Nova técnica para retirar pedra no rim sem anestesia
Especialistas aprovam novo tratamento que utiliza ondas de explosão que quebram cálculos renais, sem causar dor ao paciente
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Uma nova técnica para tratamento de pedras nos rins está sendo estudada e promete remover o cálculo sem dor e sem a necessidade de anestesia.
A novidade é promissora, segundo os médicos, e o estudo foi publicado recentemente no The Journal of Urology, o jornal oficial da Sociedade de Urologia Americana.
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A inovação da técnica, chamada de litotripsia para ondas de explosão (BWL, em inglês), utiliza ondas de ultrassom direcionadas para a quebra dos cálculos renais. Segundo os pesquisadores, o ultrassom quebra em pedaços de dois milímetros de pedras em 10 minutos.
A ideia surgiu de um esforço liderado pela Nasa – agência espacial norte-americana – para desenvolver uma abordagem sem sedação para pedras nos rins para astronautas em viagens de longa distância.
“No procedimento, o médico usa um transdutor portátil colocado na pele para direcionar as ondas de ultrassom em direção à pedra. O ultrassom pode então ser usado para movimentar e reposicionar as pedras para promover sua passagem, um processo chamado de propulsão por ultrassom, ou a quebra da pedra, uma técnica chamada litotripsia por ondas de explosão (BWL)”, explica a nefrologista Caroline Reigada.
Hoje o tratamento mais usado, segundo o urologista do Hospital Evangélico Rodrigo Tristão, é a Litotripsia Extracorpórea por Ondas de Choque (Leco, sigla em inglês), que precisa ser realizado em ambiente cirúrgico e com anestesia.
“Hoje temos a Leco que é um procedimento que através de ondas de choque fragmenta os cálculos em pedaços menores para que possa ser eliminado de forma espontânea pela urina. Mas, exige que o paciente esteja sedado e tem que ser em um ambiente hospitalar”.
O estudo americano foi feito para testar a viabilidade da técnica, e participaram a pesquisa 21 pacientes. O próximo passo para os pesquisadores seria realizar um ensaio clínico com um grupo de controle para avaliar o grau em que essa nova tecnologia potencialmente ajuda na passagem de pedras.
Os resultados são promissores, segundo o urologista do Meridional e professor da Ufes Cláudio Ferreira Borges, mas a nova técnica precisa de mais estudos.
“É um estudo animador porque traz a perspectiva de um tratamento minimamente invasivo e com taxas de sucesso parecido com que temos hoje. Mas, mais estudos são necessários para entrar na prática clínica”.
SAIBA MAIS
> O que é pedra nos rins?
- Cálculos renais ou pedras nos rins são formações endurecidas que se formam nos rins ou nas vias urinárias, resultantes do acúmulo de cristais existentes na urina.
- Predisposição genética; dieta rica em proteínas e em sal; baixa ingestão de líquidos; são algumas das causas mais frequentes de pedras nos rins.
> O estudo
- Denominada litotripsia, o novo tratamento utiliza ondas de explosão (BWL) que fragmentam os cálculos renais, as famosas pedras nos rins.
- O autor do estado explicou que ultilizando ondas de ultrassom direcionadas para quebrar os cálculos renais, a BWL.
- Essa nova tecnologia quebrou pedras de vários tamanhos, locais e densidades em fragmentos de menos de dois milímetros em 10 minutos, com lesão tecidual insignificante, de acordo com os pesquisadores.
- A esperança é o que novo tratamento poderá ser feito em consultório.
- Segundo os médicos é uma técnica promissora, mas ainda exige estudos mais amplos.
> Tratamentos
- Hoje, os tratamentos usados para pedra nos rins são:
- Litotripsia Extracorpórea por Ondas de Choque (LECO): quebra as pedras por ondas de choque aplicadas sobre a pele;
- Ureterolitotripsia: as ondas de choque são aplicadas diretamente no cálculo através de um endoscópio (um tipo de cateter com uma câmera na ponta) inserido pelo orifício da uretra até o ureter;
- Nefrolitotripsia percutânea: pequena cirurgia realizada através de um corte de 1 cm na pele da região lombar e introdução de um endoscópio para localizar o cálculo.
- Cirurgia aberta: pouco realizada nos dias de hoje, geralmente é feita nos cálculos coraliformes, que são pedras de tamanho grande formadas pela presença de alguns tipos de bactérias na urina.
> Prevenção
A prevenção é feita, principalmente, com a mudança nos hábitos de vida, como aumento da ingestão de água e sucos naturais e cítricos; diminuição do consumo de sal e de alimentos ricos em proteína animal; prática de atividade física regular; e perda de peso.
Fonte: Médicos consultados e Ministério da Saúde.
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