Hospital do ES é opção para nova fase de estudos da Polilaminina
No Estado, cinco pacientes já receberam o medicamento por meio de decisão judicial
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O Espírito Santo pode ganhar protagonismo em uma nova etapa de pesquisas clínicas com a polilaminina, substância capaz de regenerar lesões na medula espinhal. No Estado, cinco pacientes já receberam o medicamento por meio de decisão judicial.
Segundo o secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann, o Hospital Estadual de Urgência e Emergência “São Lucas” já tem participação garantida na fase 2 dos estudos, etapa que amplia o número de centros e pacientes avaliados.
“Já sabemos que estaremos na fase 2 de estudos, solicitamos ao grupo de pesquisa e eles aceitaram. Não há um compromisso formalizado, mas temos ‘apalavrado’ que o ‘São Lucas’ fará parte da fase 2. Amanhã (quinta-feira, 26) iremos confirmar durante reunião com a doutora Tatiana Sampaio e sua equipe”, adiantou o secretário.
A inclusão do hospital estadual ocorre após articulações do Estado com a equipe liderada pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pela descoberta da polilaminina, e o Laboratório Cristália, que conduz o estudo clínico.
“Temos um médico da equipe dela que é capixaba, Olavo Borges Franco, e isso nos ajuda bastante nessa interlocução, e ainda temos um dos principais hospitais do Brasil referência em trauma, que é o ‘São Lucas’”, destacou o secretário.
Em janeiro, a reportagem de A Tribuna já havia adiantado esse interesse do Estado em sediar a fase 2 de estudos, conforme relatou, à época, o coordenador do Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI) da Polilaminina no Estado, Mitter Mayer.
Há quase 30 anos, a substância tem sido estudada por pesquisadores, mas só teve o início dos estudos clínicos de fase 1 autorizados em janeiro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
De acordo com o secretário, o Estado demonstrou interesse em participar desde as primeiras conversas e colocou à disposição infraestrutura hospitalar, apoio científico e possibilidade de financiamento.
O avanço para a nova etapa depende da autorização da Anvisa, que regula pesquisas clínicas no País. Segundo Tyago, informações preliminares indicam que, diante do potencial terapêutico observado, o estudo pode seguir diretamente para a fase 2, o que permitiria a entrada imediata do hospital capixaba.
Saiba mais
Polilaminina
A polilaminina é baseada na laminina, proteína natural que forma uma grande malha durante a fase embrionária e auxilia na comunicação entre neurônios. Com o tempo, essa proteína se torna rara no organismo adulto.
O fármaco é resultado de quase 30 anos de pesquisa liderada pela doutora Tatiana Coelho de Sampaio, da UFRJ, em parceria com o Laboratório Cristália.
Tatiana descobriu que era possível recriar em laboratório essa malha, extraindo a proteína de placentas, e aplicá-la diretamente na região lesionada da medula. Quando reintroduzida no corpo, a polilaminina ajuda os neurônios a formarem novos caminhos para os impulsos elétricos que permitem movimentos.
O tratamento consiste em uma aplicação cirúrgica única no ponto da lesão, geralmente dentro de 72 horas após o acidente, aumentando as chances de recuperação.
Testes
Os primeiros testes foram realizados em animais e mostraram efeitos animadores.
Em ratos, os sinais começaram a aparecer em 24 horas e a recuperação em cerca de oito semanas; em cães, houve diferentes níveis de recuperação do movimento das patas.
Nos estudos clínicos iniciais em humanos, oito voluntários receberam a medicação até três dias após a lesão. O efeito foi visto como promissor.
Anvisa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou em janeiro o início do estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança da polilaminina.
No estudo, será utilizada laminina na concentração de 100 microgramas por mililitro, em solução injetável, que será diluída antes da aplicação para formar a polilaminina. A administração será intramedular e única, diretamente na área lesionada da medula.
O estudo clínico vai avaliar a segurança da aplicação em cinco pacientes com idade entre 18 e 72 anos, que têm lesões agudas completas da medula espinhal torácica entre as vértebras T2 e T10, ocorridas há menos de 72 horas, e indicação cirúrgica.
Espírito Santo
A expectativa do governo do Estado é que, se confirmada a autorização regulatória, o Espírito Santo atue como um dos polos de pesquisa clínica na fase 2 de estudos.
Fontes: UFRJ, Anvisa e pesquisa AT.
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