrevistas, discursos ou em suas redes sociais -17 delas somente este mês, quando os EUA assistiram a novos surtos do vírus em pelo menos 43 dos 50 estados.

Em estados-chave, como Flórida, Carolina do Norte e Pensilvânia, democratas têm superado republicanos na solicitação de cédulas por correio e podem sair em vantagem frente às regras de distanciamento social -e o medo do coronavírus- no dia da eleição.

Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, isso tem preocupado aliados do presidente que temem que a pandemia impeça um número alto de eleitores de irem pessoalmente às urnas em 3 de novembro, principalmente os que têm mais de 65 anos ou vivem em áreas rurais, parcela importante da base de Trump.

A insinuação do presidente sobre o adiamento da eleição provocou reações entre democratas e republicanos e uniu especialistas no consenso de que a Casa Branca não tem o poder para mudar a data do pleito.

"O dia da eleição é e será em 3 de novembro de 2020", disse o republicano Ari Fleischer, ex-secretário de imprensa de George W. Bush. "Senhor presidente, por favor, nem finja mexer com isso. É uma ideia prejudicial."

"Donald Trump está apavorado", tuitou a senadora democrata Kamala Harris, um dos nomes mais fortes para compor a chapa democrata com Biden. "Ele sabe que ele vai perder para Joe Biden. Isso exigirá que cada um de nós faça isso acontecer. Nos vemos nas urnas em 3 de novembro, Trump."

O porta-voz da campanha de Trump, Hogan Gidley, disse em comunicado que o presidente estava apenas "levantando uma questão sobre o caos que os democratas criaram com sua insistência em todas as votações por correio".

O avanço vigoroso da Covid-19 nos EUA fez com que pelo menos 14 estados americanos postergassem suas eleições primárias, levantando especulações sobre a possibilidade de adiamento da eleição geral no país, marcada para 3 de novembro.

Especialistas, no entanto, afirmam que a alteração da data é improvável e que o presidente, ainda que quisesse, não tem o poder de fazer qualquer modificação no calendário eleitoral por ordem executiva.

A data da eleição geral nos EUA é definida por uma lei federal desde 1845. Para alterá-la, seria preciso um processo complexo, com acordo bipartidário -entre democratas e republicanos- no Congresso, o aval do presidente e, por fim, a decisão ainda estaria sujeita a contestações na Justiça.

O próprio Trump já votou pelo correio neste ano. Durante as eleições primárias do Partido Republicano na Flórida, o presidente escolheu a si mesmo para tentar um novo mandato na Casa Branca.

Na ocasião, em março, o coronavírus não havia atingido em cheio os EUA e Trump ainda não investia de forma tão agressiva contra a opção de voto a distância que se tornou determinante na pandemia.

Nos EUA, o voto não é obrigatório, e o eleitor pode escolher seu candidato de três maneiras: a mais tradicional é ir à urna no dia da eleição, mas há também como votar pessoalmente de forma antecipada ou fazer o voto por correio, que precisa ser solicitado com antecedência.

Em maio, o Twitter classificou como falsas duas publicações do presidente em que ele afirmava que votações por correio comprometem a validade de uma eleição.

Colocar em dúvida a integridade do pleito é uma forma de tentar barrar a alternativa que pode dar vantagem aos opositores de Trump.

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que o republicano está errado nas duas concepções: o voto por correio não é passível de fraudes significativas e não beneficia nenhum partido político.

A três meses da eleição, ainda é difícil prever o impacto da pandemia nos estados em novembro e como o voto por correio pode influenciar na participação de eleitores dos dois partidos.

A certeza por enquanto é que, em razão da logística, o sistema pode atrasar a apuração, o que significa que, na noite de 3 de novembro, não seja possível saber quem foi eleito presidente dos EUA.


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