Como proteger o cérebro de doenças no futuro? Veja a explicação dos médicos
Especialistas destacam que até 50% dos casos de demências podem estar ligados a fatores modificáveis do estilo de vida
Siga o Tribuna Online no Google
Enquanto há quem veja o envelhecimento como oportunidade de aproveitar mais a vida, há quem tema pela saúde. Isso porque muitos associam o ato de envelhecer com doenças, principalmente aquelas que afetam a memória, como as demências.
Especialistas destacam, porém, que até 50% dos casos de demências, como o Alzheimer, podem estar ligados a fatores modificáveis do estilo de vida, como controlar a hipertensão, o diabetes, o colesterol e a perda auditiva.
Mesmo assim, 25% das pessoas ainda acreditam que não há como prevenir a doença, conforme apontou o Relatório Mundial sobre Alzheimer 2024.
À medida que a ciência busca por melhores tratamentos e até a cura para as demências, ela também aponta para controle de outras doenças que, cada vez mais, se mostram importantes para evitar esses quadros.
O neurologista Daniel Escobar, presidente da Academia Brasileira de Neurologia do Espírito Santo (ABN-ES), explica, por exemplo, que o diabetes tem impacto na evolução de doenças neurológicas, por isso deve-se evitar o descontrole glicêmico, que aumenta muito a chance de doenças neurodegenerativas.
“No caso do Parkinson, sabemos que o consumo de alimentos ultraprocessados aumenta a chance de desenvolver a doença”, destaca.
Além do diabetes, obesidade e dislipidemia (excesso de gordura no sangue) têm uma relação direta e bem estabelecida com as doenças neurológicas, aponta a neurologista Marina Fim, especialista em problemas de memória e demência.
“O excesso de glicose e de gordura no sangue provoca inflamação crônica, disfunção vascular e resistência à insulina no próprio cérebro. Com o tempo, isso compromete a circulação cerebral, a comunicação entre os neurônios e acelera processos neurodegenerativos. Na prática, esses fatores aumentam risco de AVC, comprometimento cognitivo, demência vascular e também estão associados a maior risco de doença de Alzheimer”, completa a médica.
Mas hábitos simples previnem os quadros demenciais, principalmente sair da zona de conforto intelectual, conforme orienta Daniel Escobar.
“Buscar aprender coisas novas, como um instrumento musical ou idioma, são atividades que previnem evolução de declínio cognitivo, assim como o controle do colesterol, sono de boa qualidade e tratar a deficiência auditiva, que muitos idosos negligenciam”.
Dicas para boa saúde
Confira o que você pode fazer pelo seu bem-estar.
Faça um bom pré-natal
A saúde cerebral na velhice começa no pré-natal. Infecções na gestação, má nutrição e ausência de acompanhamento médico podem afetar o desenvolvimento do cérebro do bebê, com repercussões ao longo da vida. Um pré-natal bem conduzido é a primeira etapa da prevenção neurológica.
Controlar hipertensão, diabetes e colesterol
A prevenção mais bem estabelecida das demências está no controle dos fatores de risco vasculares: hipertensão, diabetes, obesidade e dislipidemia.
Essas condições lesam os vasos sanguíneos, aumentam a inflamação e comprometem a circulação cerebral, elevando o risco de AVC e demência, incluindo Alzheimer.
Cuide da massa muscular e da audição
A manutenção da massa muscular é cada vez mais reconhecida como fator protetor cerebral. A perda muscular associada ao envelhecimento (sarcopenia) está ligada a maior inflamação e piora cognitiva.
Já A perda auditiva não tratada reduz estímulos no cérebro, favorece atrofia no lobo temporal – área do cérebro responsável pelo processamento do som e da linguagem, bem como por aspectos essenciais da memória – e pode acelerar o declínio cognitivo.
Adote uma dieta saudável
Padrões alimentares saudáveis, como a dieta Mediterrânea, estão associados a menor risco de declínio cognitivo, assim como a redução de alimentos ultraprocessados.
A dieta mediterrânea prioriza frutas, vegetais, grãos integrais, leguminosas e azeite de oliva. Inclui peixes, ovos e carnes brancas, com pouco consumo de carnes vermelhas e processadas. Rica em gorduras boas, é associada à proteção cardiovascular e metabólica.
Esteja atento à sua microbiota intestinal
O eixo intestino-cérebro demonstra que a microbiota (conjunto de microrganismos que habitam o intestino humano) participa da regulação inflamatória e metabólica do organismo.
Desequilíbrios intestinais podem aumentar inflamação sistêmica e impactar mecanismos ligados à cognição. Cuidar da saúde intestinal é parte da estratégia de prevenção a longo prazo.
Tenha boas relações sociais
Boas relações sociais são um dos principais fatores de proteção cerebral ao longo da vida. Um dos estudos mais longos do mundo, o Harvard Study of Adult Development, mostrou que vínculos positivos reduzem o estresse, fortalecem o corpo e ajudam a manter o cérebro mais ágil no envelhecimento.
O isolamento social está associado a maior risco de depressão, doenças cardiovasculares e demência.
Estude desde a infância
A chamada reserva cognitiva é a capacidade do cérebro resistir por mais tempo aos efeitos de doenças como Alzheimer.
Ela começa a ser construída na infância, com estímulo intelectual, educação de qualidade e ambiente cognitivamente rico. Quanto maior o nível educacional e o hábito de aprender ao longo da vida, maior essa proteção.
Adicione treino de força
O exercício físico regular, principalmente o de força, reduz o risco de declínio cognitivo e doenças como a de Parkinson.
A prática contínua melhora a circulação cerebral, reduz inflamação e estimula a produção de substâncias que favorecem a plasticidade neuronal.
Durma, mas com qualidade
Durante o sono, o cérebro consolida memórias e elimina substâncias potencialmente tóxicas. A privação crônica de sono e distúrbios como apneia aumentam o risco de comprometimento cognitivo. Dormir bem é uma medida simples e poderosa de proteção.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários