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Farmácias do SUS sem remédios contra 30 doenças

| 05/02/2020 11:12 h | Atualizado em 05/02/2020, 11:46

Paulo Cezar: “Essencial para mim”
Paulo Cezar: “Essencial para mim” |  Foto: Simony Giuberti

Cada vez mais procurados por pacientes, remédios fornecidos de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para tratar cerca de 30 doenças estão em falta nas farmácias cidadãs.

Os medicamentos, que são fornecidos pelos governos federal e estadual e incluem os de alto custo, contam com uma demanda expressiva. No ano passado, por exemplo, mais de 980 mil pacientes foram contemplados no Estado.

São remédios para Alzheimer, doença de Parkinson, dor, depressão, problemas cardíacos, artrites, anemias crônicas, antipsicóticos, trombose, entre outros.

Na tarde de terça-feira (4), a reportagem ouviu dezenas de pacientes que, apesar de elogiarem o fornecimento de remédios, lamentaram que nem todos os medicamentos estão sempre disponíveis.

Um dos medicamentos em falta é o Gabapentina de 300 mg (cápsulas) indicado para pacientes com ansiedade e dor crônica. Coincidentemente cinco pacientes ouvidos na tarde de ontem pela reportagem em locais distintos estão na fila de espera pelo remédio.

Um deles é o aposentado Paulo Cezar Andrade, de 59 anos. Ele utiliza o medicamento há quatro anos e é portador de espondilite anquilosante. O remédio serve para aliviar dor na coluna.

“Sem esse remédio, eu não consigo nem me mexer. É essencial para mim. Consegui o Tramadol, mas o Gabapentina não tinha”.

O presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM-ES), Celso Murad, disse que em boa parte desses medicamentos há risco muito alto para interrupção, mesmo se ocorrer em tempo curto, podendo provocar complicações e até evoluir para mortes, dependendo da gravidade.

Nos exemplos citados estão: problemas cardíacos, controle de pressão arterial, diabetes, transtornos mentais e outros.

O presidente do Sindicato dos Médicos do Estado, Otto Fernando Baptista, que também é vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos, comentou que a burocracia para liberar os remédios, muitas vezes, é um complicador.

“É preciso desburocratizar. Isso evitaria que pacientes fiquem sem medicamentos ou tenham até que comprar remédios muitas vezes de alto custo”.

Entre as exigências para entrar na fila de fornecimento está a abertura do processo para solicitação, apresentar documentos (com cópias), Cartão SUS, receita médica (em duas vias), entre outros.

Lista para a mulher

O lanterneiro aposentado José de Almeida, de 69 anos
O lanterneiro aposentado José de Almeida, de 69 anos |  Foto: Leone Iglesias/ AT/ 05/02/2020
Com uma lista de seis medicamentos indicados para a mulher, o lanterneiro aposentado José de Almeida, de 69 anos, esteve na terça no Centro Regional de Especialidades (CRE) Metropolitano, em Cariacica.

Entretanto, ele só conseguiu pegar a metade da lista. “Esses remédios são para tratar várias doenças da minha mulher. Ela tem diabetes, perdeu um rim e tem problemas cardíacos. Às vezes, quando não encontro alguns remédios, a gente compra, mas nem sempre dá”.

Problema cardíaco

A aposentada Delmira Borges Leal, de 85 anos
A aposentada Delmira Borges Leal, de 85 anos |  Foto: Simony Giuberti
Sofrendo de problemas cardíacos, a aposentada Delmira Borges Leal, de 85 anos, precisou passar por uma cirurgia em junho do ano passado.

Desde então, ela faz uso do medicamento Atorvastatina, que auxilia no tratamento. Há dois meses, ela começou a pegar o remédio gratuitamente na Farmácia Cidadã de Vila Velha.

No entanto, ontem ela não conseguiu a medicação, que está em falta. “Vou aguardar um pouco, ainda tenho dois comprimidos. Se não chegar, vou ter que comprar. Custa R$ 180, mas a gente dá um jeito”.

Colírio em falta

Com glaucoma em uma vista, o mecânico aposentado José Roberto Ramalhete, de 67 anos, foi na terça ao Centro Regional de Especialidades (CRE) Metropolitano, em Cariacica, mas não conseguiu um dos remédios: Brimonidina.

