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Sexo sem segurança e abuso de álcool e drogas entre adolescentes

Estudo com pessoas de idades entre 13 e 15 anos acendeu alerta para comportamentos que afetam a saúde física e mental

Francine Spinassé, de A Tribuna | 15/07/2022 14:23 h | Atualizado em 15/07/2022, 14:56

Jovem consume bebida alcoólica
Jovem consume bebida alcoólica |  Foto: Divulgação
 

Uso de álcool e outras drogas mais cedo e mais sexo sem proteção. Uma pesquisa com adolescentes entre 13 e 15 anos acendeu o alerta para o aumento de comportamentos de risco em um período de 10 anos.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE, apontam retrocessos na vida de estudantes do 9º ano do ensino fundamental das redes pública e privada nas capitais.

As informações de 2009 a 2019  apontam que o  percentual de estudantes de Vitória, que já tiveram relações sexuais, passou de 22,3% em 2009, para 27,3% em 2019.

Em contrapartida,  em 10 anos, o percentual de alunos que usaram camisinha na última relação sexual caiu de 65,6% para 46%.

A pesquisa ainda destacou que o percentual de adolescentes que já tinham feito uso de bebida alcoólica passou de  53,3%, em 2012, para 60,5% em 2019. 

Já o número de jovens que já tinham experimentado  drogas ilícitas, passou de  7,9% em 2009 para 16,6% em 2019, ou seja, um crescimento de mais de 100%.

O gerente da pesquisa, Marco Andreazzi, ressaltou que a tendência está decrescente para  meninos das escolas privadas e crescente para meninos de escolas públicas e meninas de ambas as redes.

A  psicóloga especialista em Terapia Cognitiva  Comportamental  na Infância e Adolescência, Lana Francischetto, afirmou que os dados são motivos  de preocupação.

“A adolescência é uma etapa da vida que requer atenção, diálogo e observação, por ser  um momento  em que passamos por alterações fisiológicas, psíquicas e comportamentais importantes”.

O médico psiquiatra Valber Dias enfatizou os  riscos de uso precoce de substâncias como álcool e drogas. “O cérebro está em formação até os 25 a 30 anos. A exposição a substâncias psicoativas na faixa etária, principalmente de forma recorrente, leva à modificações que podem ser permanentes”.

Episódios de agressão e mais casos de bullying

Além de aumento do uso precoce de bebida alcoólica e de drogas, no período de 10 anos também cresceu o número de adolescentes que sofreram humilhações.

Em 2009, na capital, 32,2% dos adolescentes entre 13 e 15 anos afirmaram já ter sofrido bullying. Já em 2019, a taxa passou para 38,7%. 

Investigou-se, ainda, a quantidade de episódios de agressão. Assim, em 2019, 11,4% dos alunos disseram que se envolveram em brigas com luta física  nos últimos 30 dias. 

Quanto aos dados em geral revelados pela pesquisa, o psicólogo e professor do Unesc, Alexandre Brito, frisou que a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente preveem que é dever do Estado, das famílias e da sociedade cuidar e dar prioridade para as  crianças e adolescentes.

“É preciso implementar   políticas públicas,  é preciso que as famílias tenham orientação,  bem como consigam  dar orientação aos  jovens. A sociedade também tem que criar espaços para que crianças e jovens possam se sentir acolhidos em sua singularidade”.


SAIBA MAIS

Pesquisa

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), feita  pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com os Ministérios da Saúde e  da Educação, investiga informações que permitem conhecer  fatores de risco e proteção à saúde dos alunos. 

Na edição, foram feitos comparativos entre 2009 e 2019 de estudantes do 9º ano (13 a 15 anos).

Resultados em Vitória

1) Bebida alcoólica

Já experimentaram bebidas alcoólicas:

2012 53,3%

2015  48,9%

2019 60,5%

- Na rede pública: 64% tomaram, pelo menos, uma dose de álcool em algum momento em 2019.

- Na rede particular: 54,1% já tinham ingerido  bebidas alcoólicas.

- 22,9% dos estudantes tomaram, pelo menos, um copo de bebida nos  30 dias anteriores à pesquisa. 

2) Drogas ilícitas

Experimentação de drogas

2009 7,9%

2019 16,6%

Exposição precoce

- 3,3% dos alunos tinham experimentado drogas ilícitas em 2009 antes dos 13 anos.

- 7,1% dos alunos passou a ser o percentual de uso precoce 10 anos depois (2019).

- 110% foi o aumento da exposição precoce a drogas.

3) Cigarro

- 20% dos estudantes do 9º ano já fizeram uso de cigarro. 

- 19,1% tinham experimentado em 2009.

4) Sexo

Adolescentes que já tiveram relações sexuais

2009 22,3% 

2019 27,3%

Meninas

- A taxa de início das relações entre as meninas aumentou de 14,1% entre as meninas para 22,7% para os meninos. 

Uso de camisinha na última relação

2009 65,6%

2019 46%

- Vitória é a 2ª no ranking de capitais com maior taxa de  estudantes que não usaram a proteção 

- 90,6% dos estudantes disseram que receberam orientações da escola sobre formas de prevenção de gravidez.

Fonte: IBGE

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