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"Um momento muito emocionante", diz mãe após engenheiro capixaba sair do coma

| 05/02/2020 09:41 h | Atualizado em 05/02/2020, 15:39

Um alívio. É dessa forma que Maria Laura Teles Ribeiro, de 61 anos, mãe do engenheiro metalúrgico Luiz Felippe Ribeiro, de 37, se sente com a melhora do filho.

O capixaba, que está internado em estado grave desde o último dia 27 de dezembro, em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) saiu do coma. Luiz Felippe, porém, não tem previsão de ter alta.

Maria Laura e Luiz Felippe.
Maria Laura e Luiz Felippe. |  Foto: Reprodução/Facebook

O capixaba teve paralisia da face, pernas e braços, após ingerir a cerveja Belorizontina, produzida pela cervejaria mineira Backer.

O engenheiro estava em coma, desde que chegou ao hospital, após os primeiros sintomas da intoxicação: dores abdominais, insuficiência renal aguda, náuseas e diarreia. O sogro de Luiz Felippe, o bancário Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos, morreu por conta do mesmo problema.

O estado de saúde de Luiz Felippe ainda é grave, mas estável. Segundo a mãe, os médicos estão dando esperanças de melhora.

“Ele está fazendo fisioterapia e todo tipo de tratamento está sendo feito para combater a substância”, explicou a mãe do engenheiro capixaba.

A substância a qual ela se refere é o dietilenoglicol, que é tóxico, e é utilizado por suas propriedades anticongelantes. A substância foi identificada em mais de 40 lotes da cerveja produzida pela Backer.

A família comemora que Luiz Felippe está há cinco dias sem precisar fazer hemodiálise, além de ter saído do coma.

“Ele interage todos os dias com os amigos e a família. Como ele está sem movimento algum do pescoço para baixo, só consegue usar a cabeça e o piscar dos olhos para responder”, comentou a mãe.

O engenheiro está sendo tratado em Belo Horizonte (MG), onde mora com a mulher.

“A cura dele virá aos poucos, tendo em vista que a substância é muito agressiva ao corpo. Graças a Deus, o tratamento está bem adiantado. Só por ter saído do coma, estamos aliviados”, disse Maria Laura.

A família e os amigos estão fazendo correntes de orações e contando com a ajuda dos médicos para manter a esperança de uma melhora ainda maior no quadro de Luiz Felippe.

“Um momento muito emocionante”

A mãe, Maria Laura Teles Ribeiro, de 61 anos, se sente aliviada pela recuperação do filho, Luiz Felippe Ribeiro, de 37. O engenheiro capixaba, que mora em Belo Horizonte (MG), estava em coma, quando deu entrada no hospital, por conta da intoxicação por dietilenoglicol, presente nas cervejas produzidas pela Backer.

A Tribuna – Como foi o momento que a senhora recebeu a notícia que o seu filho estava fora do coma? Como se sentiu?

Maria Laura Teles – Foi um momento muito emocionante, de muito alívio. Ficamos bastante surpresos, principalmente, porque foi bem rápido, ao ver dos médicos. Isso nos trouxe muita paz, saber que ele está lutando.

Como ele interage com a família e os amigos? Existe essa posibilidade?
Ele está totalmente parado do pescoço para baixo, e não consegue falar nenhuma palavra. Mas consegue mexer a cabeça e piscar os olhos. Essa foi a maneira que encontramos para conversar com ele. Todos os dias ele interage conosco.

Como os médicos avaliam o processo de recuperação?
Ele estava em coma desde o dia 27 de dezembro, então agora será um processo muito demorado e bem difícil.

Como o estado de saúde dele ainda é grave, ele ainda está sob observação. Mas, para nós, só de ter acordado já faz uma diferença enorme.

Nós rezamos muito, e os médicos nos dão esperança de melhoras para ele. Ele ainda não tem previsão de alta e continua na UTI.

O sogro do Luiz Felippe acabou morrendo por conta desse problema, da intoxicação. Agora que o Luiz acordou do coma, como a família está se sentindo? Ainda há um clima tenso, de perda, ou já é de mais esperança?

Estamos muito melhores agora, e muito mais unidos para a recuperação dele. Agora estamos juntos, todos os familiares e os amigos, em uma corrente de orações para levar energias boas a ele. É nisso que estamos focando. Os médicos e a minha fé são o que me mantêm esperançosa pela recuperação do meu filho.

Que tipo de tratamento o Luiz Felippe está passando agora?
No momento, ele está fazendo todo tipo de tratamento imaginável para tirar a substância do corpo, porque é muito agressiva. Mas eu conto muito com os médicos e com Deus para a melhora dele.

Imagem ilustrativa da imagem "Um momento muito emocionante", diz mãe após engenheiro capixaba sair do coma
Entenda o caso

Contaminação

  • As contaminações nas cervejas produzidas pela Backer, como Belorizontina e Capixaba, começaram a aparecer no final do ano de 2019, quando 10 homens, com idade entre 23 e 76 anos, foram internados em Minas Gerais com os mesmos sintomas.
  • Os sintomas incluem desconforto gastrointestinal, insuficiência renal aguda e alterações neurológicas. Outros apresentam paralisias da face, braços e pernas.
  • Seis pessoas morreram em decorrência da intoxicação por dietilenoglicol, substância encontrada nas cervejas e utilizada por suas propriedades anticongelantes.

Investigações

  • O último boletim de investigação da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou que foram notificados 30 casos suspeitos de intoxicação por dietilenoglicol. Quatro casos foram confirmados e os 26 restantes continuam sob investigação. A Polícia Civil está responsável pela investigação do caso.
  • Até o momento, foram constatados mais de 40 lotes de cerveja que possuem as substâncias dietilenoglicol e monoetilenoglicol em sua composição. As duas são utilizadas para o processo de resfriamento das cervejas.
  • Em decorrência da investigação, a cervejaria Backer foi interditada por tempo indeterminado, e todas as cervejas foram tiradas de circulação, independente de marca ou lote.

Seis mortes confirmadas

  • Das seis mortes confirmadas por suspeita de intoxicação pela cerveja, duas tiveram identidades reveladas.
  • A primeira foi a do bancário Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos, sogro do engenheiro capixaba Luiz Felippe Ribeiro, de 37. A segunda foi o juiz João Roberto Borges, de 74 anos.
  • Luiz felippe ribeiro esteve em coma, desde a data de sua entrada no hospital, 27 de dezembro de 2019. No entanto, o estado de saúde dele ainda é grave, porém estável. A família afirma que ele consegue se comunicar apenas mexendo a cabeça e com o piscar dos olhos.
  • Segundo a mãe de Luiz Felippe, Maria Laura Teles Ribeiro, de 61 anos, os médicos acreditam na recuperação dele, ainda que seja um processo lento e complexo.
  • O capixaba não tem previsão de alta.
Fonte: Governo de MG, pesquisa AT e Maria Laura Teles Ribeiro, mãe de Luiz Felippe.

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