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Treino do espelho que muda vida

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Treino do espelho que muda vida


Para o músico capixaba Roberto Menescal, a tristeza é uma âncora. Um peso que pode impedir que sua embarcação, como aquela do clássico “O Barquinho”, composto há 60 anos com Ronaldo Bôscoli (1928-1994), navegue nas correntes da felicidade.

E, assim como um marinheiro que se preza tem seus truques, Menescal, que completou 83 anos no mês passado, possui artimanhas para espantar o baixo-astral e começar o dia na maior alegria.

“É um treino que faço ao acordar pela manhã, ao olhar no espelho... Primeira coisa que eu digo para mim mesmo: 'Como é que é, cara?! Vamos lá!'”, revela, ao AT2, um dos ícones da bossa nova.

“Faço esses exercícios desde que tinha 17 anos e fui mudando. Desde então, sou uma outra pessoa”, complementa Menescal, que mesmo diante da pandemia do coronavírus não deixa a peteca cair.

Roberto Menescal: "Eu tenho saudade do futuro. O futuro que vai trazer coisas novas. E eu não planejo praticamente nada". (Foto: Jhow Lourenço/Divulgação)
Roberto Menescal: "Eu tenho saudade do futuro. O futuro que vai trazer coisas novas. E eu não planejo praticamente nada". (Foto: Jhow Lourenço/Divulgação)

Prova disso são os vários projetos em que tem se envolvido. “Nunca trabalhei tanto!”, afirma.

Uma dessas empreitadas é com o cantor e compositor Márcio Moreira. Juntos, eles dividem o vocal no single “As Cores das Flores”.

Outra parceria foi durante o Dia das Crianças com a nora Georgeana Bonow, a Tia Gê, e a neta Majú. “A minha neta é uma coisa fora da linha: canta, dança... faz tudo!”, derrete-se o avô, que aproveita para compartilhar outra dica. “Não planejo praticamente nada. As coisas vão acontecendo”.

“Não tenho saudade de passado”

AT2 Completou 83 anos de vida em outubro. Qual o segredo para estar tão ativo e sempre alto-astral?

Roberto Menescal Eu descobri aos poucos... Primeiro, falando da minha terra. Nasci em Vitória. Até os 17 anos, eu passei todas as minhas férias na cidade. Chegava cheio de alegria, e minha tia sempre estava “mais ou menos”...  Todo ano, até 17 anos, era um negócio de não estar tudo bem... E não tinha doença, nada. Era um espírito muito pra baixo. Aquilo foi me levando a achar que eu seria assim também. Até que, um dia, eu disse que não seria, que daria uma volta nisso. 

Comecei a fazer um treino de acordar e se olhar no espelho... Primeira coisa que eu digo para mim mesmo: “Como é que é, cara?! Vamo lá!”. E fui mudando. Virei uma outra pessoa. Faço esses treinos desde os 17 anos.

Há várias biografias suas já escritas. Tem vontade de escrever as suas próprias memórias?

Não. Eu tenho um negócio que é: tudo o que passou foi ótimo! Foi maravilha! Não posso reclamar de nada. Mas passou! Não quero ficar atado, como alguns amigos meus e alguns até parceiros, ao passado. Os caras vivem de passado.

Eu não tenho saudade de passado. Eu tenho saudade do futuro. O futuro que vai trazer coisas novas. E eu não planejo praticamente nada. As coisas vão acontecendo.

Não tem vontade nem de escrever sobre o período que foi diretor artístico da Polygram?

Esse livro da Polygram é perigoso! (Risos) Mas não faria... Para escrever isso, teria que contar coisas ruins sobre artistas. Então, não farei.

É um ícone da bossa nova, mas nunca gostou muito de cantar. Agora resolveu realmente soltar a voz?

Me obrigaram! (Risos) Evito isso a vida inteira! Mas o pedido do Márcio Moreira foi muito legal. Ele pediu para que eu cantasse. Eu fiz. Achei que ficou até direitinho! (Risos) 

Mas por que evita cantar?

Não é meu negócio. Não tenho controle bom da voz como os cantores bons têm. Não sou um cantor. A primeira vez que cantei foi em 1962. Foi uma coisa muito marcante... Fui obrigado a cantar no Carnegie Hall, em Nova Iorque. Ia fazer meu número com Sérgio Mendes. O produtor disse para eu cantar. Estreei no Carnegie Hall! É uma coisa inédita no mundo. 

Creio que deu certo. Fiquei muito traumatizado. Fui ouvir o registro dessa apresentação cerca de 10 ou 12 anos depois, sem querer, na casa de uma pessoa. 

Como se deu essa parceria com o Márcio Moreira?

Fizemos um projeto, no final do ano passado, chamado “Cazuza em Bossa”, com a Leila Pinheiro e Rodrigo Santos. Só nós três. Eles gostaram muito e gravamos o som e a imagem. O Márcio foi muito legal. Eu não o conhecia. Ele foi atencioso. Com o tempo, ele falou, discretamente: “Olha, eu faço umas letrinhas. Posso te mandar uma?”. E me mandou as “Cores das Flores”.

Em 15 minutos, eu fiz a música, sem ele saber. Mandei para ele e ele ficou entusiasmado. Um pouco mais adiante, ele me pediu para gravar o violão. Mais tarde, ele disse: “E, se eu gravar com você, a gente podia fazer um vídeo disso na sua casa?”.

E a partir de agora, como será a relação de vocês?

A gente se fala muito, porque ele também segue fazendo a divulgação do projeto do Cazuza. Gravamos 22 músicas, mas vão ser lançadas aos poucos.

E como tem sido esses últimos meses para você?

Quando comecei a pandemia, eu pensei que ia organizar os meus armários e essas coisas. Resultado: não consegui arrumar um armário! Eu nunca trabalhei tanto na minha vida! Fiz um projeto do show do Rio Montreux Jazz Festival. Gravei todo aqui em casa, no Rio, com o Marcos Valle. Na apresentação, nós procuramos evitar as músicas mais conhecidas.


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