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Casal capixaba que veio da China está isolado

| 11/02/2020 11:52 h

Máscaras para conter proliferação do coronavírus
Máscaras para conter proliferação do coronavírus |  Foto: Foto: Aloisio Mauricio/Agência Estad
A epidemia que atingiu a China no final do ano passado também mudou a vida de brasileiros que viviam naquele país. Um casal capixaba, que preferiu não se identificar, voltou no último domingo para o Estado e está isolado na casa de parentes em Vitória.

O médico, de 35 anos, e sua mulher, uma dona de casa de 32 anos, viveram durante três anos na cidade de Kunming, província Yunnan, no sul da China, mas decidiram voltar por conta da gravidez da dona de casa.

“Vivíamos há 1.500 quilômetros de distância do local do epicentro, em Wuhan. Como é um vírus novo, traz uma série de preocupações. Apesar de não termos tido contato com pessoas contaminadas, já tínhamos decidido que quando minha mulher ficasse grávida voltaríamos ao Brasil”, contou o médico.

Segundo o casal, eles decidiram pelo isolamento como forma de prevenção, sendo uma decisão pessoal.

“Em nenhum momento esse isolamento foi imposto por algum órgão do governo. Entendemos que é o mais prudente nesse momento. Como é uma infecção que pode começar a dar sintomas após alguns dias, e como ainda não há casos no Brasil e se transmite muito fácil, achamos melhor ficarmos restritos nesses próximos dias”, afirmou o médico.

“Essa medida é para garantir a nossa segurança e a das pessoas ao nosso redor, para que a gente observe, entre 10 a 14 dias, se não vamos desenvolver nenhum sintoma”, completou.

No domingo, 34 pessoas que viviam em Wuhan, local da epidemia, chegaram ao Brasil, após operação de resgate feita pelo governo federal, em um avião fretado.

Porém, o casal capixaba voltou em um voo comercial, já que não estava na cidade onde ocorreu o surto da doença.

“Nos aeroportos da China e da Tailândia, onde fizemos a conexão, eles mediram nossa temperatura, respondemos um questionário perguntando se tivemos contato com alguém da província de Hubei”, disse a dona de casa.

Já no Brasil, ela contou que nos aeroportos há avisos sobre os cuidados em usar máscara, higienizar as mãos e de avisar às autoridades de saúde sobre quaisquer sintomas suspeitos.

“Chegamos normalmente no aeroporto, tanto de São Paulo quanto de Vitória, e não tivemos de responder nenhum questionário. Essa medida de isolamento é uma decisão nossa”, destacou a dona de casa.

“Foi uma decisão voluntária”, diz médico

Após viver três anos na cidade de Kunming, na China, um casal de capixabas voltou no último domingo ao Estado e está isolado na casa de parentes.

A Tribuna – Como está o clima na China após a epidemia pela infecção do coronavírus?

Médico – É uma situação diferente por ser um vírus novo, o clima no país é de muita preocupação. Não sabemos o que esperar, como lidar com a epidemia de forma geral. Como o surto aconteceu dias antes do Ano Novo Chinês, o governo tomou uma série de medidas para que um bloqueio fosse feito. Nesse feriado há uma migração intensa, e por isso, o risco era ainda maior de proliferação do vírus.

Chegou a ter contato com algum paciente infectado?

Na província onde moramos, até o momento, há 149 casos confirmados, e na nossa cidade, 45 casos e nenhuma morte. Trabalho em uma clínica, que funciona dentro de um hospital particular. Esse hospital não é referência em infectologia. Não tínhamos contato direto com esses pacientes, já que eles são direcionados para hospitais referências em infectologia.

Você teve dificuldades em comprar alimentos?

Os supermercados funcionavam normalmente. Não tivemos dificuldades em comprar comida. Encontrávamos tudo que precisávamos. A única falta era de máscara e álcool em gel. A orientação era que todos se mantivessem em casa e evitassem aglomerações.

Na nossa cidade os ônibus e metrôs não circulavam normalmente, já os shoppings funcionavam de forma limitada.

Por que decidiram voltar?

Voltamos por situação peculiar e especial. Nosso pensamento era permanecer na China, mas por uma questão familiar, tínhamos decidido que, quando minha esposa ficasse grávida, viríamos para o Brasil ter a gravidez aqui. E, tendo em vista também a epidemia, em que o sistema de saúde fica sobrecarregado, decidimos voltar.

Estão tendo contato com a família?

Minha sogra voltou com a gente e estamos na casa dela, mas decidimos, por prevenção não ter, a princípio contato com as pessoas. Não há nenhuma questão legal, nem recomendação direta de uma autoridade de saúde.

Mas, entendendo o contexto e sendo médico, decidimos tomar mais cuidado e nos monitoramos. Foi uma decisão voluntária.

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