Alergias: ar-condicionado e ventilador viram vilões nos dias quentes
Aparelhos viraram aliados indispensáveis para enfrentar o calor mas podem se transformar em vilões para quem sofre com alergias respiratórias
Com a sensação térmica ultrapassando os 37 °C, aparelhos de ventilador e ar-condicionado viraram aliados indispensáveis para enfrentar o calor.
Mas, por trás do alívio imediato, esses aparelhos podem se transformar em vilões para quem sofre com alergias respiratórias, principalmente quando a limpeza não está em dia e a poeira acumulada passa a circular pelo ar.
“O ventilador pode agravar alergias respiratórias porque ressuspende poeira, ácaros e fungos. Ventilador é infinitamente pior do que o ar-condicionado. Mas, em relação ao ar-condicionado, filtros sujos e ambientes fechados podem favorecer a circulação desses alérgenos da poeira”, alerta a alergista e imunologista Milena Pandolfi.
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Além disso, segundo a alergista e imunologista Larissa Perim, o ar quente tem menor densidade, e isso favorece maior dispersão de partículas de poeira e microrganismos.
Larissa explica ainda que alterações rápidas de temperatura e umidade – como sair do calor e ir para ambientes com ar-condicionado – podem irritar as vias aéreas e favorecer inflamação e produção de muco, contribuindo para sintomas de rinite e asma. “Além disso, o uso frequente do ar-condicionado deixa o ar muito seco, o que irrita as vias aéreas.”
Uma dica da médica é fazer a lavagem nasal com soro para evitar o ressecamento das narinas.
No caso da rinite alérgica, ela pode piorar no calor, de acordo com a alergista e imunologista Aline Rocha Camporez, médica do Hospital Santa Rita, com mais espirros, coriza, coceira no nariz e congestão nasal, devido ao aumento da proliferação de ácaros e mofo.
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Para o controle das alergias, também é preciso controle do ambiente.
“Por exemplo, se você vai passar férias com sua família, confira antes se o local está empoeirado, limpe e prefira o ar-condicionado ao ventilador. Mas, se só tiver o ventilador, faça a limpeza do aparelho”, orienta a alergista e imunologista pediátrica Bruna Guaitolini.
A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) recomenda ainda para quem tem rinite alérgica, que passe pano úmido diariamente na casa ou use aspirador de pó com filtros especiais (HEPA) duas vezes na semana.
Já as roupas de cama devem ser trocadas e lavadas regularmente e secas ao sol ou ar quente.
Alergia a insetos
Desde bebê, José Felipe, de 4 anos, apresenta alergia a insetos. Sua mãe, Emlly Huguinim, 31, percebia que após a picada o filho apresentava inchaço local. Na época, ela chegou a levar o filho a um médico alergista, que orientou a usar diariamente o repelente. Com o calor e o aumento de circulação de mosquitos, a família redobra os cuidados e usa até mesmo telas nas janelas.
Recentemente, após ter sido picado, José precisou ser medicado com antibiótico, já que teve uma infecção bacteriana secundária na pele.
“Usamos sempre o repelente, mas, quando mesmo assim ele é picado, temos uma pomada que passamos no local, recomendada pelo médico”, contou Emlly.
Cuidados para reduzir a crise
Prevenção de alergias no verão
A alergista e imunologista Milena Pandolfi orienta:
Manter boa higiene dos ambientes, com limpeza regular e filtros de ar-condicionado limpos.
Evitar calor excessivo e banhos muito quentes, que ressecam a pele.
Usar hidratantes adequados para a pele e redobrar o uso. Nesse período dar preferência aos mais fluidos.
Enxaguar o corpo após banho de piscina ou de mar.
Usar repelentes e roupas protetoras contra insetos.
Intensificar a hidratação oral.
Seguir corretamente o tratamento prescrito pelo médico se já tiver diagnóstico de alergia.
Atenção com as crianças
A alergista e imunologista pediátrica Bruna Guaitolini, professora do Unesc, recomenda:
A proteção da pele da criança deve ser redobrada, incluindo o uso regular de protetor solar.
para bebês antes de seis meses não tem nenhum protetor solar indicado. Para essa idade tem de utilizar a proteção de barreira: chapéu, óculos de sol e roupas com proteção UV, evitando a exposição nos horários de maior intensidade solar, entre 10h e 16h.
A lavagem nasal também é essencial, pois o ressecamento das narinas pode provocar sangramento nasal.
Limpeza de ar-condicionado
A médica alergista e imunologista Aline Rocha Camporez, do Hospital Santa Rita, alerta que:
Filtros sujos acumulam ácaros, poeira e fungos, podendo desencadear crises de asma e de rinite. Além disso, podem causar irritação nas vias aéreas devido ao ressecamento da mucosa. Por isso, devem ser limpos periodicamente.
Manutenção do tratamento
A alergista e imunologista pediátrica Bruna Guaitolini reforça que:
Quem tem alergia deve manter o tratamento regularmente, como o uso de bombinhas de asma e sprays nasais.
Deve-se ainda montar um kit de emergência com os medicamentos, especialmente em viagens.
Também é recomendado aproveitar esse período para conferir e atualizar a caderneta de vacinação.
Fonte: Especialistas consultadas.
Atendimento de emergência
É fundamental procurar atendimento imediato, orienta a alergista e imunologista Milena Pandolfi, se houver:
Falta de ar, chiado no peito ou dificuldade para respirar.
Inchaço nos lábios, língua, rosto ou garganta.
Tontura, desmaio ou queda da pressão.
Urticária extensa associada a sintomas respiratórios ou gastrointestinais.
Atenção: Esses sinais podem indicar anafilaxia, uma reação alérgica grave, que pode colocar a vida em risco.
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