Pesquisadores buscam voluntárias para tratamento contra cólica menstrual
Podem participar do estudo mulheres com idades entre 16 e 35 anos, desde que atendam a alguns critérios específicos
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Talvez, alguma vez na vida, muitas mulheres já tenham escutado, durante o período menstrual, que sentir dor é “normal”. Mas a cólica menstrual, chamada tecnicamente de dismenorreia primária, pode ser tão intensa a ponto de incapacitar mulheres em idade fértil – problema que atinge cerca de 90% delas.
Agora, pesquisadores buscam voluntárias para participar de um estudo que está testando novas alternativas de tratamento para esse tipo de dor. No Espírito Santo, o trabalho está sendo conduzido pelo Centro de Avaliação de Medicamentos e Especialidades de Pesquisa (Cenders).

De acordo com a médica pesquisadora, Priscilla de Aquino Martins, apesar de o mercado ter medicamentos para esse fim, a pesquisa busca avaliar um medicamento em que há associações (de substâncias), na tentativa de provar que elas podem, “de alguma forma, potencializar o efeito e trazer uma melhora maior no controle dessa dor”.
Segundo Priscilla, podem participar do estudo mulheres entre 16 e 35 anos, desde que atendam a alguns critérios específicos, como ter tido quatro ciclos menstruais dolorosos nos últimos seis meses, além de ter ciclos regulares com duração entre 21 e 35 dias.
Outro critério de elegibilidade para o estudo é não estar grávida e ter o diagnóstico de dismenorreia primária – sem nenhuma doença associada, como endometriose.
“O fato de a mulher não identificar uma causa orgânica para explicar por que ela tem a cólica no período menstrual já é dismenorreia primária”, afirma Priscilla.
No total, em todo Brasil, serão mais de 200 participantes. No Estado, segundo a enfermeira pesquisadora Renata Vicente, o esperado é recrutar 80 voluntárias.
Renata explica que, depois da idade fértil, a tendência é que essa cólica não aconteça no mesmo nível de dor. Por isso, o estudo tem recrutado até 35 anos.
A fase de medicamento na pesquisa dura em torno de quatro ciclos menstruais, cerca de 5 a 6 meses, mas as participantes serão acompanhadas durante mais tempo, explicam as pesquisadoras.
“Elas tomam a medicação no momento da dor. Está sendo avaliado o tempo que essa associação vai demorar para agir e se é comparável com as medicações que já estão em uso no mercado”, explicou Renata.
Saiba Mais
A dismenorreia
É uma das queixas ginecológicas mais comuns durante a fase reprodutiva da vida da mulher. Apesar de sua alta frequência, muitas vezes é pouco valorizada, tanto por profissionais de saúde quanto pelas próprias pacientes. Estudos estimam que até 90% das mulheres — desde a adolescência até a vida adulta — possam apresentar o problema.
Definição e sintomas
Por definição, a dismenorreia é uma dor do tipo cólica, localizada no baixo ventre (hipogástrio), que surge em associação direta com o ciclo menstrual. Geralmente, inicia-se pouco antes do fluxo e pode persistir por até dois dias após o começo da menstruação.
Além da dor abdominal, podem estar presentes sintomas como lombalgia, dor em membros inferiores, náuseas, vômitos, cefaleia, irritabilidade e fadiga, gerando grande desconforto e até absenteísmo escolar ou profissional.
Tipos de dismenorreia
Dismenorreia primária: é a forma mais comum, considerada fisiológica. Surge pouco tempo após as primeiras menstruações e ocorre devido ao aumento da produção de prostaglandinas, substâncias que provocam contrações uterinas. Não está associada a doenças pélvicas estruturais.
Dismenorreia secundária: decorre de condições subjacentes, sendo a endometriose a principal causa. Nesse caso, pode ser necessária investigação com exames de imagem, como a ultrassonografia, que é a primeira escolha diagnóstica.
Pesquisa
O Centro de Avaliação de Medicamentos e Especialidades de Pesquisa (Cenders) conduz um estudo que está avaliando um novo medicamento para a dismenorreia primária. A pesquisa aposta em associações de substâncias, o que pode potencializar o efeito e oferecer maior alívio da dor.
Quem pode participar
mulheres entre 16 e 35 anos, que tenham apresentado pelo menos quatro ciclos menstruais dolorosos nos últimos seis meses e possuam ciclos regulares. O estudo é voltado exclusivamente para casos de dismenorreia primária, ou seja, quando a dor não está ligada a outras doenças, como a endometriose.
Metodologia
Cada participante será acompanhada durante quatro ciclos menstruais, em um período de cinco a seis meses. Nesse tempo, as mulheres deverão utilizar apenas a medicação do estudo, administrada sempre no momento da dor.
Contato
As interessadas podem fazer contato pelo site www.cenders.com.br , pelo Whatsapp (27 99907-1219) ou pelo Instagram @cenders.oficial.
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