Número de adolescentes internados por ansiedade cresce e alerta pais
Estudo mostra que a taxa de hospitalizações cresceu quase 9 vezes em menos de 10 anos, sendo que as meninas são as mais afetadas
O número de adolescentes internados por transtornos de ansiedade cresceu quase nove vezes em menos de uma década, acendendo um alerta entre especialistas sobre o agravamento do sofrimento emocional entre os jovens. O problema é ainda mais acentuado entre meninas.
Dados de um estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostram que a taxa de hospitalizações entre pacientes de 10 a 19 anos passou de 1,03 para 9,6 casos por 100 mil beneficiários de planos de saúde entre 2015 e 2024.
O estudo “Internações por Transtornos de Ansiedade na Saúde Suplementar Brasileira: Tendências Temporais Segundo Sexo e Faixa Etária” leva em consideração informações assistenciais captadas na base de dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
A reportagem de A Tribuna publicou na última semana um levantamento que também apontava um crescimento no número de atendimentos psicológicos e psiquiátricos por causa de ansiedade e depressão.
No último ano, foram mais de 140 mil atendimentos na rede pública e privada.
O superintendente executivo do IESS, Denizar Vianna, afirmou que entre os dados que mais chamaram a atenção foi o crescimento das internações entre adolescentes. “O ritmo de crescimento observado nesse grupo é um sinal importante de alerta”, destaca.
Outro aspecto que chama atenção, segundo ele, é a diferença entre os sexos. “As meninas aparecem de forma muito mais expressiva nas estatísticas. Em 2024, registramos aproximadamente 3,7 internações femininas para cada internação masculina entre adolescentes. Esse é um padrão que tem sido observado em estudos realizados em outros países”.
A doutoranda em Psicologia Kamila Vilela aponta que o aumento das internações por ansiedade entre adolescentes parece ser resultado de vários fatores.
“Hoje os jovens vivem em um contexto de muita pressão por desempenho, excesso de estímulos, comparação constante nas redes sociais e dificuldade de desconexão”, explica.
Segundo ela, a adolescência já é, naturalmente, uma fase muito importante do desenvolvimento emocional e social, marcada por inseguranças, necessidade de pertencimento e mudanças intensas.
“Dentro desse cenário, muitos adolescentes têm encontrado mais dificuldade para lidar com relações, frustrações e cobranças do dia a dia”.
Já Sarha Andrade Lobo de Queiroz, médica psiquiatra, diz que a ansiedade começa a exigir atenção profissional quando deixa de ser uma reação pontual e passa a atrapalhar a vida do jovem.
Fique por dentro
Estudo
- O estudo “Internações por Transtornos de Ansiedade na Saúde Suplementar Brasileira: Tendências Temporais Segundo Sexo e Faixa Etária” foi produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) a partir de informações assistenciais captadas na base de dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Alguns resultados
- 31.984 internações por transtornos de ansiedade na saúde suplementar entre 2015 e 2024.
- 2015: 2.027
- 2024: 6.084
- Aumento de mais de 200%
Antes e depois da pandemia
- No período pré-pandêmico (2015 a 2019), a média era de 91 internações por ano.
- No período pós-pandêmico (2022 a 2024), esse número saltou para 453, crescimento de aproximadamente cinco vezes.
Adolescentes
- A faixa etária entre 10 e 19 anos representa menos de 12% das internações por ansiedade registradas em planos de saúde, no entanto, teve o maior crescimento.
Números
Ano - Internação - Participação
- 2015 - 56 - 2,8%
- 2023 - 711 - 9%
- 2024 - 567 - 12%
Internações por sexo entre 10 e 19 anos em 2024
- Meninas: 438
- 3,7 internações femininas para cada internação masculina foram registradas. A média anual de internações aumentou de 91 para 453 casos entre 2015 e 2024.
Adultos
- 2,5 vezes foi o aumento da taxa de internação entre adultos de 20 a 59 anos entre 2015 e 2024.
- Já entre os idosos, a taxa é 4 vezes maior.
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