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Brasil é o país que mais sofre com ansiedade

| 06/06/2020 14:39 h | Atualizado em 06/06/2020, 15:25

Imagem ilustrativa da imagem Brasil é o país que mais sofre com ansiedade

A pandemia tem causado efeitos diversos na população. Além dos problemas de saúde e econômicos, outra questão tem chamado a atenção dos especialistas: a saúde mental.

Os efeitos são tão presentes que uma pesquisa, realizada pela Ipsos, mostrou que o Brasil é o país com mais registros de ansiedade, causada pela pandemia da Covid-19. Foram 16 países avaliados, sendo 16.038 adultos entrevistados.

Segundo o levantamento, quatro em cada dez brasileiros têm algum nível de ansiedade, o que corresponde a 41%. Em segundo lugar, ficaram os mexicanos (35%) e, em terceiro, os russos (32%).

Apenas 6% dos japoneses e 7% dos alemães são impactados pela doença.



Famílias já enfrentam a era da depressão digital, dizem especialistas
Famílias já enfrentam a era da depressão digital, dizem especialistas |  Foto: Foto Beto Morais
O psiquiatra Jairo Navarro destacou que os países que tiveram um combate ao novo coronavírus de forma mais organizada são os menos afetados por problemas como a ansiedade.

“No País, o aumento de casos da doença e o número de mortes têm causado muita preocupação, assim como a questão econômica, como a perda de emprego, que gera ansiedade, insônia e inquietação”.

Outra questão que chama a atenção na pesquisa é como a Covid-19 também tem afetado a qualidade do sono dos brasileiros. Entre os entrevistados, 26% afirmam estar tendo problemas para dormir.

O psiquiatra Vicenti Ramatis afirmou que a pandemia, além de piorar a qualidade do sono, pode causar outros problemas como a compulsão alimentar, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e aumento de casos de alcoolismo.

“Grande parte desses quadros é circunstancial, que é trazido pelo momento, e devem voltar à normalidade aos poucos. Já outros casos tiveram como gatilhos a pandemia, e vão precisar de tratamentos, como é o caso da compulsão alimentar, que pode desencadear diabetes e hipertensão”.

O psiquiatra Valber Dias Pinto deu dicas para manter a “cabeça no lugar” na pandemia. “Crie novas rotinas, o cérebro precisa entender que já pode desligar alguns alarmes. Utilize recursos que já possui para se equilibrar, como praticar atividade física, tocar instrumento musical. Procure apoiar quem precisa e se permita ser apoiado”.

O Médico Valber Dias disse que a preocupação maior é com o remédio carbolitium, que não possui substituto
O Médico Valber Dias disse que a preocupação maior é com o remédio carbolitium, que não possui substituto |  Foto: Dayana Souza / AT

Alerta para estresse em crianças

O isolamento social também tem afetado a vida de crianças e adolescentes. Ansiedade e estresse já são frequentes nos pequenos, segundo especialistas.

A ansiedade e o estresse dos pais, causados pela pandemia, podem gerar uma sensação de medo e ansiedade na criança, de acordo com a pediatra Camila Mendes.

“As crianças tiveram uma mudança brusca de rotina. Elas foram afastadas da escola e do convívio com seus colegas, e algumas estão presas em apartamentos, e isso pode afetá-las”, explicou.

A médica destacou que o estresse pode fazer surgir um novo comportamento nas crianças. “Não sabemos o que isso pode ocasionar no futuro, já que elas têm sofrido uma carga de estresse muito grande, todos os dias. O organismo nem sempre dá conta desse estresse, o que chamamos de estresse tóxico”.

A pediatra ressaltou que entre os sintomas estão a síndrome do pânico e medo da morte dos pais.

Já a psicóloga Jamila Albani ressaltou que o desgaste emocional pode ser demonstrado também por meio do distúrbio no sono, comportamentos agressivos, birra, alteração na alimentação e introspecção.

“O importante é observar, mais detalhadamente, como a criança está neste período de quarentena. As reações emocionais também devem ser observadas para entender como a criança está lidando com a situação”, orientou.

Médica Jéssica Polese disse que aumento de casos por síndrome respiratória pode ser resultado da subnotificação do novo coronavírus
Médica Jéssica Polese disse que aumento de casos por síndrome respiratória pode ser resultado da subnotificação do novo coronavírus |  Foto: Thiago Coutinho - 23/04/2019
A médica Jéssica Polese, especialista em pneumologia e medicina do sono, diz que os adolescentes têm necessidade de estarem em grupos e agora estão mais tempo no computador, sem poder sair e praticar atividades físicas.

“Eles estão no auge da agitação hormonal e trancados dentro de casa. É uma situação bem caótica: jovens, sem muita noção do que está acontecendo lá fora e com obrigações da escola. É realmente muito estressante”.

Análise

Felipe Goggi,
psicólogo, especialista em Saúde Pública com Ênfase em Saúde Mental
Felipe Goggi, psicólogo, especialista em Saúde Pública com Ênfase em Saúde Mental |  Foto: Divulgação
“O poder de adaptação é uma exigência cotidiana”

“O ser humano tem em sua estrutura psíquica o poder de se reinventar. Independentemente da pandemia, o poder de adaptação é uma exigência cotidiana.

Em tempos de isolamento social, essas mudanças ficam mais evidentes. Para passar bem por essa fase, é importante assumir o verdadeiro estado emocional, não tentando enganar o seu psicológico. Se estiver difícil, é preciso assumir essa dificuldade para que possa abrir portas de possibilidades, inclusive de ajuda.

Ocupar o pensamento se informando das atualidades em fontes seguras e de credibilidade, se alimentar com refeições nutricionais, fazer exercícios físicos ainda que seja colocar uma música para dançar, além de se oportunizar a sorrir e ter humor, ajudam a lidar com situações adversas.

Ficar em casa em isolamento social pode ser uma ótima oportunidade para se autoconhecer e descobrir habilidades criativas. Estar em isolamento não significa estar só, pois a tecnologia tem contribuído para estarmos juntos.”

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