Ansiedade com jogos pode aumentar risco de infarto
Médicos explicam que em momentos de muita emoção há liberação de hormônios que podem elevar a pressão e a frequência cardíaca
Faltam segundos para o fim da partida. Um jogador avança sozinho rumo ao gol. É ele, a bola e o goleiro adversário. A tensão toma conta dos milhões de torcedores assistindo ao jogo da Copa do Mundo.
O que muitos não sabem é que momentos de estresse e ansiedade intensos, como esses, podem elevar o risco de infarto, segundo especialistas.
“Eventos esportivos de grande importância, como a Copa do Mundo, provocam intensa carga emocional. Em pessoas predispostas, esse estresse pode desencadear alterações no organismo que aumentam o risco de eventos cardiovasculares, incluindo o infarto”, explica Lucas Frizzera, cardiologista da Rede Meridional.
Segundo o especialista, em momentos de grande emoção, há uma liberação aumentada de hormônios do estresse, que podem provocar aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial e maior consumo de oxigênio pelo coração. Se a pessoa possuir placas de gordura nas artérias coronárias, essas alterações podem favorecer a ruptura da placa e desencadear um infarto.
“Diversos estudos demonstraram aumento de eventos cardiovasculares durante grandes competições esportivas, especialmente em jogos decisivos, disputados nos pênaltis ou envolvendo derrotas inesperadas”.
Em pessoas sem fatores de risco, a chance de um infarto desencadeado apenas pela emoção do jogo é baixa. “Mesmo quem nunca teve uma doença cardíaca diagnosticada deve ficar atento aos sinais de alerta. O fato da pessoa não saber que tem um problema no coração não significa que ele não exista”.
O cardiologista Diogo Barreto destaca que, dependendo do perfil do paciente, o risco pode aumentar de duas a três vezes durante situações de forte estresse emocional. “Há relatos também de aumento de outros eventos cardiovasculares, como o AVC, embora em menor proporção”, afirma.
Cardiologista, Deise Marçal acrescenta que quem tem histórico na família relacionado a doenças cardíacas também precisa ficar atento. “Quem tem histórico é um risco maior. Quem tem pressão alta e diabetes também precisa ficar atento. Tem que tomar cuidado e não se empolgar muito”, diz.
Coração acelerado e frio na barriga
Administradora, Camila Nogueira Miranda Alves, 34 anos, admite que não acompanha futebol o ano inteiro. Mas e quando é final do Flamengo e jogo do Brasil na Copa do Mundo? Não perde, diz, mesmo que a ansiedade a acompanhe.
“Eu tento controlar a ansiedade, mas durante um jogo decisivo ela geralmente está no comando”.
Camila conta que sente o coração acelerar e fica com frio na barriga. Quem sofre mais são as unhas, que rói de nervosismo.
Para ajudar a controlar a ansiedade, diz não ter grandes truques. “Tento me convencer de que não adianta sofrer por antecedência.
Fique por dentro
Emoção pode ser gatilho
O cardiologista Diogo Barreto explica que a relação entre partidas de futebol e aumento de infartos ganhou notoriedade após um estudo da Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, publicado em revistas científicas médicas.
Segundo ele, pessoas com doença aterosclerótica, caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias, podem correr duas a três vezes mais riscos.
A emoção intensa aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, favorecendo a ruptura dessas placas e o entupimento das artérias do coração, levando a um infarto.
Maior risco para quem já tem doença cardíaca
Em indivíduos com doença cardiovascular já existente ou fatores de risco importantes, a forte descarga emocional associada ao consumo excessivo de álcool, exageros alimentares, privação de sono e esquecimento das medicações aumenta a probabilidade de ocorrer um evento cardiovascular.
Assista com moderação
Especialistas recomendam atenção redobrada para quem tem hipertensão, diabetes, colesterol elevado, histórico de doença coronariana, é fumante ou possui idade avançada.
A orientação é manter as medicações em dia, evitar excessos de álcool e alimentação e controlar o estresse durante as partidas.
Atenção aos sinais de alerta
Dor torácica clássica.
Dor, aperto e queimação no peito que pode irradiar para o braço esquerdo, pescoço ou mandíbula.
Falta de ar súbita, suor frio inexplicável, náuseas, tontura ou um cansaço extremo que surge do nada.
Sem diagnóstico
Mesmo sem um diagnóstico, é preciso ficar atento aos sinais de alerta, destaca o cardiologista Lucas Frizzera. A pessoa pode ter um problema no coração e não saber.
Procure atendimento imediatamente
Sentiu algum sinal de alerta? Especialistas ressaltam que nunca se deve esperar o jogo acabar para ver se a dor passa.
Ansiedade excessiva
Como é difícil diferenciar ansiedade excessiva de um evento cardíaco, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente diante de sintomas suspeitos.
Fonte: Especialistas consultados.
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