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Seis mil jovens vão trabalhar no campo todo ano no Estado

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Economia

Seis mil jovens vão trabalhar no campo todo ano no Estado


Oportunidade de trabalho e interesse em mudar o estilo de vida. Esses dois ingredientes têm sido essenciais para fazer com que 6 mil jovens, todos os anos, deixem as grandes cidades para trabalhar no campo ou em cidades menores, no Espírito Santo.

O número foi calculado por especialistas com base em dados do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para a estimativa, foram consideradas pessoas jovens de 17 a 36 anos.

Um dos pontos que favorecem a ida desse público para o campo é o desenvolvimento tecnológico. “Ele minimiza o esforço físico nas atividades e possibilita a obtenção de mais êxito”, enfatizou Fabrício Gobbo, coordenador de formação profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-ES).

O consultor empresarial Dória Porto ressaltou que é uma questão de oportunidade de trabalho, sem a qual a atração desse público não aconteceria. “O desenvolvimento tecnológico está aumentando a velocidade de melhoria, o que atrai mais mão de obra com maior qualificação”, destacou.

Ele pontuou ainda que muitos saem do campo para estudar ou trabalhar e depois retornam. Mas ponderou que nem todos que fazem essa mudança são qualificados. “Eles também procuram qualidade de vida, conviver mais com a natureza, menos violência, menos trânsito. Neste último ano, a pandemia também influenciou”.

As capixabas empreendedoras e cozinheiras Carolina Gontijo de Carvalho, 36 anos, e Bárbara Machado Rossi, 31, já tiveram experiências em grandes cidades como Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro, mas se encontraram em Patrimônio da Penha, município de Divino de São Lourenço, no Espírito Santo, com pouco mais de 4.500 habitantes.

A articulação direta com o campo foi um dos diferenciais para elas que montaram um restaurante de comida afetiva. “Temos paixão por cozinhar com alimentos frescos, orgânicos. Já tínhamos essa vontade de estar perto do produtor, de trabalhar com os orgânicos colhidos na hora”, salientou Carolina.

E detalhou: “Buscávamos qualidade de vida, contato com a natureza. Uma forma mais leve de viver, de trabalhar. Achamos o lugar encantador para fazer o que mais gostamos”.

Filho resiste, fica e torna café premiado

Luiz Ricardo e o pai, José Luiz Pimenta, que não apoiou sua decisão de permanecer no campo, por considerar “vida na roça muito sofrida”: paixão levou à consagração com o café (Foto: Julio Huber)
Luiz Ricardo e o pai, José Luiz Pimenta, que não apoiou sua decisão de permanecer no campo, por considerar “vida na roça muito sofrida”: paixão levou à consagração com o café (Foto: Julio Huber)

Contra a vontade do pai, José Luiz Pimenta, o jovem Luiz Ricardo Bozzi Pimenta, 20 anos, não se imagina morando e trabalhando fora da zona rural. Técnico em agropecuária, ele resolveu permanecer na propriedade da família, em Venda Nova do Imigrante.

Juntos, eles conseguiram elevar a qualidade do café que foi premiado no Cup of Excellence, que é o principal concurso de qualidade para café do mundo. O evento envolveu 927 amostras. E foi feita prova internacional com provadores fazendo a classificação.

“O café da nossa propriedade ficou em primeiro lugar. Nosso objetivo era fazer o melhor dos melhores e hoje podemos falar que já fizemos”, comemorou. Ele detalhou que o próprio concurso realiza um leilão com os finalistas para a venda do café e que cada saca foi vendida por uma média de R$26 mil.

Luiz contou que não teve o apoio inicial da família para permanecer no campo. “Eles queriam que eu e meus irmãos não trabalhássemos diretamente com a roça porque é uma vida sofrida. A gente criou uma paixão muito grande pelo meio, de forma a acreditar que dá para viver da agricultura familiar sem passar dificuldade financeira”, contou.

Ele destacou que seus atrativos são os desafios diários. “A gente trabalha com cafés especiais e não tem receita mágica. Ele faz com que a gente se adapte a cada dia. A gente tem uma visão mais humana de tudo e trouxe um olhar mais sustentável para a propriedade”, ponderou. Hoje, ele já pensa sobre qual será o próximo objetivo.

