Descoberta de drogas inéditas deixa polícia em alerta no Brasil
As substâncias DCK e 2-FDCK foram detectadas em baladas de São Paulo, mas ainda não chegaram ao Espírito Santo
Duas substâncias psicoativas identificadas pela primeira vez em amostras de saliva de frequentadores de festas em São Paulo acenderam um alerta entre autoridades de segurança e de saúde no Brasil.
A descoberta, feita pelo Centro de Informações Toxicológicas (CIATox) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi incluída no Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR), do governo federal.
As substâncias são a desclorocetamina (DCK) e a 2-fluorodesclorocetamina (2-FDCK), análogas da cetamina, um anestésico, já conhecidas internacionalmente.
O ineditismo está na identificação das drogas em amostras de saliva, segundo Daniel Edler, diretor de Pesquisa, Avaliação e Gestão de Informações da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
“O objetivo do Projeto Baco, que coleta as amostras de saliva nas saídas das festas, é entender como está o mercado e o padrão de consumo de drogas no País”.
Em entrevista ao portal G1, a pesquisadora do CIATox Náthaly Bueno explicou que a identificação no fluido oral permite constatar o consumo recente das substâncias.
“Então, com certeza, o usuário estava sob efeito daquela substância quando a gente fez o teste”.
Outro ponto que chamou atenção foi que em duas das quatro notificações, segundo o alerta do SAR, os participantes da pesquisa relataram ter consumido substâncias diferentes das identificadas.
Esse, segundo a diretora do Instituto de Laboratórios de Análises Forenses da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES), Caline Airão Destefani, é um dos maiores riscos das drogas sintéticas.
“Como são produzidas em laboratórios clandestinos, sem regulamentação, não é possível saber o que está sendo consumido, trazendo riscos imprevisíveis à saúde”.
De acordo com o documento de alerta, as substâncias DCK, 2-FDCK e cetamina podem causar alterações perceptivas, alucinações, agitação, taquicardia, hipertensão e redução do nível de consciência.
E apesar dessas substâncias ainda não terem sido identificadas no Espírito Santo, Caline diz que o Estado tem vivido uma alta de apreensões de drogas sintéticas. “Em 2025, foram quase 11 mil unidades periciadas, enquanto apenas no primeiro semestre deste ano, já temos por volta de oito mil unidades”.
Você sabia
O Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR) é uma rede interinstitucional e multidisciplinar responsável por monitorar a emergência e a circulação de novas substâncias psicoativas e suas adulterações que representem ameaças à saúde e à segurança pública gerando alertas rápidos.
Novas drogas
Duas substâncias psicoativas – a desclorocetamina (DCK) e a 2-fluorodesclorocetamina (2-FDCK) – foram identificadas em amostras de saliva de frequentadores de festas em São Paulo.
As drogas são análogas da cetamina, um anestésico que deve ser ministrado em ambiente controlado, e já eram conhecidas internacionalmente.
O ineditismo está na detecção em fluido oral, algo que não havia sido registrado antes.
Alerta
A descoberta foi incluída no Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR), do governo federal.
O sistema reúne informações sobre novas substâncias e mudanças nos padrões de consumo para orientar ações de saúde, segurança pública e perícia.
Como funciona
Quando uma situação atípica é identificada, a informação pode ser notificada ao SAR.
A partir disso, os dados são analisados e comparados com bancos de dados e estudos nacionais e internacionais.
Dependendo do caso, o alerta pode ser direcionado a perícias, serviços de saúde, órgãos públicos ou até à população.
Riscos à saúde
DCK, 2-FDCK e cetamina têm efeitos dissociativos e podem provocar alterações de percepção, alucinações, agitação, confusão mental, taquicardia, hipertensão, perda de consciência e comprometimento da coordenação motora.
Os efeitos da DCK e da 2-FDCK ainda são pouco conhecidos. Já há, porém, registros internacionais de intoxicações graves, hospitalizações e mortes associadas à 2-FDCK.
Nem sempre é o que parece
Em duas das quatro notificações registradas, os participantes disseram ter consumido apenas “bala” ou “MD”, termos associados ao MDMA, substância psicoativa sintética conhecida como ecstasy.
No Estado
No espírito Santo, drogas apreendidas pelas forças policiais são encaminhadas ao Laboratório de Química Forense da Polícia Científica, onde passam por análises para identificar os princípios ativos presentes. O resultado é registrado em laudo pericial.
No caso da identificação de uma substância diferente, pouco conhecida ou um novo padrão de circulação, a situação pode ser comunicada ao SAR.
Essas informações ajudam a ampliar o monitoramento nacional e podem subsidiar novas medidas de controle.
Aumento de drogas sintéticas
DCK e 2-FDCK ainda não foram identificadas no Estado. Mesmo assim, a Polícia Científica aponta um aumento nas apreensões de drogas sintéticas.
quase 11 mil unidades foram periciadas em 2025 e, apenas no primeiro semestre de 2026, o número estava em torno de 8 mil.
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