Rede sociais sintomas de desatenção, afirmam especialistas
Estudo liga redes sociais ao aumento de desatenção e reforça alerta sobre excesso de diagnósticos de TDAH
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Um estudo internacional que acompanhou, durante quatro anos, mais de 8.300 crianças dos 9 aos 14 anos encontrou associação entre o uso de redes sociais e o aumento de sintomas de desatenção ao longo do tempo, conforme citou a neurologista da infância e adolescência Ana Carolina Macedo.
Conduzido pelo Instituto Karolinska (Universidade na Suécia) e pela Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, nos Estados Unidos, o estudo foi publicado em dezembro de 2025.
Crianças que passavam uma quantidade significativa de tempo em plataformas como Instagram, Snapchat, TikTok, Facebook, Twitter ou Messenger, desenvolveram gradualmente sintomas de desatenção; não houve tal associação com assistir TV ou jogar videogame.
“Nosso estudo sugere que são as redes sociais que afetam a capacidade de concentração das crianças”, afirma Torkel Klingberg , professor de Neurociência Cognitiva do Departamento de Neurociência do Instituto Karolinska.
O problema desses sintomas, segundo especialistas, é que pode levar a uma “medicalização excessiva de sintomas cotidianos”, conforme chama a atenção o neurologista Guilherme Coutinho.
“O estresse crônico e a hiperconectividade digital geram um 'déficit de atenção secundário'. Nesses casos, o problema não é uma patologia biológica primária (TDAH), mas um estilo de vida exaustivo. Medicar essa exaustão sem mudar hábitos é, muitas vezes, tentar apagar um incêndio jogando 'gasolina'”, alerta.
Diagnóstico em adultos exige mais cuidados
Dados publicados na revista médica alemã Ärzteblatt International reacenderam o debate: entre 2015 e 2024, os novos diagnósticos de TDAH em adultos no sistema público da Alemanha saltaram de 8,6 para 25,7 por 10 mil pessoas, quase o triplo no período.
Esse aumento não se restringe apenas ao país europeu. Especialistas afirmam que no Brasil os diagnósticos também aumentaram, mas em adultos essa confirmação exige cautela.
“O diagnóstico de TDAH em adultos exige cuidado redobrado, já que se trata de um transtorno do neurodesenvolvimento com início necessariamente na infância. O risco de erro aumenta quando não há investigação da história infantil, quando o diagnóstico se baseia apenas no autorrelato atual ou quando não se diferenciam sintomas de TDAH de quadros como ansiedade, depressão, burnout ou traumas”, alerta o neuropsicólogo Rhamon Carvalho.
Segundo o especialista, uma avaliação adequada deve incluir uma linha do tempo desenvolvimental, sempre que possível relatos de familiares ou registros escolares, além de evidências de prejuízos funcionais persistentes ao longo da vida da pessoa.
O neurologista Guilherme Coutinho destaca que o critério de ouro para a prescrição de uma medicação não é apenas a presença do sintoma, mas o prejuízo funcional: “O quanto aquela desatenção ou hiperatividade impacta o aprendizado, as relações sociais e a qualidade de vida do paciente”.
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