Entenda o sinal que pode significar risco de infarto
Marca no lóbulo da orelha é associada a um risco para doenças. Tema repercutiu após morte do influenciador Henrique Maderite
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Um detalhe quase imperceptível na orelha pode servir de alerta para a saúde do coração. Conhecido como Sinal de Frank, o sulco no lóbulo da orelha tem sido associado a um risco maior de doenças do coração.
O tema ganhou repercussão após a morte do influenciador digital Henrique Maderite, aos 50 anos, na última sexta-feira (6). O mineiro morreu após um ataque fulminante em seu haras, em Ouro Preto, Minas Gerais. Em suas redes sociais, é possível ver em fotos que o influenciador tinha o Sinal de Frank.
O cardiologista Leandro Rua Ribeiro, chefe do Setor de Paciente Crítico do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), explica que o Sinal de Frank não é qualquer marca na orelha.
“É uma marca no lóbulo, uma prega diagonal. Não pode ser horizontal nem vertical, tem de ser diagonal, profunda, bem definida, além de ser analisado um contexto. Pode ocorrer nas duas orelhas, sendo que nesses casos a chance de ser ligada à doença coronariana é maior. É uma marca profunda, não é superficial nem uma ruga de envelhecimento”.
O especialista ressalta ainda que o sinal não é a doença, mas um indicativo de risco. Leandro explica ainda que o lóbulo da orelha é uma região que não possui cartilagem e apresenta uma circulação chamada de terminal. Por isso, alterações de vasos ficam mais visíveis nessa área.
“Fazemos uma analogia de que se a pessoa tem terminações ali, também pode ter no coração. Isso mostra que a pessoa tem o envelhecimento dos vasos mais acelerado do que outras pessoas”.
A cardiologista Tatiane Emerich, da Unimed Vitória, ressalta que o Sinal de Frank pode aparecer em pessoas mais jovens, sendo nessa faixa etária ainda mais significativo. “Ele tem maior correlação com a doença cardiovascular em jovens, com menos de 50 anos, porque nessa idade não tem o envelhecimento do próprio lóbulo da orelha”.
Tatiane alerta ainda que o sinal está associado à maior prevalência de doença aterosclerótica (caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias).
“Ele é um sinal de alerta que deve ser levado em conta no exame físico junto a toda a análise de risco global”, pontuou.
Deise Marçal, cardiologista do Hospital Vitória Apart, destaca que nem todos que possuem o sinal têm a doença aterosclerótica.
“Mas é um alerta. É preciso uma investigação, tomar mais cuidado e melhorar os fatores de risco, como o colesterol alto, fazer atividade física e viver uma vida menos estressante”.
Fique por dentro
Sinal de Frank
O Sinal de Frank não é diagnóstico de doença cardíaca. Ele funciona como um marcador clínico auxiliar, um achado do exame físico que sugere a necessidade de olhar com mais atenção para o risco de doença coronariana, sempre dentro de um contexto clínico mais amplo.
Relação entre o sinal e as doenças cardiovasculares
Descrito pela primeira vez na década de 1970, o sinal está associado à aterosclerose, processo caracterizado pelo acúmulo de gordura nas artérias.
A explicação envolve a microcirculação do lóbulo da orelha: quando o fluxo sanguíneo é reduzido, as fibras da região se reorganizam, alterando sua estrutura e formando a prega visível. Isso pode refletir alterações semelhantes em outras artérias do corpo, como as coronárias.
Como identificar
O sinal não é qualquer marca na orelha. Ele precisa apresentar características específicas: estar localizado no lóbulo da orelha; ser uma prega diagonal (não horizontal nem vertical); ser profunda, contínua e bem definida, atravessando todo o lóbulo; não se estender a outras partes da orelha.
Pode aparecer em uma ou nas duas orelhas — quando é bilateral, a associação com doença coronariana tende a ser maior.
Rugas superficiais, marcas de dormir, cicatrizes, dermatites ou sinais de envelhecimento não são considerados Sinal de Frank.
Quando o sinal chama mais atenção
O Sinal de Frank tem maior relevância em pessoas jovens, especialmente com menos de 50 anos. Isso porque, nos idosos, o próprio envelhecimento natural do lóbulo da orelha pode gerar confusão. Já em jovens, a presença do sinal levanta um alerta mais importante para possível risco cardiovascular.
Risco
O sinal tem pouco impacto adicional em pacientes que já apresentam alto risco cardiovascular, como aqueles com hipertensão, diabetes ou colesterol elevado. Nesses casos, o risco já é conhecido e tratado. Ele se torna mais relevante em pessoas com risco baixo ou intermediário, especialmente quando há histórico familiar de doença cardíaca precoce. O sinal indica a necessidade de investigação cardiológica completa.
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