Médicos explicam o que mudou na definição de gordura no fígado
Chamada esteatose hepática não alcoólica, ela agora passa a ser doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica
A famosa “gordura no fígado” passou por mudanças recentes nos nomes e classificações, além de uma nova forma de ser entendida pela medicina.
Antes chamada esteatose hepática não alcoólica agora passou a ser definida como doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), mudança que busca destacar as verdadeiras causas do problema, como obesidade, diabetes, colesterol alto e hipertensão.
Segundo a hepatologista Caroline Alcure, da equipe de transplante do Hospital Meridional, a mudança procura reduzir estigmas ligados aos antigos termos “gordurosa” e “não alcoólica”, além de reconhecer a disfunção metabólica como principal causa da doença.
Ela explica que, nos casos em que a condição já apresenta inflamação no fígado, a nomenclatura também mudou: o antigo NASH passou a ser chamado de MASH, sigla para esteato-hepatite associada à disfunção metabólica.
Outra novidade é a criação da categoria MetALD, utilizada quando o paciente apresenta tanto alterações metabólicas quanto consumo significativo de álcool.
“Reconhecer os múltiplos fatores envolvidos favorece a identificação precoce e o manejo multidisciplinar desses pacientes”, disse a médica.
Ela alerta ainda que a “gordura no fígado” não deve ser encarada como algo simples ou sem importância, já que a doença evolui de forma silenciosa e, ao longo dos anos, pode provocar inflamação no fígado, fibrose, cirrose e até câncer hepático.
Além disso, os pacientes também apresentam maior risco cardiovascular, como infarto e AVC.
Para a hepatologista Mariana Pacheco, a principal mudança foi fazer com que a nomenclatura refletisse melhor a origem da doença.
Segundo ela, anteriormente o termo definia a condição pelo que ela “não era”, ou seja, não relacionada ao álcool.
“Hoje sabemos que, na maioria dos casos, o problema está muito mais ligado às alterações metabólicas, como obesidade, diabetes, colesterol alto, hipertensão e sedentarismo”.
O cirurgião do aparelho digestivo Felipe Mustafa afirmou que a mudança permite com que sejam feitos mais diagnósticos precoces da disfunção metabólica, retirando o estigma de doença associada ao consumo de álcool, facilitando seu manejo clínico.
“Mudança no estilo de vida, controle do peso, e exercícios físicos são essenciais para a reversão do quadro de esteatose”, afirma.
Saiba mais
Gordura no fígado
A Esteatose hepática – popularmente conhecida como gordura no fígado – é um problema de saúde que acontece quando as células do fígado são infiltradas por células de gordura.
Quando a presença de gordura no fígado chega a 5% ou mais o quadro deve ser tratado.
Nesses casos, o fígado não só aumenta de tamanho, como também adquire um aspecto amarelado.
O quadro é reversível com mudanças de estilo e hábitos de vida, que devem ser mais saudáveis e com as devidas orientações médicas.
Em casos mais graves, o transplante pode ser a única indicação.
Riscos
Se não tratada corretamente, a esteatose hepática pode provocar, a médio e longo prazos, uma inflamação capaz de evoluir para quadros mais graves de hepatite gordurosa, cirrose hepática e até câncer no fígado.
Causas
A Esteatose Hepática pode ter causas diferentes:
- Alcoólicas: provocadas pelo consumo excessivo de álcool (regular ou esporádico).
- Metabólicas: ligadas a doenças como obesidade, diabetes, colesterol alto, hipertensão e resistência à insulina.
O que mudou
Uma mudança recente passou a diferenciar quem tem apenas a gordura, quem apresenta inflamação e quem soma o quadro ao consumo de álcool, o que aumenta o risco de lesões.
Os médicos passaram a usar novas siglas para se referir à esteatose hepática.
1. Novo Nome e Conceito
De NAFLD para MASLD
A chamada “esteatose hepática não alcoólica” (NAFLD) – usada antes – definia a doença pelo que ela não era, ou seja, não relacionada ao álcool.
Agora, os médicos usam o termo MASLD (esteatose hepática associada a síndrome metabólica).
Com isso, passou a ser destacado o que está por trás do problema: alterações metabólicas, como obesidade, diabetes, colesterol alto, hipertensão e resistência à insulina.
O objetivo é ajudar tanto os médicos, quanto os pacientes a entenderem que se trata de uma doença ligada ao metabolismo e ao estilo de vida.
Mudança de MASH
A forma inflamatória da doença, antes chamada de NASH (esteato-hepatite não alcoólica), agora é MASH (esteato-hepatite associada à disfunção metabólica).
2. Novas Classificações de Pacientes
MetALD
Foi Criada para pacientes que possuem gordura metabólica (MASLD), mas que também consomem álcool em quantidade relevante, reconhecendo uma causa mista.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários