Dá para imitar os japoneses para viver até os 100 anos?
Especialistas explicam os principais fatores que contribuem para o crescimento da população centenária no Japão
O Japão segue dando exemplo de longevidade ao mundo. O país acaba de alcançar um novo recorde: 99.763 pessoas têm 100 anos ou mais. O número, que cresce há 55 anos seguidos, foi divulgado recentemente pelo governo japonês.
Do total, 87.784 centenários são mulheres, representando 88%, contra 11.979 homens. A média nacional é de 80,58 centenários por 100 mil habitantes. Para entender quais fatores têm contribuído para que o Japão tenha tantos centenários, A Tribuna ouviu médicos.
Segundo os especialistas, vida ativa, dieta equilibrada – com grãos, vegetais e peixes –, controle do estresse e práticas como meditação estão entre os hábitos que têm influência na expectativa de vida dessa população.
“Os japoneses são muito diferentes das pessoas do mundo ocidental. Eles tendem a comer menos gordura e processados. Consomem muito peixe, alga, arroz, verduras e vegetais, o que explica também o fato deles serem mais magros do que as pessoas do mundo ocidental”, aponta o geriatra Roni Mukamal, superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior.
O menor peso, segundo o médico, reflete em menos doenças cardiovasculares, menos infartos, menos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) e, portanto, mais longevidade. “Além disso, o japonês se mexe mais. Mesmo em cidades grandes, ele se desloca mais, mantendo-se ativo. A cultura japonesa valoriza e respeita o idoso, isso também favorece a longevidade”.
Um fator apontado como muito importante pela geriatra Yara Nippes, diretora de defesa do profissional da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Estado (SBGG-ES), é o sistema de saúde japonês, que estimula o idoso a manter seus exames em dia, detectando doenças de forma precoce, somado à consciência sobre a importância de cuidar do corpo e da mente.
A médica geriatra Tábata Cristina de Oliveira, da Unimed Sul Capixaba, destaca ainda que saneamento básico, educação, cuidados com a saúde individual e coletiva, baixos índices de desigualdades sociais, programas e políticas públicas voltadas para o idoso também são formas de explicar um pouco essa longevidade, sem deixar de levar em consideração a genética de um povo.
“Cada cultura cria em torno do seu povo uma forma de viver e conviver socialmente que acaba interferindo direta e indiretamente na sua longevidade. O Japão é um país desenvolvido e isso interfere na longevidade de seus habitantes”, destaca a médica.
Ioga e boas escolhas
Com hábitos de vida que se aproximam dos japoneses, a arquiteta Goreth Gasparini, de 56 anos, sempre demonstrou preocupação com a saúde, buscando uma alimentação mais equilibrada e rica em vegetais.
Há pouco mais de cinco anos, ela deixou de comer carne quando iniciou a formação como instrutora de ioga. “Quando eu comia carne, me sentia mal, porque a digestão demorava. Com a ioga, aprendi a não ingerir o que não me faz bem”, afirmou.
“Hoje, consumo peixe apenas esporadicamente. A ioga me ensinou a fazer boas escolhas; é um estilo de vida. Durmo e acordo cedo, além de ter mudado toda a minha alimentação. Pela manhã, pratico meditação, faço musculação e a ioga entra na minha rotina noturna”, explicou Goreth.
Saiba mais
Longevidade japonesa
Entre os fatores que contribuem para a longevidade japonesa, estão, segundo a geriatra Yara Nippes:
Dieta baseada em plantas, com alto consumo de vegetais e peixes ricos em ômega 3 e baixo consumo de gorduras, industrializados e açúcares refinados.
Consciência na alimentação, mantendo a regra de 80% de saciedade.
Manutenção de uma vida ativa e em movimento.
Prática de bem-estar e saúde mental como mindfulness, ioga, meditação.
Manutenção do senso de comunidade, pertencimento a grupos de interesse – seguindo o conceito de viver com um propósito (Ikigai).
Acesso à saúde
A médica de família e comunidade Jetele Piana aponta ainda que o acesso aos serviços de saúde foi ampliado consideravelmente no pós-Segunda Guerra Mundial, no Japão, possibilitando o melhor acompanhamento de doenças crônicas.
O que pode ser feito no Brasil
Fortalecimento da atenção primária à saúde.
Promoção da alimentação saudável e estímulo à atividade física.
Saúde Mental e socialização.
Redução das desigualdades sociais.
Políticas de prevenção e promoção de saúde.
Incentivar que o cuidado com o envelhecimento comece desde a juventude.
Garantir renda digna e educação financeira ao idoso, permitindo aposentadoria com qualidade de vida.
Promover a vacinação e o acompanhamento regular em todas as fases da vida.
Fonte: Especialistas consultados.
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