Faxina perigosa: mais de 1.000 casos de intoxicação por produtos de limpeza
Especialistas explicam que ao misturar produtos com princípios ativos diferentes, pode ocorrer a formação de substâncias tóxicas
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A limpeza de cômodos da casa, como banheiros, por exemplo, pode se tornar perigosa com o uso incorreto de produtos químicos. Mais de mil casos de intoxicação por misturas de produtos de limpeza foram notificados no Estado em 2025. De janeiro a março deste ano, já foram contabilizadas 239 ocorrências.
Os casos foram registrados pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) do Estado. O assunto ganhou destaque após uma mulher morrer, na Bahia, depois de combinar produtos químicos para limpar o banheiro.
Ao misturar produtos de limpeza com princípios ativos diferentes, pode ocorrer reação química, com formação de substâncias tóxicas, explica Cleocir José Dalmaschio, professor do Departamento de Química da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
“O mais comum é a formação de gás cloro e cloroaminas. Ambos são substâncias que formam vapores em condições ambientes e que são tóxicas, mesmo em baixas concentrações”, explicou.
O produto que deve ser manuseado com maior cuidado durante a limpeza doméstica é a água sanitária, que jamais deve ser misturado com outra substância, apenas água, alerta Jenifer Rigo, professora de Química.
“A mistura de água sanitária com ácidos como o vinagre gera o gás cloro, que possui odor sufocante e gera queimaduras químicas internas. Misturada com álcool, gera clorofórmio, que causa tontura e desmaio, atacando o sistema nervoso central”, alertou.
Em caso de intoxicação, a orientação é abrir janelas e portas para circular o ar, e procurar atendimento médico rápido, destaca Rinara Angélica de Andrade Machado, médica do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox).
“Funcionamos 24 horas, orientando a descontaminação e a unidade médica mais próxima. A ligação é gratuita para o 0800-283-9904”.
Saiba mais
Intoxicação química
239 casos de intoxicação acidental por produtos químicos de uso doméstico foram registrados de janeiro a março deste ano.
79 desses casos envolveram hipoclorito de sódio, o que corresponde a 33,05% deles.
A faixa etária com maior ocorrência de casos (110) foi entre um e quatro anos. A segunda maior foi entre 50 e 59 anos (22 casos).
2025
1.006 registros de intoxicação acidental por misturas de produtos de limpeza foram notificados no ano passado, com 103 casos de janeiro a março.
367 ocorrências de intoxicação acidental por produtos envolveram hipoclorito de sódio, o que representa 36,48% das notificações.
476 notificações de intoxicação acidental por produtos envolveram a faixa etária entre um e quatro anos; 94 pessoas entre 40 e 49 anos; além de 92 pessoas entre 30 e 39 anos.
Formas de prevenção
Seguir instruções do rótulo de qualquer produto químico é o passo mais importante.
Nunca limpe banheiros ou áreas de serviço com portas e janelas fechadas: o ar precisa circular para que os vapores dos produtos não fiquem concentrados.
Ligue ventilador ou exaustor se o ambiente não tiver janelas.
Enxágue com água em abundância se for usar mais de um produto no mesmo local, para remover qualquer resíduo químico e evitar reações químicas.
Utilize luvas de borracha e botas, pois muitos produtos são absorvidos pela pele.
Se o cheiro estiver forte, utilize máscaras apropriadas para vapores químicos (máscaras de pano comuns não impedem gases tóxicos).
Sintomas de intoxicação
Tosse, espirro, irritação nos olhos e lacrimejamento são os sintomas leves, que podem evoluir para dor de cabeça, tontura ou confusão.
Dependendo da concentração química e do tempo no ambiente, a exposição à mistura tóxica pode até causar risco de vida por insuficiência respiratória, que pode evoluir para parada cardiorrespiratória.
O que fazer em emergências
Abra janelas e portas imediatamente, para deixar o ar circular no espaço.
Em seguida, procure atendimento médico o mais rápido possível.
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) do Estado oferece informações gratuitas, por telefone, para vítimas de intoxicação química.
O serviço funciona 24 horas por dia, informando medidas de descontaminação e indicando o serviço médico de urgência e emergência mais próximo da residência da vítima.
O telefone de contato é: 0800-283-9904.
Levar o produto que causou a intoxicação também é importante para o atendimento médico.
Inalação de gases tóxicos
Água sanitária causou morte
Evelline Paulo da Silva Lobo, fonoaudióloga de 39 anos, morreu em Camaçari, na Bahia, após sofrer um edema de glote, inchaço causado na região do pescoço, por inalação de gases tóxicos.
Segundo um primo da vítima, ela fez uso excessivo de água sanitária. “Quando chegaram, ela já estava no chão, segurando um rodo”, relatou. Evelline teve uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
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