Ele conseguiu outros frascos de remédios para o mesmo tratamento. “Me pediram para retornar na sexta-feira, o que farei, pois é muito importante conseguir esses remédios de graça”.

O mecânico aposentado José Roberto Ramalhete, de 67 anos
O mecânico aposentado José Roberto Ramalhete, de 67 anos |  Foto: Leone Iglesias/ AT/ 05/02/2020

Alguns medicamentos em falta

Grande Vitória

Vitória

  • Rivastigmina 1,5 mg (Cápsula): é usado no tratamento de problemas de memória e demência em pacientes com doença de Alzheimer ou doença de Parkinson.
  • Atorvastatina 40 mg (comprimido): hipercolesterolemia isolada (aumento da quantidade de colesterol no sangue) ou associada com outras complicações.
  • Calcipotriol 50 mcg/g (pomada): tratamento da psoríase.
  • Dieta Enteral À base de caseinato - A1 : suplemento alimentar.
  • Dieta Enteral À base de soja - A2: suplemento alimentar.
  • Gabapentina 300 mg (cápsula): indicado para tratamento de dor crônica ou ansiedade.
  • Montelucaste de sódio 5 mg (comprimido): indicado para tratamento de asma e rinite alérgica.
  • Somatropina 12 UI (ampola): indicado para portadores de hipopituitarismo, conhecido por ser a deficiência de liberação do hormônio do crescimento humano.

Vila Velha

  • Somatropina 12 UI (ampola): indicado para portadores de hipopituitarismo, conhecido por ser a deficiência de liberação do hormônio do crescimento humano.
  • Montelucaste de sódio 4 mg (comprimido): tratamento de asma e rinite alérgica.
  • Gabapentina 300 mg (cápsula): dor crônica ou ansiedade.
  • Dieta Enteral À base de caseinato - A1 : suplemento alimentar.
  • Dieta Enteral À base de soja - A2: suplemento alimentar.
  • Clobazam 10 mg (comprimido): calmante, indicado para pacientes com ansiedade aguda.
  • Calcipotriol 50 mcg/g (pomada): tratamento da psoríase.
  • Atorvastatina 40 mg (comprimido): hipercolesterolemia isolada (aumento da quantidade de colesterol no sangue) ou associada com outras complicações.
  • Acitretina 10 mg ( cápsula): tratamento da psoríase.
  • Rivastigmina 1,5 mg e 6 mg (Cápsula): é usado no tratamento de problemas de memória e demência em pacientes com doença de Alzheimer ou doença de Parkinson.

Serra

  • Somatropina 12 UI (ampola): para portadores de hipopituitarismo, conhecido por ser a deficiência de liberação do hormônio do crescimento.
  • Lamotrigina 50 mg (comprimido): crises convulsivas.
  • Enoxaparina sódica 60 mg/0,6 ml (ampola): prevenção de trombose na gravidez.
  • Dieta Enteral À base de soja - A2: suplemento alimentar.
  • Clobazam 10 mg (comprimido): calmante, indicado para pacientes com ansiedade aguda.
  • Calcipotriol 50 mcg/g (pomada): tratamento da psoríase.
  • Rivastigmina 1,5 mg e 6 mg (Cápsula): tratamento de memória e demência em pacientes com doença de Alzheimer ou doença de Parkinson.
  • Paricalcitol 5 mcg/mL (ampola): hormônio da tireóide associado à insuficiência crônica dos rins.
  • Imunoglobulina humana 5,0 G (ampola): reposição de anticorpos naturais.

