Musculação e até a saúde do intestino podem impactar a saúde mental
Pesquisas indicam relação entre microbiota intestinal, atividade física e prevenção do Alzheimer
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Uma revisão com mais de 12 artigos, publicada em dezembro de 2025 na revista NPJ Dementia - Nature, encontrou evidências de que alterações na microbiota intestinal podem estar associadas ao desenvolvimento e à progressão da doença de Alzheimer.
“A microbiota intestinal influencia processos inflamatórios, metabólicos e imunológicos que têm impacto direto sobre o funcionamento cerebral. Um desequilíbrio da microbiota – comum em dietas pobres em fibras, sedentarismo, estresse crônico e uso excessivo de antibióticos – pode aumentar a inflamação sistêmica e afetar mecanismos ligados à cognição e à neurodegeneração”, explica a Marina Fim, neurologista especialista em problemas de memória e demência.
Embora ainda não se possa afirmar que a microbiota cause doenças neurológicas, Marina pontua que há evidências consistentes de que ela modula o risco ao longo da vida. “Cuidar da saúde intestinal, portanto, não é apenas uma questão digestiva: é parte de uma estratégia mais ampla de proteção do cérebro no futuro”, completa.
Musculação contra Alzheimer
Paralelo aos avanços farmacológicos, já está consolidado, segundo médicos, o papel das intervenções não medicamentosas na prevenção e no retardo da progressão do Alzheimer. Entre elas, a atividade física, principalmente as que envolvem força, como musculação.
“Hoje sabemos, com base em evidências científicas consistentes, que o exercício regular está associado à redução do risco de declínio cognitivo e demência. De forma especial, os exercícios de força com foco em ganho de massa muscular vêm recebendo destaque crescente na literatura”, explica a neurologista e preceptora do curso de Medicina da Ufes, Mariana Grenfell.
O geriatra Roni Chaim Mukamal, superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior e professor da Ufes, explica ainda que a diminuição de massa muscular e a perda de força muscular, caracterizada como a sarcopenia, presente no envelhecimento, decorre de um processo inflamatório.
“Esse processo não afeta só o músculo, mas também os ossos, coração e cérebro”.
Massa
Por isso, segundo a neurologista Mariana Grenfell, o ganho e a manutenção de massa muscular contribuem para melhor sensibilidade à insulina, controle vascular e redução de processos inflamatórios sistêmicos, fatores esses que estão diretamente relacionados ao risco de neurodegeneração.
“Além disso, estudos demonstram que o treinamento resistido pode favorecer a liberação de fatores neurotróficos, como o BDNF, substância envolvida na plasticidade cerebral e na formação de novas conexões neurais. Em outras palavras, fortalecer o corpo também fortalece o cérebro”.
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