Paciente do ES será o quinto no país a receber tratamento com polilaminina
Este será o segundo caso no Espírito Santo. Tratamento ainda é experimental e feito com determinação da Justiça
Um novo paciente do Espírito Santo vai receber o tratamento experimental com o medicamento polilaminina, utilizado para tratar lesão na medula. Este será o segundo caso no Estado e o quinto no país, autorizado a fazer o tratamento mediante cumprimento de decisão judicial.
O paciente é um homem de 24 anos, que está internado no Hospital São Lucas, em Vitória. Ele sofreu a lesão na coluna após um mergulho em água rasa, ocorrido no último domingo (04). Segundo informações, o quadro é de trauma medular grave.
De acordo com Mitter Mayer Volpasso Borges, coordenador do Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI) da PoliLaminina no Espírito Santo, o procedimento deve acontecer dentro da janela terapêutica considera crítica, ou seja, antes de 72 horas após o acidente.
"Do ponto de vista científico como estratégico para intervenções com potencial impacto na preservação e recuperação neurológica. Tanto a equipe médica responsável quanto a medicação já se encontram em deslocamento para o Espírito Santo, a fim de viabilizar o cumprimento da decisão judicial dentro do prazo clínico adequado", diz o relatório.
"Ressalto que o uso compassivo é uma medida excepcional, autorizada caso a caso, mediante avaliação clínica criteriosa e decisão judicial, não substituindo nem antecipando a necessária realização dos estudos clínicos formais, fundamentais para a validação científica e regulatória da terapia", completou Mitter.
Primeiro capixaba
O piloto de motocross Luiz Fernando do Nascimento Mozer, de 37 anos, foi o primeiro paciente a receber a substância – ainda experimental – após uma decisão judicial, dias depois de sofrer um grave acidente de motocross, em 7 de dezembro, em Vargem Alta. O trauma resultou em uma lesão medular completa, considerada grave e irreversível.
Mesmo debilitado, o piloto fez questão de comentar o avanço. “Eu torço muito para que dê certo, não só para mim, mas para todos os outros que precisam”.
O que é a polilaminina?
É um medicamento inédito e inovador desenvolvido no Brasil a partir da proteína laminina, extraída da placenta humana.
O fármaco é resultado de 25 anos de pesquisa liderada pela professora doutora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o laboratório Cristália.
Os primeiros testes foram realizados em animais e mostraram efeitos animadores.
Em ratos, os sinais começaram a aparecer em 24 horas e a recuperação em cerca de oito semanas; em cães houve diferentes níveis de recuperação do movimento das patas.
Nos estudos clínicos iniciais em humanos, 8 voluntários receberam a medicação até três dias após a lesão. O efeito foi visto como promissor.
Autorização
O estudo clínico de fase 1 autorizado pela Anvisa vai avaliar a segurança da polilaminina em cinco pacientes com idade entre 18 e 72 anos.
Os pacientes avaliados são aqueles com lesões agudas da medula espinhal torácica entre as vértebras T2 e T10, ocorridas há menos de 72 horas, com indicação cirúrgica.
Os locais de realização do estudo clínico ainda serão definidos pela empresa.
Neste momento, o estudo tem como objetivo verificar a segurança do produto, considerando efeitos adversos.
A depender dos resultados da fase 1 do estudo, ele poderá avançar para as etapas de fase 2 e 3, que têm o objetivo de comprovar a eficácia do medicamento.
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