search
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

“Sofagate”, a gafe diplomática
Claudia Matarazzo
Claudia Matarazzo

Claudia Matarazzo


“Sofagate”, a gafe diplomática

O vídeo correu o mundo: políticos, feministas, cerimonialistas e mulheres de todo o planeta o analisaram com diferentes interpretações. Nele, um encontro entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula van der Leyen, o presidente da Turquia, Recep Erdogan, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que abordou temas delicados – como políticas de imigração – resultou em um grande fiasco diplomático.

A sequência mostra as três autoridades entrando no salão onde se daria a conversa.

Contra a parede, como de praxe, poltronas posicionadas à frente das bandeiras da Turquia e da Comunidade Europeia – como manda o protocolo.

Detalhe: Ursula van der Leyen é superior ao colega na hierarquia e, portanto, caberia a ela a precedência de sentar-se à direita do presidente Erdogan. Não aconteceu. E, até aí, poderíamos culpar o cerimonial por indicar erroneamente os lugares.

O problema é que, não apenas o colega Charles Michel não se levantou, como, nos cinco segundos em que ela parou ao centro e emitiu um “ahnnn” em tom de dúvida, os dois homens continuaram a ação como se ela fosse invisível.

Ursula sentou-se em um sofá a, pelo menos, três metros de onde estavam as cadeiras de honra – lugar reservado a assessores menores e acompanhantes, em uma maneira de diferenciá-los das altas autoridades nas cadeiras centrais.

Mico total – Eu, no lugar dela, teria ficado em pé – de preferência, no cangote dos dois mal-educados – durante todo o encontro. E não... não é mimimi e, sim, reconhecer a hierarquia e a importância da pessoa em um ambiente onde hierarquia e importância são só o que conta.

Aula 1 – Em encontros como esse, há equipes que representam cada um dos participantes. Nessas equipes, há pelo menos uma pessoa do cerimonial – para perguntar onde vai sentar seu/sua chefe, em que momento fala, horário e local de chegada etc.

Erra quem acha que não precisa, e paga mico.

Aula 2 – Em encontros assim, há o que é previsível (o roteiro protocolar) e o imprevisível, que depende do “estilo” do anfitrião, das dependências e configuração do local do encontro, do tempo que terão juntos e dos demais participantes.

E, para minimizar esses fatores, é que o cerimonial de cada um conversa, avalia, e alinha cada minuto – para evitar micos. Que, ainda assim, acontecem.

Aula 3 – Qualquer político minimamente versado em diplomacia e bom trato percebe uma falha desse calibre e, rapidamente, chama o cerimonial (mesmo em meio à cerimônia) e pede providências. É melhor do que passar recibo de ogro.

Ora, várias e várias vezes, quando chefe do cerimonial, fui chamada pelo então governador José Serra para providenciar mais uma cadeira para alguém que chegara atrasado e cuja estatura exigia que estivesse no palco.

Trata-se de sensibilidade e empatia pura e simples.

Em tempo: Recebi Recep Erdogan em 2010 em São Paulo. De todos os chefes de Estado, reis, o imperador Naruhito e, até mesmo, o papa Bento XVI, ele foi, de longe, o mais desagradável que tive o desprazer de conhecer. Ursula não está sozinha.

Conteúdo exclusivo para assinantes!

Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

Matérias exclusivas, infográficos, colunas especiais e muito mais, produzido especialmente pra quem é assinante.

Apenas R$ 9,90/mês
Assinar agora
esqueceu a senha?

últimas dessa coluna


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Pamonha e paçoca com requinte

É um engano achar que nossa culinária fica a dever a qualquer uma do mundo porque não fica. Em variedade, riqueza de ingredientes, sabor e tradição, nossa gastronomia bota no chinelo quase todas do …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

A idade da pessoa é um encanto

Atenção, leitor: se você é homem pode achar esse papo uma bobagem. Já, se é mulher, com mais de 40 anos, vai entender do que estou falando – e quem sabe se identificar. Há mais de 10 anos, …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Presentes do Dia dos Namorados

Nunca gostei de Dia dos Namorados pelos mais variados motivos. Quando jovem, dizia que a data era “comercial”, até arrumar um namorado que me paparicava e preparava surpresas incríveis e nada …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Sabotagem ou autossabotagem?

Só mesmo a autossabotagem para explicar a enxurrada de sentimentos contraditórios que vem nos afligindo nessa pandemia. Ok, o momento é delicado, estamos todos fartos de notícias ruins, mas nada …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Ressignificando passado, presente e futuro

Vira e mexe vejo alguma frase nas redes sociais que me chama a atenção – e anoto para refletir, compartilhar e, muitas vezes, questionar. Durante a pandemia, chama a atenção o quanto a reflexão/preoc…


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Novo olhar para receber em casa

É fato: depois da pandemia, receber em casa, estar com amigos, ir a um evento ou ter um simples encontro na rua já adquiriu outro significado. O que mudou no comportamento das pessoas? Muita coisa. …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Dicas para acertar no currículo!

Mandar o currículo não basta, mas ajuda muito se ele estiver no ponto certo de apresentação e com as informações organizadas de forma a chamar a atenção. Como está tudo muito difícil, não custa …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Farofa, farinha ou paçoca?

O título, claro, é uma provocação, uma vez que a farofa é feita com farinha e a farinha é a base de um sem-número de delícias da nossa gastronomia. Já paçoca é uma variação do nome da farofa: no …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Privacidade, um resgate urgente!

Na era dos reality shows e das redes sociais, falar em privacidade é uma ousadia, bem sei. Mas, é necessário. O conceito é bem conhecido dos verdadeiramente elegantes. Pena que, a cada dia, sejam …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Autossabotagem na pandemia

Só mesmo a autossabotagem para explicar a enxurrada de sentimentos contraditórios que vem nos afligindo nesta pandemia. Ok, o momento é delicado, estamos todos fartos de notícias ruins, mas nada – …