Saiba mais

Cálculo

  • O número de jovens que estão deixando as grandes cidades para trabalhar no campo ou em cidades menores foi estimado de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o cálculo foram considerados jovens aqueles de 17 a 36 anos de idade.
  • Em 2017, 8,8% da população do Espírito Santo vivia no campo. O que significa 357.258 habitantes, conforme o Censo Agropecuário. A estimativa é de que em 2020, esse percentual tenha subido para 10%, com cerca de 410 mil habitantes no campo. Um saldo de 53 mil habitantes a mais em quatro anos, sendo 60% deles são jovens. Ou seja, seis mil jovens vão viver no campo por ano.

Atratividade

Vários fatores atraem jovens para o campo, entre eles:

  • Desenvolvimento tecnológico: faz com que atividades que antes eram mais sofridas se tornem mais leves e atrai mão de obra qualificada.
  • Qualidade de vida: a vida nos grandes centros urbanos envolve uma série de fatores estressantes, com trânsito, violência, poluição do ar, poluição visual, barulho. O que muitas vezes tem consequências sobre a saúde. E o campo é uma alternativa para fugir disso.
  • Natureza: estar mais próximo da natureza é outra motivação.
Fonte: Senar, Dória Porto e IBGE.

Agronegócio prevê mais contratações este ano

Mesmo com a pandemia, o agronegócio não parou. E com o aumento da produção e o incremento de novas tecnologias, existe uma perspectiva no mercado para a contratação de novos profissionais.

A economista e professora da Fucape Arilda Teixeira destacou que para o agronegócio de uma forma geral, as perspectivas são positivas, com previsão de exportação elevada e contínua.

Segundo ela, a parte que cabe ao Espírito Santo vai beneficiar os produtores, criar emprego, renda, receita tributária. Ela destacou que a participação do Estado é pequena em relação ao Brasil, mas significativa internamente.

“O Espírito Santo está chamando muito a atenção de outros estados do Brasil e do exterior pela qualidade da gestão pública que está desempenhando. Isso tanto em âmbito estadual quanto municipal. Esse fato pode atrair investimentos para o Estado. Sinaliza que é um mercado previsível, rentável e bom de trabalhar”.

Fabrício Gobbo, coordenador de formação profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-ES) enfatizou que “para jovens com boas ideias, o agronegócio ainda tem muito espaço para contratações”.

No Banco de Oportunidades do Senar há vagas para tratorista, auxiliar administrativo, pessoas que trabalham na colheita, entre outras.

Luiz Felipe Sardinha, gerente de competitividade e produtividade Sebrae-ES destacou que barreiras como o acesso à internet estão sendo superadas no campo. E que as vagas que vão surgir no segmento este ano estão mais ligadas a inovação, tecnologia, marketing e ao setor comercial. “É a oportunidade de ofertar os produtos para qualquer lugar do mundo”.

Ele destacou que além do jovem que vai trabalhar no campo, também existe aquele que vai para empreender. “Em razão da melhoria de infraestrutura, a informação tem chegado. Não há barreiras mais para que o empreendedor consiga absorver tecnologias e comercializar produtos e serviços”.
Ele lembrou dos cursos de qualificação que são disponibilizados, com opções pagas e gratuitas. “O Sebrae tem feito um movimento constante ofertando uma série de capacitações para preparar os interessados”.

Site oferece banco de oportunidades

Agronegócio

  • É o responsável por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo. De acordo com o governo do Estado, o agronegócio é a atividade econômica mais importante em 80% dos municípios capixabas.

Culturas

  • O Espírito Santo é o maior produtor de café conilon do Brasil, responsável por entre 75% e 78% da produção nacional, de acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). O conilon é principal fonte de renda da maioria das propriedades rurais capixabas em terras quentes.
  • O Estado é o maior exportador do Brasil de mamão papaya. As culturas do abacaxi, maracujá, coco, goiaba e morango também se destacam. Entre os municípios que não vivem do café está Marataízes, no litoral Sul. Lá o famoso abacaxi da massa amarela é a principal fonte de renda.

Empregos

  • Com o campo superando barreiras como do acesso à internet, se descortina uma série de oportunidades de trabalho para mão de obra mais qualificada.
  • Por exemplo, para profissionais de tecnologia de informação, marketing digital e e-commerce que assumem o papel de ajudar o produtor a oferecer seus produtos para além das barreiras geográficas.
  • O sebrae-ES e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) oferecem cursos de qualificação. Mas também há chances para profissionais com menos qualificação, por exemplo, para trabalhar na colheita.

Como encontrar vagas

  • No Banco de Oportunidades do Senar são divulgadas as vagas. Ele pode ser acessado por meio do site: senar-es.org.br/vagas

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