Congresso de Oncologia: combinação de remédios e terapias para tratar câncer
As novidades no tratamento oncológico estão sendo debatidas por especialistas em evento que realizado em Vitória
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Com previsão de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil até 2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer, a doença se consolida cada vez mais como uma das principais causas de adoecimento e morte no País, aproximando-se das doenças cardiovasculares.
Ao mesmo tempo em que os diagnósticos avançam, a medicina também vive uma transformação no tratamento oncológico: a combinação de diferentes medicamentos e terapias, ampliando as chances de cura, controle da doença e qualidade de vida dos pacientes.
As novidades estão sendo debatidas durante o 4º Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita, que começou ontem e vai até hoje, em Vitória.
De acordo com o oncologista Glaucio Bertollo, coordenador médico da Pesquisa Clínica do hospital, entre os principais avanços está a imunoterapia, tratamento que estimula o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais.
“A gente pode chamar a imunoterapia de um dos grandes pilares dos novos tratamentos do câncer. Hoje já temos casos de vários tipos de câncer que conseguimos cura com imunoterapia e antes isso não era possível.”
Outro ponto que tem mais chamado a atenção dos especialistas é a combinação entre diferentes estratégias terapêuticas.
“A quimioterapia continua sendo um pilar importante. A imunoterapia é outro. As terapias-alvo também. E a combinação desses pilares é que vai montando esse quebra-cabeça e, no final, aumenta a chance de cura e de controle da doença dos nossos pacientes.”
Nos casos de câncer de colo do útero e câncer de endométrio, a chegada da imunoterapia trouxe uma mudança importante. A oncologista Virgínia Altoé Sessa explica que, até pouco tempo atrás, a imunoterapia não era usada como tratamento para esses tipos de tumores. Ela destaca ainda que para o câncer de colo de útero são associadas a quimioterapia, radioterapia e imunoterapia.
Já no câncer de mama, um dos mais incidentes entre mulheres brasileiras, uma das recentes aprovações, segundo a médica, é do medicamento datopotamabe deruxtecana. “Foi aprovado para uso no câncer triplo-negativo, sendo mais um tratamento para uma doença tão agressiva.”
Saiba mais
Definição individualizada
Imunoterapia
Considerada atualmente um dos pilares mais modernos do tratamento oncológico, a estratégia estimula o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater células tumorais.
Nos casos de câncer de colo do útero e de endométrio, por exemplo, a chegada da imunoterapia trouxe impacto direto na sobrevida e na qualidade de vida das pacientes.
Terapias-alvo
Atuam diretamente em mecanismos específicos que fazem o tumor crescer. Em vez de atacar indiscriminadamente células saudáveis e doentes, como acontece em alguns tratamentos tradicionais, essas terapias identificam alterações próprias do câncer e bloqueiam esse crescimento tumoral com moléculas mais direcionadas.
Combinação de tratamentos
A quimioterapia continua sendo importante, mas agora é frequentemente associada à imunoterapia, às terapias-alvo, à cirurgia e à radioterapia.
A decisão sobre qual combinação utilizar é individualizada e costuma ser definida em reuniões multidisciplinares entre oncologistas clínicos, cirurgiões, radio-oncologistas e radiologistas.
Aconselhamento genético
No câncer de ovário, o aconselhamento genético ganhou protagonismo, permitindo identificar mutações hereditárias que podem modificar o tratamento.
Certificação para aplicar técnica moderna
Novas tecnologias começam a chegar ao Espírito Santo e prometem mudar a rotina de pacientes oncológicos no Estado. Equipamentos mais precisos para radioterapia e a possibilidade de um tratamento inovador para cânceres hematológicos estão entre as novidades do Hospital Santa Rita.
No fim do mês, um novo equipamento de radioterapia avançada será inaugurado no hospital. Segundo o médico radio-oncologista Carlos de Freitas Rebello, a tecnologia permite atingir o tumor de forma mais exata e reduzir danos em tecidos saudáveis.
Segundo o especialista, o equipamento oferece precisão submilimétrica e consegue direcionar doses maiores diretamente ao tumor, reduzindo efeitos colaterais.
A tecnologia é especialmente indicada para casos que exigem rigor extremo, como tumores cerebrais, câncer de pulmão (que sofre influência da respiração), próstata, mama e lesões na coluna.
Além dos avanços na radioterapia, outra novidade pode colocar o Espírito Santo entre os estados com acesso a uma das terapias mais modernas do mundo para cânceres hematológicos: o CAR-T Cell. O tratamento consiste na modificação genética de células de defesa do próprio paciente para que elas consigam identificar e atacar células cancerígenas de forma mais eficiente.
O Hospital Santa Rita iniciou o processo (que tem duração de seis a oito meses) para obter certificação e realizar o tratamento em pacientes com mieloma múltiplo, tipo de câncer que afeta a medula óssea, conforme explicou Marcelo Aduan, hematologista e coordenador do Serviço de Onco-Hematologia e Transplante de Medula Óssea da instituição.
“Hoje, para mieloma múltiplo, o CAR-T tem resultados que são quase semelhantes à cura da doença, principalmente se for feito de forma precoce. É um tratamento com promessa de cura. E, hoje, o mieloma não tem cura, os tratamentos são baseados em medicamentos”, destacou.
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