Novo estudo revela perigos da “barriga de chope”
O excesso de gordura dificulta o fluxo sanguíneo e contribui também para aumento da pressão arterial, prejudicando o coração
O acúmulo de gordura abdominal, popularmente chamado de “barriga de chope”, pode causar danos ao coração, mesmo em pessoas sem doenças cardiovasculares. É o que revela um estudo apresentado durante o congresso da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA), nos Estados Unidos.
O cirurgião cardiovascular Melchior Luiz Lima explica que o excesso de gordura dificulta o fluxo sanguíneo, fazendo com que o coração precise bombear com mais força. “Com o tempo, isso leva a uma condição patológica chamada hipertrofia ventricular. O músculo cardíaco fica mais rígido, perdendo a elasticidade necessária para relaxar e se encher adequadamente de sangue”.
Além disso, a gordura abdominal contribui para o aumento da pressão arterial, sobrecarregando ainda mais o coração.
“Esse conjunto de fatores pode provocar microlesões no músculo cardíaco e evoluir até para uma insuficiência cardíaca. A pessoa também pode apresentar falta de ar e quadros graves de arritmia”, acrescenta Melchior.
A circunferência abdominal aumentada também preocupa por estar associada ao acúmulo de gordura visceral, que se deposita profundamente e pode atingir órgãos como fígado, pâncreas e até o próprio coração. Segundo a endocrinologista Sabrina França, esse tipo de gordura é mais prejudicial do que a gordura subcutânea.
“É um tipo metabolicamente ativo e que tem ação inflamatória, aumentando também o risco de hipertensão arterial, aterosclerose e diabetes”.
O risco é ainda maior para os homens. “A ação hormonal da testosterona favorece o acúmulo de gordura central. As mulheres têm uma proteção até a menopausa, graças ao estrogênio”, diz Sabrina.
A nutricionista Luiza Aarão lembra que picos de glicemia também favorecem o acúmulo de gordura abdominal. “É importante consumir carboidratos combinados com fibras e proteínas, para equilibrar a resposta glicêmica”.
Por isso, é importante adotar um estilo de vida mais saudável. “Uma alimentação mais natural, evitando o consumo excessivo de álcool, aliada a uma rotina de exercícios, pode reverter esse quadro”, orienta Luiza.
Fique por dentro
O estudo
A pesquisa foi apresentada no congresso da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA), nos Estados Unidos.
Mais de 2.200 homens e mulheres entre 46 e 78 anos foram avaliados.
Foram comparadas duas medidas usadas na prática clínica: o índice de massa corporal (IMC), que avalia o peso total, e a relação cintura-quadril, que indica a concentração de gordura na região abdominal.
Resultados encontrados
O estudo mostrou que a gordura acumulada na barriga — conhecida popularmente como “barriga de chope” — está mais relacionada a alterações no coração do que o excesso de peso avaliado pela balança.
O excesso de gordura abdominal pode levar ao espessamento do músculo cardíaco, especialmente do ventrículo esquerdo.
Com isso, o coração fica mais rígido e passa a ter dificuldade para se encher de sangue e bombear adequadamente.
Quais são os riscos?
O acúmulo de gordura dificulta o fluxo sanguíneo, obrigando o coração a fazer mais esforço para bombear o sangue.
Com o tempo, esse esforço leva ao espessamento do músculo cardíaco, chamado de hipertrofia ventricular, que é uma condição patológica.
Ao ficar mais rígido, o músculo do coração pode sofrer microlesões, podendo evoluir até para um quadro de insuficiência cardíaca.
Esse tipo de gordura também está associada ao acúmulo de gordura visceral, que se deposita ao redor de órgãos como fígado, pâncreas e coração.
Essa gordura é metabolicamente ativa e libera substâncias inflamatórias no organismo.
A inflamação favorece quadros de hipertensão arterial, diabetes e aterosclerose.
Homens x mulheres
No estudo, os efeitos foram mais intensos nos participantes do sexo masculino.
Isso acontece porque os homens tendem a acumular mais gordura abdominal devido ao efeito da testosterona.
As mulheres estão mais protegidas até a menopausa por conta da atuação do estrogênio, que funciona como cardioprotetor e direciona o armazenamento de gordura para regiões menos nocivas.
Como se proteger?
Evitar alimentos ultraprocessados e ricos em sódio e açúcar.
Diminuir o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
Favorecer o consumo de fibras, que controlam o colesterol e previnem o entupimento das artérias
Preferir uma alimentação mais natural, com frutas, legumes, verduras.
Adotar uma rotina de exercícios físicos, aeróbicos e musculação, que fortalecem o coração e ajudam a evitar o acúmulo de gordura.
Evitar consumir carboidratos isoladamente, pois picos de glicemia favorecem o acúmulo de gordura abdominal.
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