Vacina mais potente contra pneumonia chega ao SUS
Doses são destinadas a crianças de 2 meses até 5 anos incompletos e para portadores de doenças crônicas e condições especiais
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a disponibilizar uma nova vacina, mais potente, para ampliar a proteção contra doenças pneumocócicas, como meningite, infecções na corrente sanguínea e pneumonia.
O novo imunizante (vacina pneumocócica conjugada 20-valente) mais abrangente que a versão utilizada atualmente, protege contra um número maior de sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por milhares de internações anualmente.
“Com a nova vacina, o Ministério da Saúde vai deixar de usar outras três que utilizava contra essas doenças, que ofereciam menos proteção. O objetivo é reduzir o número de quadros graves”, explicou Danielle Grillo, enfermeira e referência técnica do Programa Estadual de Imunizações da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa).
As doses serão destinadas a crianças de 2 meses até 5 anos incompletos, e para portadores de doenças crônicas e condições clínicas especiais.
“A previsão é começar a vacinação das crianças ao longo deste mês. Já o público portador de doenças crônicas e condições clínicas deve solicitar a vacinação na unidade de saúde mais próxima de onde mora, para o pedido ser analisado”, explicou Danielle.
Os imunizantes que estão sendo substituídos são, respectivamente, a vacina pneumocócica conjugada 10-valente, conhecida como Pneumo 10, e as Pneumos 13 e 23.
“Estamos observando aumento da meningite pneumocócica de sorotipos 19A e 3, que não estão presentes na Pneumo 10. Portanto, com a substituição gradual das vacinas, vamos ter um ganho enorme na imunização contra essa cepa da doença”, disse a enfermeira.
Crianças que ainda não receberam imunização contra doenças pneumocócicas terão o esquema vacinal composto por uma dose da Pneumo 20, seguida de uma da Pneumo 10, complementada por um reforço da nova vacina.
Porém, crianças que já começaram a receber a imunização com a Pneumo 10 terão o esquema vacinal analisado para adequação, pontua a médica infectologista Rúbia Miossi.
“A substituição será progressiva para crianças que já começaram a imunização com a vacina Pneumo 10. O esquema vacinal será completado com, pelo menos, uma dose da Pneumo 20, de acordo com a quantidade de doses que ela já tomou. O ideal é que as famílias compareçam à unidade de saúde para análise”, pontuou.
Imunizantes contra dengue e gripe ainda têm baixa adesão
A adesão à vacinação contra gripe e dengue está baixa no Espírito Santo, principalmente entre grupos como idosos, crianças e gestantes, resultando em um percentual de imunização de apenas 38%, no total, em todo o território estadual.
A meta estipulada para cobertura vacinal pelo Ministério da Saúde é de 90%, número muito distante do resultado alcançado no Espírito Santo.
Claudemir Lemos da Silva, enfermeiro de 67 anos, recebeu a imunização contra a gripe há um mês. Ele conta que buscou a vacinação para evitar complicações.
“É importante receber a vacina contra a gripe para evitar complicações do aparelho respiratório e cardiovascular, principalmente para os portadores de doenças crônicas”, contou.
Apenas 40% dos idosos se vacinaram contra a gripe no Espírito Santo.
Em relação à vacina da dengue, a cobertura também está baixa.
Segundo dados do painel da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), apenas 43% do público-alvo, crianças entre 10 e 14 anos, recebeu a primeira dose do imunizante.
“Não deixem de buscar a vacina. A sua saúde é importante para você, toda a sua família e também à sociedade”, sugeriu Claudemir.
Toda a população acima de 6 meses pode se vacinar contra a gripe nas mais de 700 salas de vacinação no Estado, enquanto durarem os estoques dos imunizantes.
Fique por dentro
Nova Imunização
- A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20 ou Pneumo 20) vai substituir a 10-valente, dobrando os sorotipos prevenidos, a partir deste mês, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
- A doença pneumocócica é uma infecção causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo, que pode ocasionar quadros leves, como inflamação no ouvido ou sinusite, ou graves, como pneumonia bacteriana, meningite e sepse.
Riscos e óbitos
- Estima-se que o pneumococo seja responsável por até 50% de todos os casos de meningite bacteriana em crianças. A mortalidade nesses casos é de cerca de 30%.
- Além das crianças pequenas, idosos e indivíduos com comorbidades ou imunossupressão, como diabetes e hipertensão, também são mais vulneráveis.
Prevenção
- As vacinas pneumocócicas conjugadas também evitam que o pneumococo se instale na nasofaringe, impedindo a transmissão e promovendo proteção indireta às pessoas não vacinadas.
Vacinação no SUS
- Bebês devem receber duas doses da vacina pneumocócica, aos 2 e aos 4 meses de idades, com mais uma dose de reforço aos 12 meses.
- Crianças menores de 5 anos que não tenham sido vacinadas na idade correta devem atualizar a carteira de vacinação.
- Pessoas com comorbidades e condições clínicas especiais também podem receber a vacina, basta procurar a unidade básica de saúde mais próxima.
- Mais informações podem ser encontradas pela população no site do Ministério da Saúde: (www.gov.br/saude).
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