Meningite já causou 19 mortes este ano no ES
Foram 91 casos confirmados até o dia 16 de maio, segundo dados informados pela Secretaria de Estado da Saúde
O Espírito Santo registrou apenas neste ano 91 casos confirmados de meningite e 19 mortes pela doença até a Semana Epidemiológica 19, encerrada em 16 de maio, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
No mesmo período do ano passado, foram contabilizados 86 casos e 20 mortes. Ao longo de todo o ano de 2025, foram registrados 293 casos e 62 mortes.
Nas últimas semanas, duas jovens morreram em decorrência da doença: uma delas, de 17 anos, era moradora de Montanha, Norte do Espírito Santo, enquanto a outra, de 22 anos, era de Viana, mas morreu após passar mal durante viagem ao Rio de Janeiro.
Os número, segundo especialistas, acendem um alerta para uma doença que pode evoluir rapidamente e cuja gravidade depende de fatores como o tipo de meningite, o estado imunológico do paciente e a rapidez no diagnóstico e início do tratamento.
De acordo com a neurologista Vanessa Loyola, da Rede Meridional, é importante diferenciar as meningites virais das bacterianas.
“Nem toda meningite é uma meningite gravíssima de alta mortalidade. Todas merecem atenção, mas as meningites virais costumam ser menos graves. Já as meningites bacterianas são as que apresentam maior gravidade”.
Entre as bactérias mais associadas aos casos graves estão o pneumococo, o meningococo e o Haemophilus influenzae – sendo mais infantil.
Segundo a especialista, a meningite meningocócica pode afetar qualquer faixa etária e é considerada uma das mais agressivas, enquanto a meningite pneumocócica é a mais frequente.
Sintomas como dor de cabeça intensa e persistente, febre, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e rigidez na nuca devem ser investigados rapidamente, segundo Vanessa. “Em crianças pequenas temos de estar atentos à irritabilidade, já que não conseguem falar que têm dor de cabeça”.
Mariana Ribeiro Macedo, referência técnica de Vigilância dos Vírus Respiratórios e Meningites do Programa Estadual de Imunizações (PEI) da Sesa-ES, explica que o principal exame para confirmação da doença é a análise do líquido cefalorraquidiano, conhecido como líquor, que permite identificar o tipo de meningite e direcionar o tratamento adequado.
Vacina é a principal forma de prevenção, alerta médica
Embora a meningite possa atingir qualquer faixa etária, quando os dados são analisados proporcionalmente à população, os jovens ainda apresentam risco importante para determinadas formas da doença, destaca Mariana Ribeiro Macedo, referência técnica de Vigilância dos Vírus Respiratórios e Meningites, do Programa Estadual de Imunizações (PEI) da Sesa-ES.
“A principal forma de prevenção continua sendo a vacinação. O SUS oferta vacinas que protegem contra importantes agentes causadores de meningite. Por isso é fundamental manter o calendário vacinal atualizado”.
A neurologista Vanessa Loyola ressalta que as três principais bactérias relacionadas às meningites mais graves são o pneumococo, o meningococo e o Haemophilus influenzae. “E todas possuem vacinas disponíveis pelo SUS”, destaca.
Entre os imunizantes oferecidos estão a Pentavalente, que protege contra o Haemophilus influenzae tipo B; a Pneumocócica 10-valente, que protege contra o pneumococo; e as vacinas meningocócicas C e ACWY, destinadas a diferentes faixas etárias.
Os Números
- 91 casos de meningite até maio deste ano
- 86 casos de janeiro a maio de 2025
Fique por dentro
Meningite no Espírito Santo
Até a Semana Epidemiológica 19 de 2026:
- 91 casos confirmados
- 19 mortes
2025
Até a semana 19:
- 86 casos
- 20 mortes
2025 (ano completo):
- 293 casos
- 62 mortes
Doença
- A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem e protegem o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas e, em alguns casos, evolui rapidamente, colocando a vida em risco. A doença também pode ocorrer por condições não infecciosas.
Transmissão
- As meningites bacterianas e virais são geralmente transmitidas de pessoa para pessoa por contato próximo, por meio de gotículas respiratórias (fala, tosse, espirro). Porém, os agentes causadores da doença também podem ser transmitidos por via fecal-oral ou por meio de água ou alimentos contaminados.
- Importante: algumas pessoas podem ser portadoras de bactérias causadoras de meningite sem apresentar sintomas, mas ainda assim transmitir o agente.
Diferenças
- As meningites virais costumam ser mais leves e apresentam melhor evolução clínica. Já as meningites bacterianas exigem maior atenção, por terem potencial de evolução rápida e maior mortalidade.
Gravidade
- Entre as principais bactérias responsáveis pelos casos mais graves estão o pneumococo, o meningococo e o Haemophilus influenzae tipo B. Todas possuem vacinas disponíveis no SUS.
Sinais de alerta
- Entre os principais sintomas estão febre, dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e rigidez na nuca. Em crianças pequenas, a doença pode se manifestar por irritabilidade intensa.
- Nos casos mais graves, podem surgir sonolência, confusão mental, convulsões, dificuldade respiratória e manchas vermelha ou roxas.
Diagnóstico
- O principal exame utilizado para confirmar a meningite é a análise do líquor, líquido que circula ao redor do cérebro e da medula espinhal. O exame permite identificar se a infecção é causada por vírus ou bactérias.
Complicação
- A maioria das pessoas se recupera completamente da meningite, sem sequelas. No entanto, a doença pode deixar sequelas temporárias ou, em alguns casos, incapacidade para toda a vida. O diagnóstico precoce e a vacinação são fundamentais para reduzir esses riscos.
Vacinação
A vacinação é a principal estratégia para prevenir casos graves e mortes por meningite. O SUS disponibiliza imunizantes contra os principais agentes causadores das meningites bacterianas.
- BCG: protege contra formas graves da tuberculose, incluindo meningite.
- Pneumocócica: previne doenças invasivas, incluindo meningite.
- Penta: protege contra Haemophilus influenzae tipo b.
- Meningocócica C: protege contra o meningococo sorogrupo C.
- Meningocócica ACWY: protege contra o meningococo dos sorogrupos A, C, W e Y.
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