search
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

Será que tenho mau hálito?
Doutor João Responde

Será que tenho mau hálito?

Bom dia! Em que posso ajudá-los? Dessa maneira iniciei a consulta daquela senhora, acompanhada pelo engraçado marido. “Doutor, meu esposo anda com brincadeiras sem graça, por causa do meu hálito. Ontem, ele perguntou se eu tinha comido a meia do seu sapato, que havia sido colocada para lavar.”

“Embora eu não sinta que esteja com mau hálito, essa situação está me deixando constrangida.”

Antes de começar a consulta, achei conveniente tirar logo sua dúvida, afirmando que a pessoa com halitose é última que percebe o bafo.

“Pois é – brincou a paciente – Lembra aquela história do marido traído, que não sabe de nada, mas depois descobre que um homem sem chifres é um animal indefeso?”

Bem, na verdade qualquer odor percebido pelo nariz tem um prazo de validade. Tão logo as células olfativas identificam o cheiro, elas se dessensibilizam e os estímulos são atenuados. Por essa razão, acostumamos com os nossos odores.

Durante a consulta, abordei sobre possibilidade da existência de várias doenças que justificariam a presença da halitose.

Enquanto realizava o exame clínico, fiz inúmeras perguntas que acabaram sendo respondidas com outras perguntas, pela paciente:

“Por que o senhor está perguntando se eu fumo, bebo ou tomo ansiolíticos e antidepressivos?”
Porque eles podem produzir halitose, respondi. O álcool e o fumo irritam a língua e a mucosa da boca, enquanto certas drogas secam a cavidade oral, gerando hálito ruim.

“Por que o senhor está indagando se eu tenho diabetes ou alguma doença renal?”

Porque os rins, quando alterados, podem liberar amônia, com seu cheiro característico, através da saliva. Também percebemos os odores dos corpos cetônicos, liberados através dos pulmões, no diabético descompensado.

“Por que o senhor está questionando sobre a presença de amigdalites, otites e sinusites?”
Porque elas fabricam secreções que produzem odores fortes e incômodos.

Finalmente ela inquiriu, com bastante curiosidade, a razão pela qual eu estava interrogando-a sobre seu estado emocional.

Expliquei que pessoas ansiosas liberam adrenalina na corrente sanguínea, diminuindo o fluxo de saliva, produzindo halitose. Basta lembrar que o ser humano costuma “engolir seco” quando se vê numa situação de estresse.

Por outro lado, existe um tipo de mau hálito falso, denominado halitofobia. Nesse caso, o paciente acredita que tenha halitose, embora ninguém que conviva com ele sinta esse odor.

Imediatamente a paciente me advertiu: “Eu acredito que não deva ser esse o meu caso, pois meu marido percebe quando não estou com o hálito bom.”

Eu concordei com ela, afirmando que iria esperar os resultados laboratoriais solicitados. Também sugeri uma reavaliação do neurologista, visando à possibilidade de suspender o uso de antidepressivos e ansiolíticos.

De volta ao consultório, a paciente mostrou-se animada. Os exames deram normais, os medicamentos tranquilizantes haviam sido suspensos e o marido se derramava em sorrisos, satisfeito com o bafo da patroa.

João Evangelista Teixeira Lima é clínico geral e gastroenterologista

Conteúdo exclusivo para assinantes!

Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

Matérias exclusivas, infográficos, colunas especiais e muito mais, produzido especialmente pra quem é assinante.

Apenas R$ 9,90/mês
Assinar agora
esqueceu a senha?

últimas dessa coluna


Exclusivo
Doutor João Responde

Como não enjoar navegando no mar

Minha pergunta é bastante objetiva, expôs um paciente ao entrar no meu consultório: Existe algo que eu possa fazer para evitar o vexame de correr em direção à amurada da embarcação e “deitar cargas …


Exclusivo
Doutor João Responde

Doença como forma de protesto

Quando aquele casal entrou no consultório, eu não imaginava que os sintomas, descritos por ambos, revelavam uma linguagem cifrada para um se queixar do outro. Mal iniciei a consulta do marido, a …


Exclusivo
Doutor João Responde

“Não posso ficar doente, doutor!”

Há mais de três décadas, eu venho observando os olhares aflitos de alguns doentes, quando confrontados com a realidade da doença. Adoecer significa sair da ativa, tendo em vista que “paciente” quer …


Exclusivo
Doutor João Responde

Fadiga pode ser preguiça ou doença

Minha paciente esteve recentemente em outro médico, queixando-se de vários sintomas, tais como, calafrios, irritabilidade, fraqueza, tontura, dor de cabeça e, principalmente, cansaço que persiste o …


Exclusivo
Doutor João Responde

Quando o estresse vira veneno

Brotam preocupações nos semblantes das pessoas que aguardam na recepção daquele hospital. Na sala ao lado, uma mulher grita. De dentro dela, um médico puxa um neném todo sujo e amassado. Após levar …


Exclusivo
Doutor João Responde

Tenho medo de infartar de novo

Vítimas de infarto costumam temer o retorno da doença. É comum esse tipo de paciente confundir seus sintomas, acreditando que dores e desconfortos sejam sinais de um novo ataque cardíaco. Atendi …


Exclusivo
Doutor João Responde

Tenho angústia ou ansiedade?

Acompanhada pelo marido, visivelmente inquieta, a paciente mal sentou e foi logo dizendo: “Doutor, eu ando muito nervosa e tudo me incomoda. Estou tendo dificuldade de dormir e vivo com dor de …


Exclusivo
Doutor João Responde

Causas de hemorroidas

Hemorroidas têm atormentado o homem desde tempos imemoriais, quando este tomou a postura ereta, uma vez que essa enfermidade só é encontrada na espécie humana. Existem referências dessa …


Exclusivo
Doutor João Responde

Doenças podem comprometer o funcionamento da tireoide

A glândula tireoide lembra uma borboleta, com seu corpo esguio agarrando-se à parte inferior da cartilagem tireoidiana, que está sobre a laringe, enquanto as asas, os dois lobos da glândula, estão …


Exclusivo
Doutor João Responde

Muitos gênios da humanidade foram disléxicos

Os primeiros profissionais que se interessaram pelos distúrbios da linguagem foram os oftalmologistas, afirmando não serem os olhos que leem, mas o cérebro. É importante lembrar que o indivíduo …


Olá, !

Esse é o seu primeiro acesso por aqui, então recomendamos que você altere o seu nome de usuário e senha, para sua maior segurança.



Manter dados