Anvisa aprova Mounjaro para crianças e adolescentes com diabetes
Aprovação é para a faixa etária entre 10 e 17 anos que possui diabetes tipo 2. Estudos não mostraram riscos graves
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Falta de atividade física e alimentação rica em carboidratos e ultraprocessados têm impacto direto na saúde, sendo fatores para o desenvolvimento de doenças como diabetes tipo 2. Nem mesmo crianças e adolescentes estão livres do problema que, até alguns anos atrás, era quase exclusivo de adultos.
Estima-se que haja mais de 213 mil adolescentes vivendo com diabetes tipo 2 e 1,46 milhão de adolescentes com pré-diabetes no País, segundo estudo feito em 2019 e publicado no Pediatric Diabetes Journal. Para tratar a doença nesse público, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, ontem, Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento do diabetes tipo 2.
A aprovação é para crianças e adolescentes com idade entre 10 e 17 anos.
O Mounjaro já é aprovado no Brasil para o tratamento do diabetes tipo 2 em adultos, para o controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso com comorbidades e para o tratamento da apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade.
A endocrinologista Priscila Pessanha explica que, provavelmente, os pacientes pediátricos com diabetes tipo 2 também possuem o perfil de obesidade e resistência insulínica. Ainda assim, a liberação da medicação para obesidade sem o diabetes, nesta faixa etária, ainda não aconteceu.
“Crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 com obesidade ou sobrepeso serão os mais beneficiados por esta medicação”.
A endocrinologista e presidente da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia do Estado, Maria Amélia Julião, reforça que os estudos não mostraram riscos graves ou episódios de hipoglicemia severa em adolescentes, o que traz segurança para a prescrição.
Para os pais e pacientes entenderem o que já é realidade, o cenário atual de aprovações, aponta Maria Amélia, é este: “Para obesidade, além da já conhecida liraglutida, temos também a semaglutida aprovada pela Anvisa para adolescentes a partir de 12 anos, com obesidade e mais de 60 quilos” .
O estudo Step Teens mostrou que o uso da semaglutida, aliada a mudanças no estilo de vida, pode reduzir o IMC em cerca de 16%, destacou a médica.
Fique por dentro
Aprovação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes com idade entre 10 e 17 anos.
A medicação já era aprovada no Brasil para o tratamento do diabetes tipo 2 em adultos, para o controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso com comorbidades e para o tratamento da apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade.
Com a nova autorização, o Mounjaro passa a ser o primeiro fármaco da classe dos agonistas duplos dos receptores GIP/GLP-1 liberado para uso pediátrico no Brasil.
Estudo
A autorização da Anvisa foi baseada em resultados de um estudo clínico internacional de fase 3, chamado SURPASS-PEDS, publicado em setembro de 2025 na revista científica The Lancet. A pesquisa mostrou que o medicamento foi eficaz no controle do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes.
Além disso, o estudo também apontou benefícios no peso corporal. O medicamento contribuiu para a redução do índice de massa corporal (IMC), indicador usado para avaliar o peso em relação à altura. Na maior dose testada, a queda média foi de 11,2% em 30 semanas.
Medicamentos liberados para adolescentes
Diabetes
A semaglutida (nome comercial do Ozempic) é aprovada para diabetes tipo 2 em adolescentes a partir de 12 anos.
Já a liraglutida é aprovada para uso a partir dos 10 anos, assim como a recente aprovação do Mounjaro, também para 10 anos, explica a endocrinologista Maria Amélia Julião. Só que o Mounjaro é pioneiro na classe GIP/GLP-1 para essa faixa etária.
Obesidade
A semaglutida (nomes comerciais Wegovy e Poviztra) é aprovada para tratamento de obesidade em adolescentes a partir de 12 anos, informa a endocrinologista Priscila Pessanha.
Quando indicar?
Segundo a pediatra Flavia Tavares, a medicação não deve ser a primeira opção para tratar diabetes tipo 2 em adolescentes e crianças.
“Primeiro tem de haver mudanças de estilo de vida, atividade física, reeducação alimentar e monitoramento das glicemias. E antes da prescrição é importante ter uma avaliação clínica e laboratorial”, destaca a especialista.
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