ES investiga 4 mortes por suspeita de dengue
Somente este ano, seis mortes foram confirmadas pela doença, segundo painel de monitoramento. Em 2025, foram duas
O Espírito Santo investiga mais quatro mortes por suspeita de dengue. Até o momento, este ano, seis mortes foram confirmadas pela doença, segundo o painel de Monitoramento das Arboviroses no Espírito Santo do Instituto Jones dos Santos Neves. No ano passado, foram registradas duas mortes, ambas de mulheres entre 60 e 69 anos.
As seis vítimas confirmadas este ano são moradores de Baixo Guandu, Jerônimo Monteiro, Muniz Freire, Nova Venécia, Serra e Vitória, com uma morte em cada município. Quatro vítimas eram homens e duas, mulheres. As mortes ocorreram em pessoas de diferentes idades: duas tinham entre 20 e 29 anos, duas entre 70 e 79 anos, uma entre 30 e 39 anos e uma entre 50 e 59 anos.
O Estado contabiliza 46.523 notificações de dengue em 2026, das quais 16.252 foram confirmadas.
“Este ano, tivemos um número de casos dentro da zona endêmica. Não é um dos menores da nossa série histórica, mas, comparado aos anos de epidemia em 2023 e 2024, temos uma redução de cerca de 50%”, explica João Paulo Cola, referência técnica das arboviroses do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
A expectativa, segundo Colla, é de aumento de casos no fim deste ano e no início de 2027, diante da previsão de calor intenso e chuvas associadas ao fenômeno El Niño. “Essas condições podem favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, e o aumento de casos”.
Pessoas com doenças crônicas, idosos, crianças e gestantes precisam de cuidados diferenciados, alerta a Martina Zanotti, infectologista do Hospital Vitória Apart.
“Especialmente se essas pessoas tiverem alguma comorbidade, como diabetes, hipertensão, doença cardíaca, pulmonar ou renal. Gestantes também podem ter formas mais graves. Essas pessoas precisam logo procurar atendimento e realizar pelo menos um exame de hemograma, com reavaliação médica regular”.
Automedicação
A médica de Família e Comunidade Taynah Repsold destaca que um dos erros mais preocupantes no tratamento da dengue é a automedicação, principalmente com anti-inflamatórios.
“O uso desses medicamentos pode aumentar o risco de sangramentos e agravar complicações. Alguns anti-inflamatórios também podem comprometer a função renal, especialmente em pacientes desidratados”.
Números da dengue
46.523 notificações da doença foram feitas em 2026.
152 casos confirmados da doença.
6 mortes confirmadas neste ano
4 mortes em investigação.
Em 2025, foram registrados dois óbitos.
Sinais de alarme
A dengue pode se agravar quando a febre começa a desaparecer, geralmente entre o terceiro e o sétimo dia da doença. Por isso, a melhora da temperatura não significa necessariamente que o paciente está se recuperando.
Procure atendimento médico imediatamente se houver dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos, tontura ou desmaio, sonolência excessiva ou fraqueza acentuada e dificuldade para respirar.
Já teve dengue?
Existem quatro sorotipos do vírus da dengue: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Após a infecção, a pessoa desenvolve proteção duradoura contra o sorotipo responsável pelo episódio, mas não fica totalmente protegida contra os outros três.
Uma segunda infecção por um sorotipo diferente pode aumentar o risco de dengue grave.
Remédios que devem ser evitados
Medicamentos com ação anti-inflamatória podem aumentar o risco de sangramentos e, em algumas situações, prejudicar os rins, destaca a médica Taynah Repsold.
Não use por conta própria diante de suspeita de dengue: Ibuprofeno, diclofenac, nimesulida, naproxeno, ácido acetilsalicílico (AAS).
Para febre e dor, dipirona ou paracetamol podem ser utilizados em determinadas situações, respeitando as contraindicações e as doses recomendadas. A escolha do medicamento deve considerar a avaliação profissional.
Hidratação
A dengue pode provocar perda de líquidos por causa da febre, dos vômitos e da redução da ingestão de água. Nos casos graves, também pode ocorrer extravasamento de plasma dos vasos sanguíneos, reduzindo o volume de sangue circulante. Por isso, a hidratação é uma das principais medidas do tratamento.
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