Henri Castelli: o que causa a convulsão e como prestar socorro
Especialistas explicam o problema que afetou o ator Henri Castelli durante uma prova no reality show “BBB26”
O ator Henri Castelli teve duas crises de convulsão ontem, durante a participação no “BBB 26”, e assustou os colegas e quem estava acompanhando. A primeira ocorreu pela manhã, enquanto o ator disputava uma prova.
Ele permaneceu 10 horas no teste de resistência e precisou de atendimento médico. A segunda aconteceu horas depois, já após o retorno dele ao reality, no início da tarde.
Você sabe o que é convulsão e o que fazer caso aconteça com alguém próximo? A convulsão, de acordo com Mariana Grenfell, neurologista especialista em Epilepsia e membro da Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), é uma interrupção da atividade elétrica normal do cérebro.
O funcionamento requer uma descarga ordenada e coordenada dos impulsos elétricos, que possibilitam a comunicação cerebral com a medula espinhal, nervos, músculos e comunicações dentro do próprio cérebro.
“Eu gosto de fazer um paralelo como se fosse a rede elétrica de uma casa. É como se fosse um blackout, um curto-circuito. É algo muito rápido. Você interrompe a atividade elétrica normal naquele momento por algum motivo”.
A convulsão pode ser provocada por distúrbios metabólicos, intoxicação medicamentosa, hipoglicemia, desidratação, privação de sono, uso ou abstinência de álcool. Mas é importante diferenciar o que é provocador do que é apenas facilitador, explica a médica.
Nem toda convulsão significa epilepsia. A neurologista Ana Claudia Andrade ressalta que existem dois tipos de convulsão: as crises sintomáticas provocadas por algo externo e as não provocadas, em que há predisposição genética.
“Quando ocorre mais de uma crise não provocada, podemos chamar de epilepsia”.
Em casos de convulsão, Daniel Escobar, neurologista, ressalta que o primeiro passo é manter a calma. “Deitar o paciente, afastar objetos que possam fazer com que ele se machuque, afrouxar roupas, se tiver alguma coisa apertada, e virar a cabeça do paciente de lado para que ele não engasgue”.
Jacque Barros, embaixadora da Associação Brasileira de Epilepsia (ABE-ES), explica: “Se a pessoa ficar com a barriga para cima, como ela não vai estar engolindo a saliva, ela pode broncoaspirar e sufocar”.
Até o fechamento desta edição, a produção do “BBB26” ainda não havia divulgado se o ator Henri Castelli continua no jogo ou não.
Tire suas dúvidas
O que é?
A convulsão é uma interrupção da atividade elétrica normal do cérebro, como se fosse um blackout ou um curto-circuito.
Durante a convulsão a atividade elétrica normal é interrompida por algum motivo.
Convulsão e epilepsia são a mesma coisa?
Não. A convulsão é uma crise única, normalmente generalizada. O paciente cai, apresenta movimentos musculares involuntários, pode ter desvio do olhar, do pescoço e pode fazer urina ou fezes porque não tem consciência naquele momento.
Já a epilepsia é diferente: ela é caracterizada por duas crises epilépticas, com intervalo maior que 24 horas entre elas, ou por uma crise única associada a um achado que justifique alto risco de recorrência.
Como reconhecer os sinais?
Algumas pessoas tem “pródomos”, que são algum tipo de sensação ou mal-estar que já reconhecem como um prenúncio da crise.
Mas a maioria dos casos não dá para prever quando a crise vai ocorrer e nem se preparar.
O que pode desencadear?
A convulsão pode ser provocada por distúrbios metabólicos, intoxicação medicamentosa, hipoglicemia, desidratação, privação de sono, uso ou abstinência de álcool. Mas é importante diferenciar o que é provocador do que é apenas facilitador.
fatores como hipoglicemia, desidratação, alteração metabólica, privação de sono e estresse físico e emocional podem facilitar a crise. Pode ser um paciente que já tinha uma predisposição individual e esses fatores funcionaram como gatilho.
Se for recorrente?
Para saber se quem teve uma vez terá novas crises é necessário uma avaliação médica individual, pois há uma série de critérios que o médico avalia para saber o risco de recorrência das crises.
O que fazer para socorrer
O nome do protocolo é “CALMA”. A primeira coisa é manter a calma. Se perceber que a pessoa vai cair, tente amparar para evitar que bata a cabeça. Depois que ela cair, proteja a cabeça com algo macio ou com a mão espalmada. Não prenda braços ou pernas, porque a força nessa hora é muito grande e pode machucar você e a pessoa.
A letra “A” lembra para afastar objetos: remova objetos perigosos (como móveis, objetos cortantes ou óculos) próximos à pessoa para evitar lesões físicas durante os movimentos involuntários.
O “l” é para virar a pessoa de lado, para facilitar a respiração e prevenir que sufoque com saliva ou vômito.
“M” para monitorar o tempo: observe a duração da convulsão. Se a crise ultrapassar cinco minutos, é um sinal de alerta e o serviço de emergência (Samu 192) deve ser acionado.
O último “A” é de acompanhe: permaneça com a pessoa até que ela recupere totalmente a consciência e esteja em segurança.
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