Alergias graves levam pacientes à UTI e podem até matar
Reação pode começar minutos após contato com alimento ou remédio, por exemplo, e evoluir para falta de ar e parada cardíaca
Uma reação alérgica pode começar com vermelhidão, coceira ou inchaço e, em poucos minutos, evoluir para falta de ar, queda da pressão arterial, parada cardiorrespiratória e morte. É a anafilaxia, quadro grave que pode levar pacientes à Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
No Espírito Santo, 18 internações por quadros relacionados a alergias graves foram registradas neste ano, no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2024, foram 42 e, em 2025, 35.
A alergista Aline Rocha Camporez, da Rede Meridional, explica que a reação pode atingir diferentes órgãos. “A anafilaxia ocorre cerca de minutos até duas horas após a ingestão, administração ou inoculação do alérgeno.”
Entre os desencadeadores estão alimentos, medicamentos e venenos de insetos. “A primeira exposição pode não provocar sintomas, mas pode levar o sistema imunológico a reconhecer aquele medicamento. Em uma exposição posterior, essa resposta pode ser ativada e provocar uma reação, inclusive anafilaxia”, explica a alergista Milena Piana.
A evolução pode ser rápida. O inchaço da garganta pode dificultar a passagem de ar, enquanto a queda da pressão pode provocar choque anafilático. “Reconhecer rapidamente os sintomas e saber usar a adrenalina pode fazer diferença”, afirma Milena.
A analista de licitação Mirilaine Honorato, de 39 anos, vive a preocupação com o filho Lucas, de 7, que tem alergia a ovo, amendoim, castanhas, nozes, avelã e camarão. “Quando ele era bebê, tinha crises alérgicas muito graves, de ficar vermelho e inchado. Hoje, conseguimos ter mais controle.”
Lucas nunca precisou ser internado, mas a família evita alimentos que possam provocar reação e orienta escola e pessoas próximas. O menino também passou a carregar uma caneta de adrenalina.
Segundo o imunologista e alergista Fabrício Prado Monteiro, do Hospital Santa Rita, até o contato acidental pode representar perigo. “Uma vez sensibilizado, cada vez e de forma recorrente seremos mais passíveis de ter mais sintomas com mais risco para o paciente.”
A orientação para quem tem histórico de anafilaxia é manter a adrenalina autoinjetável disponível e seguir um plano de emergência elaborado pelo alergista.
Caneta de adrenalina
Para pessoas com histórico de anafilaxia ou alergia alimentar grave, a caneta de adrenalina pode ser uma ferramenta importante para o atendimento imediato de uma reação. O medicamento é indicado para casos de anafilaxia, que podem evoluir rapidamente para dificuldade respiratória, queda da pressão e choque.
“A caneta de adrenalina é um dispositivo que salva vidas e deve ser carregada pelo paciente que tem indicação”, afirma a alergista Aline Rocha Camporez, da Rede Meridional.
O imunologista e alergista Fabrício Prado Monteiro, do Hospital Santa Rita, também destaca a necessidade de o paciente estar preparado para uma emergência.
“Todo paciente com diagnóstico de risco de anafilaxia deve portar adrenalina autoinjetável e a família deve seguir o plano de ação orientado pelo especialista até chegar ao hospital.”
Segundo Aline Camporez, os dispositivos não possuem registro comercial regular ou fabricação ampla no País e tradicionalmente são importados com receita médica. Ela informou que o valor pode variar de R$ 1 mil a R$ 2,5 mil por unidade.
Saiba Mais
18 internações no SUS só este ano
Brasil
- Foram 40 mortes por crises alérgicas graves de janeiro a junho de 2026.
- Desde 2022, são 499 óbitos.
- Os atendimentos relacionados a alergias no SUS passaram de 30,9 milhões em 2022 para 44,5 milhões em 2025. Nos seis primeiros meses de 2026, já foram 24 milhões.
Espírito Santo
- No Espírito Santo, foram 18 internações por quadros relacionados a alergias graves somente neste ano. Em 2024, foram 42 e, em 2025, 35.
Alergia
- É uma resposta do sistema imunológico a uma substância.
- Nas reações graves, ocorre liberação generalizada de mediadores inflamatórios, podendo atingir pele, sistema respiratório, gastrointestinal e cardiovascular e levar ao risco de morte.
Causas
- Os principais desencadeadores de reações graves citados pelos médicos são alimentos, medicamentos e venenos de insetos.
- Entre os alimentos estão leite, ovo, amendoim, castanhas e frutos do mar. Abelhas e vespas são insetos associados às reações graves.
Adultos
- Em adultos, medicamentos e venenos de insetos ganham importância entre os desencadeadores de reações graves.
- Antibióticos, principalmente os beta-lactâmicos, como penicilinas, e anti-inflamatórios estão entre os medicamentos mais envolvidos, segundo Milena Piana.
Crianças
- Os alimentos têm papel importante. Leite, ovo, amendoim, castanhas e frutos do mar estão entre os desencadeadores.
- Segundo Fabrício Prado Monteiro, crianças altamente sensibilizadas podem reagir até a pequenas quantidades ou à contaminação cruzada.
Contaminação cruzada
- Pequenas quantidades do alérgeno podem desencadear uma reação em pessoas altamente sensibilizadas. Por isso, utensílios, alimentos e superfícies que tiveram contato com o alérgeno também exigem atenção.
Prevenção
- O primeiro passo é identificar corretamente o alérgeno e evitar a exposição.
- A recomendação é informar restaurantes sobre a alergia e usar pulseira ou cartão de identificação.
- Em crianças, a escola, os familiares e os cuidadores devem ser orientados.
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