Excesso de peso atinge mais de 1 milhão de pessoas no Espírito Santo
Doença avança com alta acentuada entre mulheres e jovens. Médicos alertam para riscos e dizem que os dados são preocupantes
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O Mapa da Obesidade no Brasil, elaborado pelo Vigitel e conduzido pelo Ministério da Saúde, apontou um avanço significativo da doença no País. Entre 2006 e 2024, a prevalência da obesidade aumentou 118%, alcançando o equivalente a um em cada quatro adultos brasileiros – ou 25,7% da população.
No Espírito Santo, o cenário também acendeu o alerta: cerca de 40% da população está nessa condição, segundo levantamento feito pelo O Globo. Em números absolutos, esse percentual representa mais de 1 milhão de pessoas.
Ao considerar apenas pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o recorte mostrou que, no ano passado, 553.672 pessoas no Estado apresentavam sobrepeso ou obesidade, segundo o Índice de Massa Corporal (IMC). Os dados são do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde.
Para a presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia do Espírito Santo, Maria Amélia Julião, os dados são preocupantes.
“Eu diria que os dados são críticos. Ver um aumento de 118% na prevalência da obesidade em apenas 18 anos (de 2006 a 2024) é um sinal de que estamos diante de uma epidemia descontrolada. O que mais nos aflige é ver que esse crescimento é mais acentuado entre jovens de 25 a 34 anos e mulheres”.
A endocrinologista Mariana Guerra, delegada da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) no Estado, reforçou que a obesidade é uma doença crônica.
“Por exemplo, a obesidade pode aumentar o risco de 14 tipos de câncer, causar diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, como infarto e derrame, esteatose hepática (gordura no fígado) e outras”.
Já Mario Sergio Zen, endocrinologista do Hospital das Clínicas – Ufes, salientou que vencer a obesidade exige conscientização individual e políticas públicas voltadas à promoção da saúde.
Segundo ele, é fundamental priorizar a alimentação saudável, evitar ultraprocessados e manter a prática regular de exercícios. Por fim, ele destacou que medicamentos ajudam, mas não fazem milagres: “Sem mudança permanente no estilo de vida, não há resultado duradouro”.
O que eles dizem
Desafio do século
“A obesidade é o grande desafio sanitário do século. É a ‘doença das doenças’. O estilo de vida moderno, com o marketing agressivo de produtos ultraprocessados, a falta de tempo para cozinhar e o sedentarismo no lazer e no trabalho, criou um ambiente ‘obesogênico’, que exige uma mudança estrutural na sociedade, na economia e no acesso à saúde. Se não tratarmos a obesidade com a seriedade que ela merece, veremos uma redução na expectativa de vida”.
Maria Amélia Julião, endocrinologista
Preocupante
“Esse dado é muito preocupante. Não se trata apenas de comer menos e fazer exercício. Para muitos pacientes, é preciso medicação, com indicação e acompanhamento médico. Remédio não é estética, é tratamento. Quem tem IMC (Índice de Massa Corporal) elevado e doenças associadas precisa ter acesso a esse cuidado”
Mariana Guerra, endocrinologista
Problema global
“No SUS, monitoramos os dados de estado nutricional por meio do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan). Com esses dados, acompanhamos mês a mês e ano a ano como a doença se comporta no território, tanto no Estado quanto nas regiões e nos municípios. E o que observamos é que se trata de um problema global. A obesidade não é só um problema de saúde”.
Raiany Boldrini Christe Jalles, referência técnica em Nutrição da Sesa
Aumenta a mortalidade
“O excesso de peso preocupa e pode desencadear inúmeras doenças físicas e psicológicas. Está associado à depressão, ansiedade e preconceito social. Do ponto de vista orgânico, aumenta o risco de hipertensão, diabetes, colesterol alto, artrose, gordura no fígado, vários tipos de câncer, infarto, AVC e apneia do sono. Isso compromete seriamente a qualidade de vida e aumenta a mortalidade”.
Mario Sergio Zen, endocrinologista
Saiba Mais
Obesidade
No País
A taxa de obesidade no Brasil saltou 118% entre 2006 e 2024, segundo dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, chegando a uma proporção de 1 a cada 4 adultos no País (25,7%).
O Vigitel é um inquérito que ouve as capitais brasileiras, mas dados de 2025 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), baseados nos atendimentos na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), mostram um cenário ainda mais preocupante.
De acordo com os números, extraídos pelo O Globo, 36,3% dos brasileiros adultos atendidos no ano passado tinham obesidade, e 70,9% estavam acima do peso.
No Espírito Santo
No Espírito Santo, cerca de 40% da população está nessa condição, segundo levantamento feito pelo O Globo. Isso representa mais de 1 milhão de pessoas.
A reportagem de A Tribuna solicitou quinta-feira (26) outros dados do Espírito Santo. No entanto, o Ministério da Saúde informou que aguardava o recorte da área técnica.
Paralelamente, a reportagem fez um levantamento via Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, do Ministério da Saúde, e constatou que 553.672 crianças, adolescentes, adultos e idosos no Estado atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) apresentavam sobrepeso ou obesidade, em 2025, de acordo com o Índice de Massa Corporal (IMC).
Sinais
Os sinais vão além do ponteiro da balança. Dificuldade em controlar o apetite ou saciedade tardia, cansaço excessivo e falta de fôlego para atividades simples, dores nas articulações, alterações nos exames de rotina (colesterol, glicose ou gordura no fígado), roncos, apneia do sono e hipertensão são alguns exemplos citados por médicos ouvidos pela reportagem.
Quando é hora de buscar ajuda?
Para a presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia do Espírito Santo, Maria Amélia Julião, a hora de buscar ajuda é agora, especialmente se o indivíduo percebe que o peso está interferindo na sua qualidade de vida.
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