ELA: Médicos explicam doença que matou ator de série famosa
Esclerose lateral amiotrófica (ELA) afeta o sistema nervoso e causa paralisia. Fatores de risco ainda estão sendo estudados
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Estima-se que entre seis mil a 12 mil pessoas no Brasil tenham a esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença rara e neurodegenerativa, sem causa definida, que afeta o sistema nervoso e causa paralisia irreversível.
A doença ganhou destaque nesta semana após a morte do ator norte-americano Eric Dane, aos 53 anos. Conhecido por papéis nas séries “Grey’s Anatomy” e “Euphoria”, ele havia recebido o diagnóstico da ELA no ano passado.
Médicos ouvidos pela reportagem explicam que entre os sintomas da doença estão perda gradual de força e coordenação muscular e, ainda, incapacidade de realizar tarefas rotineiras, como subir escadas, andar e levantar.
Justamente a perda de força foi um dos primeiros sintomas que levaram o ator em busca de um diagnóstico. Em abril de 2025, quando revelou ter a doença, o ator contou que procurou um médico após perceber fraqueza na mão direita. Após nove meses de consultas médicas, ele recebeu o diagnóstico.
O ator Patrick Dempsey, amigo de Eric, revelou, durante entrevista a uma rádio do Reino Unido, que Eric estava acamado e começando a perder a fala, além de ter dificuldade para engolir.
Segundo o neurologista Gabriel Baltazar, inúmeros fatores de risco estão sendo estudados, mas, até o momento, o que se sabe é que a doença tem componente genético e componente ambiental, como tabagismo. Segundo o médico, a ELA é uma doença exclusivamente motora, também chamada de doença do neurônio motor.
“Atinge tanto os neurônios motores superiores, que saem do cérebro em direção à medula, quanto aqueles que partem da medula para os músculos. “É uma doença que não causa sintomas de sensibilidade e nem cognitivos, na maioria das vezes”.
O diagnóstico, de acordo com a neurologista Ana Cláudia Andrade, é clínico mais eletrofisiológico, por meio da realização de uma eletroneuromiografia. “É preciso também a ressonância do sistema nervoso central para descartar outras doenças neurológicas”.
Já o tratamento, segundo a neurologista Soo Yang Lee, envolve o uso de alguns medicamentos, como o riluzol e o edaravona, que podem retardar a evolução da doença, assim como medidas de suporte multidisciplinar, incluindo fisioterapia, fono e terapia ocupacional, a fim de evitar lesões e adaptar a vida diária do paciente às suas limitações. “Na ELA clássica, a sobrevida média é de cinco anos”.
Saiba mais
Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)
É uma doença, de causa desconhecida, que afeta o sistema nervoso de forma degenerativa e progressiva e acarreta em paralisia motora irreversível.
Em 10% dos casos, a doença é causada por um defeito genético.
No Espírito Santo, segundo a Sesa, atualmente 142 pacientes retiram medicamentos para tratá-la nas Farmácias Cidadãs Estaduais.
Sintomas
Os primeiros sinais, segundo a neurologista Ana Cláudia Andrade, geralmente são fraqueza muscular nas extremidades dos membros superiores ou inferiores junto a fasciculações (espasmos musculares) e atrofias musculares, por exemplo:
Mão dominante mais frequentemente acometida começa a atrofiar e surgem dificuldades em abotoar camisa, escrever, abrir recipientes.
Pode iniciar em membro inferior (pé caído) também. Outra forma possível de início é alteração de fala (fala embolada ou anasalada) e ou dificuldade de deglutição, que surgem de forma progressiva e geralmente evoluem em sequência para alteração de força nos membros.
Público
Os sintomas da ELA normalmente começam a aparecer após os 50 anos, mas podem surgir em pessoas mais novas.
Diagnóstico e tratamento
É essencialmente clínico, baseado na avaliação neurológica detalhada. A eletroneuromiografia é o principal exame complementar, pois avalia a condução dos impulsos elétricos nos nervos e músculos.
Medicamentos como riluzol e edaravone podem retardar a progressão, mas não interrompem a doença. A sobrevida média gira em torno de três a cinco anos, embora existam exceções.
Casos famosos
ELA matou ídolo do futebol aos 54 anos
Em 2014, o ex-atacante Washington Cesar Santos, ídolo de clubes como Atlético-PR e Fluminense, morreu em Curitiba, aos 54 anos, em decorrência da ELA.
O jogador falou da doença pela primeira vez em 2009, mas os primeiros sinais surgiram em 2006. No final, Washington já não falava mais e chamava o cuidador apertando um botão que ficava ao lado de sua cama. Ele morreu em casa.
Cientista desafiou expectativas
O físico britânico Stephen Hawking foi diagnosticado com ELA aos 21 anos, após apresentar quadros de fraqueza muscular nas pernas, e desafiou as expectativas médicas ao viver mais de cinco décadas com a doença. Os médicos previram que ele não viveria mais que três anos. Ele morreu em 2018, aos 76 anos.
Tornou-se um dos cientistas mais influentes do século XX. Com o avanço da doença, Hawking passou a usar cadeira de rodas e, na década de 1980, perdeu a capacidade de falar, mas se comunicava por um sintetizador de voz controlado inicialmente por movimentos da mão e, mais tarde, por um músculo da face.
Apelido para a doença
Ídolo do beisebol norte-americano, o jogador Lou Gehrig, do New York Yankees, anunciou em 1939, aos 36 anos, que deixaria os campos após o diagnóstico de ELA.
Um ano antes, em 1938, o jogador começou a apresentar queda de desempenho, fraqueza muscular e dificuldades de coordenação. Ele morreu em 1941. Desde então, a ELA passou a ser amplamente chamada de “doença de Lou Gehrig” nos Estados Unidos.
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