Recorde de procura por cirurgia para mudar seios no Brasil
Foram feitos 219.599 liftings de mamas sem prótese no ano passado. Brasil lidera mundialmente esse tipo de procedimento
Depois de mais de 40 anos fazendo sucesso entre o público feminino, a prótese de silicone está em queda nos últimos anos no Brasil. Em 2022, foram 243.923 implantes de silicone, contra 222.847 no ano passado, uma queda de 8,6%.
Por outro lado, o lifting de mamas (mastopexia) sem prótese foi a cirurgia que mais cresceu no País. Foram 219.599 procedimentos em 2025, segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). Comparando com 2022, em que o País registrou 143.065 mastopexias, o crescimento é de mais de 53%.
O Brasil lidera mundialmente essa cirurgia, ultrapassando os Estados Unidos (155.406) – que ocupam o segundo lugar – e a Turquia (58.330), a terceira colocada.
Para o cirurgião plástico Ariosto Santos, o movimento está alinhado ao fato de as mulheres terem receio de complicações ligadas ao silicone e também por não quererem em 10 anos fazer a troca da prótese.
No Espírito Santo, em 2025, foram realizadas 5.940 mastopexias sem prótese, e 6.021 implantes de silicone. O cálculo, segundo Ariosto, é baseado em 2,7%, que corresponde ao número de cirurgiões plásticos e a população do Estado.
Ariosto destaca que a mastopexia sem prótese costuma ser mais trabalhosa do que a colocação do implante. “É preciso dar formato e projeção à mama usando só o tecido da própria paciente”.
O cirurgião faz um alerta sobre o uso de enxerto de gordura, às vezes associado à cirurgia. Ele explica que parte da gordura é absorvida pelo organismo e pode gerar microcalcificações, que aparecem em exames de imagem e podem ser confundidas com lesões pelo mastologista.
Na análise do cirurgião plástico e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional Espírito Santo, Ricardo Abelha, entre os perfis principais para fazer mastopexia estão mulheres no pós-gestação e amamentação, que emagreceram muito (dieta, cirurgia bariátrica e canetas emagrecedoras) e mulheres que antes aceitavam a flacidez e hoje não aceitam mais.
“A paciente chega ao consultório melhor informada e busca um resultado natural, evitando implantes mamários grandes. Muitas chegam pedindo só 'levantar', e a prótese acaba sendo uma decisão de formato e preenchimento do colo”, ressalta.
Canetas aumentam busca por lifting da mama
Um movimento que, segundo médicos, tem aumentado a procura pelo lifting das mamas é o uso das canetas emagrecedoras. O cirurgião plástico Humberto Pinto aponta que a perda abrupta de peso pode levar a uma flacidez acentuada.
“Quando a mama caída apresenta volume podemos utilizar a mastopexia sem prótese. Quando a mama perdeu seus tecidos, o uso da prótese é indicado”, explicou.
O cirurgião plástico Cristiano Simões destaca que quando há necessidade do lifting, torna-se imperativa a realização da mastopexia. “A escolha do melhor procedimento deverá ser realizada pelo seu cirurgião plástico”.
Segundo Cristiano, no caso de colocar o silicone, o consenso entre as mulheres é o desejo de um implante mais estável, com volume de colo de mama que permita realçar a sua beleza.
Quanto ao resultado da mastopexia, o cirurgião plástico e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Regional Espírito Santo, Ricardo Abelha, alerta que nenhum resultado é definitivo, já que a gravidade e o envelhecimento continuam atuando.
“Em geral, a permanência do resultado varia muito entre pacientes. O que mais antecipa a queda é o tipo de pele, hábitos alimentares, variação de peso, tipo de atividade física que a paciente pratica, gestações após a cirurgia, utilização de sutiã, entre outros”.
Números no Brasil
Aumento mamário (prótese)
2022 - 243.923
2023 - 227.451
2024 - 232.593
2025 - 222.847
Variação 2022 a 2025: 4,2%
Mastopexia (lifting)
2022 - 143.065
2023 - 140.675
2024 - 137.736
2025 - 219.599
Variação 2022 a 2025: +59,4%
O que é a mastopexia?
Comumente referida como cirurgia de lifting de mama, a mastopexia reposiciona a aréola e o tecido mamário, removendo o excesso de pele e comprimindo o tecido para compor o novo contorno da mama.
A cirurgia não altera, significativamente, o tamanho dos seios ou preenche a parte de cima da mama (colo). Se a mulher quiser ter mamas mais volumosas, deve considerar a cirurgia de aumento. Se desejar seios menores, deve considerar a combinação de elevação da mama e cirurgia de redução.
Quem mais procura pelo procedimento?
Três perfis principais: mulheres no pós-gestação e amamentação, mulheres que emagreceram muito (dieta, bariátrica e, mais recentemente, canetas emagrecedoras) e mulheres que antes aceitavam a flacidez e hoje não aceitam mais.
O resultado é definitivo?
Não, porque a gravidade e o envelhecimento continuam atuando. Antecipam a queda, o tipo de pele, os hábitos alimentares, a variação de peso, o tipo de atividade física, gestações após a cirurgia e o uso de sutiã.
Quem deve esperar?
Quem planeja engravidar em breve ou está emagrecendo. A orientação é operar com peso ideal e estável.
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