Cariacica

  • Somatropina 12 UI (ampola): indicado para pacientes que são portadores de hipopituitarismo, conhecido por ser a deficiência de liberação do hormônio do crescimento humano.
  • Risedronato 35 mg (comprimido): tratamento da osteoporose em mulheres no período pós-menopausa com aumento no risco de fraturas.
  • Gabapentina 300 mg (cápsula): tratamento de dor crônica ou ansiedade.
  • Dieta Enteral à base de soja - A2: suplemento alimentar.
  • Calcipotriol 50 mcg/g (pomada): tratamento da psoríase.
  • Brinzolamida 10 mg/mL (suspensão oftálmica): tratamento com colírio.
  • Brimonidina 2,0 mg/mL (solução oftálmica): colírio.
  • Rivastigmina 1,5 mg (Cápsula): tratamento de memória e demência em pacientes com Alzheimer ou doença de Parkinson.
  • Paricalcitol 5 mcg/mL (ampola): hormônio da tireoide associado à insuficiência crônica dos rins.

Outros municípios

Aracruz

  • Rivastigmina 1,5 mg e 6 mg

São Mateus

  • Paricalcitol 5 mcg/mL (solução injetável)
  • Rivastigmina 1,5 mg (cápsula)
  • Rivastigmina 18 mg (adesivo)
  • Dieta Enteral à base de soja - A2
  • Enoxaparina sódica 20 mg/0,2 ml (solução injetável)
  • Gabapentina 300 mg
  • Lamotrigina 50 mg
  • Risedronato 35 mg
  • Somatropina 12 UI injetável

Nova Venécia

  • Rivastigmina 1,5 mg

Colatina

  • Rivastigmina 1,5 mg
  • Calcipotriol 50 mcg/g

Linhares

  • Rivastigmina 1,5 mg e 6mg
  • Rivastigmina 18 mg (adesivo)
  • Brinzolamida 10 mg/ml
  • Dieta Enteral à base de caseinato - A1
  • Enoxaparina sódica solução injetável 60 mg/0,6 ml
  • Raloxifeno 60 mg
  • Risedronato 35 mg
  • Somatropina 12 UI injetável

Venda Nova do Imigrante

  • Brinzolamida 10 mg/mL
  • Calcipotriol 50 mcg/g
  • Mesalazina 500 mg
  • Montelucaste de sódio 5 mg
  • Risedronato 35 mg

Cachoeiro de Itapemirim

  • Brimonidina 2,0 mg/mL
  • Calcipotriol 50 mcg/g
  • Clobazam 10 mg
  • Enoxaparina sódica solução injetável 60 mg/0,6 ml
  • Gabapentina 300 mg
  • Lamotrigina 50 mg
  • Montelucaste de sódio 4 mg
  • Risedronato 35 mg
  • Somatropina 12 UI injetável

Guaçuí

  • Acitretina 25 mg
  • Atorvastatina 10 mg
  • Clobazam 20 mg
  • Enoxaparina sódica solução injetável 20 mg/0,2 ml

OBS: A lista foi atualizada na terça, mas poderá sofrer alterações dependendo da demanda.
Fonte: Ministério da Saúde, Sesa e o psiquiatra Valber Dias Pinto.

Mais medicamentos a partir desta quarta-feira (5)

A espera dos pacientes que estão precisando de remédios que são fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não será grande.

É que a partir desta quarta, alguns medicamentos que são fornecidos pelo governo estadual começam a chegar nas Farmácias Cidadãs do Espírito Santo, de acordo com a previsão feita pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

Um dos remédios que serão abastecidos hoje é o Gabapentina de 300 miligramas. A medicação está em falta em Vila Velha, no Centro Regional de Especialidades (CRE) Metropolitano, que fica em Cariacica, além de Cachoeiro de Itapemirim, São Mateus e Vitória.

Segundo a Sesa, todos os esforços estão sendo empenhados para que a distribuição dos remédios se normalize o mais rápido possível. A secretaria informou que a reposição acontece de forma gradual.

A gerência de Assistência Farmacêutica Estadual destacou que 333 medicamentos são disponibilizados nas 12 Farmácias Cidadãs.

A lista dos remédios que não estão disponíveis foi atualizada na terça. De acordo com a Sesa, a falta está relacionada ao atraso nas entregas por parte dos fornecedores.

Quanto aos medicamentos em falta, que são de responsabilidade do Ministério da Saúde, a secretaria destacou que monitora e aguarda o envio dos lotes.

Sobre o fornecimento dos remédios de responsabilidade do governo federal, o Ministério da Saúde não informou um prazo, uma vez que a equipe técnica que faz o levantamento explicou que precisa de um tempo maior para estabelecer as datas com precisão.

