"Cura nem sempre estará na farmácia", diz médica sobre saúde mental
Especialistas alertam para risco de medicalização excessiva e defendem avaliação criteriosa antes de tratar cansaço e falta de foco como TDAH
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Em uma sociedade que exige produtividade, busca respostas rápidas para o cansaço mental e a dificuldade de foco – e oferece pouco espaço para descanso – a medicação surge como caminho imediato. Mas especialistas alertam: nem todo sofrimento psíquico se resolve com prescrição.
“Muitas vezes, o que o paciente busca como TDAH é, na verdade, um transtorno de ansiedade não tratado ou apenas uma rotina incompatível com a saúde mental. Nem todo desconforto é patológico; às vezes, a cura está na mudança de hábitos, não na farmácia”, alerta Guilherme Coutinho, neurologista e coordenador do Serviço de Neurologia do Hospital Santa Rita.
Segundo o médico, cansaço e distração pontuais são respostas normais a um mundo hiperestimulante. “Precisamos de autocrítica: como está o nosso sono? Qual a qualidade da nossa alimentação e o tempo de tela?”, destaca.
O neuropsicólogo Rhamon Carvalho reforça ainda o contexto atual em que há altas exigências de produtividade, marcado por agilidade no raciocínio, multitarefas constantes e pouca tolerância a falhas ou pausas.
“Esse cenário tem levado tanto pessoas sem TDAH a buscar estimulantes como forma de melhorar desempenho quanto adultos com TDAH leve ou previamente compensado a perceber prejuízos que antes eram manejáveis. O principal risco é a medicalização da vida cotidiana, em que cansaço crônico, sobrecarga emocional e estresse por conta do trabalho podem ser confundidos com TDAH”.
A neurologista Soo Yang Lee destaca que nem todo paciente com TDAH precisa ser medicado, sendo que, muitas vezes, medidas simples ajudam a lidar com a questão.
“Terapias comportamentais também ajudam bastante. Quando a impulsividade e o comportamento desafiador são intensos, pode haver necessidade de iniciar algum medicamento ainda na idade pré-escolar. O tratamento é sempre individualizado”.
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