Oncologista revela cuidado com a saúde: “Vi a dor do meu pai e não quis para mim”
A dedicação não vem apenas do que aprende diariamente na medicina. Fernando teve em casa exemplos do que não queria para sua saúde
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Às 5h40, todos os dias, o oncologista da Rede Meridional Fernando Zamprogno, de 48 anos, já está de pé. Ele é responsável por preparar o café para toda a família e levar os filhos para a escola. Às 7h30 ele já está no trabalho e sai às 18 horas.
É no final do dia que ele tem sua rotina de atividade física. “Faço corrida de três a quatro vezes por semana, em torno de 10 km por dia, e também musculação. Nos últimos três anos tenho praticado corrida. Para a minha idade e para o ritmo de vida que tenho é o exercício que melhor se encaixou”.
A dedicação com sua própria saúde não vem apenas do que aprende diariamente na medicina. Fernando teve em casa exemplos do que não queria para sua saúde.
“Antes de me tornar oncologista, tive um pai obeso, que com a minha idade já estava com câncer e morreu com 52 anos. Eu vi o sofrimento dele com a obesidade, diabetes e ficando cego. Coloquei para mim que tinha de ter bons hábitos, não queria isso para mim”.
Um dos avôs do médico teve um acidente vascular cerebral, enquanto o outro avô teve um infarto fulminante. Todos os casos relacionados ao excesso de sal, ocasionando hipertensão. O histórico familiar fez o médico eliminar o sal adicionado da comida.
O oncologista relata que se permite, por exemplo, comer um doce. “O problema é o excesso, a rotina diária. Há muitos anos tenho uma rotina de alimentação regrada”.
“Como de tudo, mas nada em exagero. A Organização Mundial da Saúde coloca a carne como potencialmente cancerígena, principalmente se for churrasco. Eu não como churrasco toda semana e nem todo mês, apenas de forma esporádica.
Quanto à atividade física, Fernando reforça que quem pode ter acesso a um profissional de educação física, deve procurar.
“Algumas dicas podem ajudar, como caminhar no quarteirão de casa, mas em um velocidade que não consiga conversar. Se a pessoa consegue bater papo, ela está passeando. E avaliação cardiológica é fundamental para os maiores de 40 anos”, destacou.
Excesso de peso é um dos principais riscos de câncer
Talvez nunca antes na história, a prática de exercícios físicos foi tão recomendada pelos médicos. Não é para menos. Trajetos até mesmo curtos, que antes eram feitos a pé, agora contam com facilidade de serem realizados, por exemplo, com bike elétricas, carros, transporte por aplicativo ou público.
Porém, tanta facilidade tem feito a população caminhar menos. Somando-se à má alimentação, o Brasil já tem 34,66% da população com algum nível de obesidade, segundo dados divulgados pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, do Ministério da Saúde.
De acordo com informações do Instituto Nacional de Câncer (Inca), estudos demonstram que atualmente o excesso de peso é um dos principais riscos para o desenvolvimento de câncer no Brasil, como tumores de esôfago, estômago, pâncreas, vesícula biliar, fígado, intestino (cólon e reto), rins, mama, entre outros.
A explicação para essa forte incidência ocorre pelo processo inflamatório provocado no organismo. Ou seja: o excesso de gordura corporal provoca um estado de inflamação crônica e aumento nos níveis de determinados hormônios, que promovem o crescimento de células cancerígenas, aumentando as chances de desenvolvimento da doença, conforme explica o Inca.
“Quando falamos de atividade física, não precisa ser nada mirabolante. Uma caminhada no quarteirão do bairro, de 30 minutos, é uma atividade física. A diferença é que a pessoa está tirando um tempo para isso. Caminhar no seu serviço não é a mesma coisa. O coração não acelera, não sua a camisa”, destaca o oncologista Fernando Zamprogno.
A oncologista Erika Barreto destaca que cada vez mais estudos mostram que pequenas mudanças na rotina alimentar podem trazer grandes resultados. “Evitar alimentos ultraprocessados, o consumo excessivo de açúcar e as bebidas alcoólicas são atitudes simples, mas que fazem diferença”.
A comida “limpa”, segundo a endocrinologista Priscila Pessanha, não precisa ser complexa e nem cara. “Pode ser a básica, equilibrada em macro e micronutrientes. São hábitos possíveis para todos. Aliás, tudo é possível quando colocamos foco e determinação naquilo que resolvemos fazer ou mudar”.
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