Cobertura
Em relação ao alcance dos remédios fornecidos pelo SUS, a Sesa destacou que Espírito Santo possui um dos melhores índices de cobertura de todo País – uma média de 98% – e trabalha com planejamento das compras das substâncias.

Explicou, no entanto, que alguns fatores inerentes à fabricação e entrega das medicações, por parte dos fornecedores, não estão sob a gestão da Secretaria de Saúde.

Ainda assim, a Sesa esclareceu que as farmácias contam com substitutos terapêuticos que podem ser prescritos pelos médicos de acordo com o caso de cada paciente.

A Sesa ressaltou que a demanda por medicação é livre, e para abertura do processo de solicitação de medicamentos, o paciente, ou responsável legal, deve comparecer a uma Farmácia Cidadã de referência de seu município, portando os documentos informados no site da secretaria (www.sesa.es.gov.br).

Estoque baixo reduz oferta

O professor Vagner de Souza, de 43 anos
O professor Vagner de Souza, de 43 anos |  Foto: Leone Iglesias/ AT/ 05/02/2020
Diagnosticado com inflamação no intestino, o professor Vagner de Souza, de 43 anos, necessita do medicamento Mesalazina, que é disponibilizado na Farmácia Cidadã da capital.

Só que, segundo ele, o estoque está reduzido e, por conta disso, só conseguiu pegar uma caixa na terça.

“A cada três meses eu tenho de levar documentos exigidos para ter direito a pegar os remédios. Na ocasião, eu pego a quantidade que uso nesse prazo. Só que, no mês passado, como o estoque estava baixo, me deram para um mês e marcaram para eu retornar hoje (ontem), o que fiz. Só que novamente recebi o quantitativo para um mês”.

Mais inclusão
A sugestão do motorista Carlos Magno Sarmento, de 60 anos, é que a lista do Sistema Único de Saúde (SUS) seja ampliada para medicamentos que ainda não são contemplados.

“Eu necessito de um colírio, que não recordo o nome, para lubrificação do meu olho, mas ele ainda não foi liberado. O jeito seria comprar na farmácia, mas estou desempregado desde maio de 2018 e, sem trabalho, fica difícil arcar com qualquer tratamento”, lamentou.

O motorista Carlos Magno Sarmento
O motorista Carlos Magno Sarmento |  Foto: Leone iglesias/ AT/ 05/02/2020

Sem alimentação

A mulher do portuário Adilson Carlos de Souza, de 55 anos, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e não consegue ingerir nenhum tipo de alimento.

Por isso, há nove anos ela faz uso da dieta enteral à base de soja - A2, que é fornecida gratuitamente pelo governo estadual. Na terça, porém, ele foi até a Farmácia Cidadã de Vila Velha e não conseguiu o suplemento.

“Me deram a previsão de que no dia 8 desse mês vai chegar. Tenho fé em Deus que vou conseguir. Minha mulher não pode ficar sem esse suplemento porque é toda a alimentação que ela pode ingerir”, afirmou.

O portuário Adilson Carlos de Souza
O portuário Adilson Carlos de Souza |  Foto: Simony Giuberti

Estado deve ter 10.800 novos casos de câncer este ano

Para marcar os 20 anos de criação do Dia Mundial do Câncer, lembrado sempre em 4 de fevereiro (ontem), o Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou a “Estimativa 2020: Incidência de Câncer no Brasil”. A publicação aponta que 625 mil brasileiros terão algum tipo de tumor este ano.

No Espírito Santo, o relatório destaca que 10.880 pessoas serão diagnosticadas com a doença em 2020. O número é 5,71% menor que o de 2019, quando foram feitos 11.540 registros da doença.
Ainda no Estado, o Inca estima 1.380 casos novos de câncer de próstata por ano. Entre as mulheres, o instituto calcula que serão feitos anualmente 790 registros de tumor de mama.

As estimativas da confirmação de novos casos de doenças preocupam profissionais da saúde, como o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado, Otto Fernando Baptista. Para eles, o fornecimento de remédios no SUS é essencial no auxílio dos tratamentos.

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